Fachada do Bar Luiz, no Rio de Janeiro Jorge Hely/FramePhoto/Folhapress

Fechado e sem previsão de volta, o Bar Luiz, um dos mais antigos bares do Brasil, está tentando uma forma de regressar às atividades. A proprietária Rosa Santos procura um sócio investidor para fazer a casa reabrir e comemorar 135 anos, em 2022.

Segundo o site Diário do Porto, Rosana procurou a Ambev, a poderosa multinacional de origem brasileira que controla a Brahma e dezenas de outras marcas em vários países. Contudo, de acordo com ela apesar da parceria mais que centenária entre as marcas, não houve interesse por parte do marketing da companhia.

Todavia, Rosana segue com esperança e acredita que a nova gestão da Prefeitura vai devolver o movimento de pessoas ao Centro da cidade e reanimar a rua da Carioca, onde fica o Bar Luiz e isso deve trazer um investidor.

O Bar foi aberto em 3 de janeiro de 1887, durante o Segundo Reinado, no número 102 da Rua da Assembleia. Fundado por Jacob Wendling, o Bar Luiz chamava-se originalmente Zum Schlauch (“À Mangueira” ou “À Serpentina” em alemão), uma referência ao fato de, ali, vender-se chope que circulava dentro de uma serpentina imersa no gelo antes de servido.

Apesar de continuar na mesma Rua, em 1901, o Bar Luiz mudou de endereço por conta de problemas na renovação do aluguel. Passou para o número 105 da Rua da Assembleia. À época, o bar também mudou de nome, passando a chamar-se Zum Alten Jacob (“Ao Velho Jacob”), uma homenagem ao velho Jacob, o fundador de origem judaica, que já estava retirando-se dos negócios e havia passado a direção do bar para seu afilhado, Adolf Rumjaneck.

No ano, 1908, o fundador foi para a Suíça e Adolf assumiu a direção do estabelecimento. Escritores João do Rio e Olavo Bilac eram clientes e faziam companhia ao novo “diretor”.

Em 1915, uma lei de valorização da língua portuguesa obriga a nova mudança no nome do Bar, que passa a se chamar Bar Adolph.

Adolf, com problemas de saúde, convida o austríaco Ludwig Vöit para sócio. Em 1926, com a morte de Adolf, Ludwig assume a direção do Bar e também a tutela da filha de Adolf, Gertrud Rumjaneck.

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Em 23 de fevereiro do ano seguinte, novamente por problemas na renovação da locação, o Bar muda novamente de endereço, se transferindo para seu endereço atual, no número 39 da Rua da Carioca.

No ano de 1942, por conta da Segunda Guerra Mundial e dos movimentos antifascistas no Brasil, o Bar foi ameaçado de ser destruído por estudantes do Colégio Pedro II, que imaginavam que o nome do estabelecimento era uma homenagem a Adolf Hitler.

Contudo, por conta do episódio, Ludwig naturalizou-se brasileiro e adotou o nome de Luiz.

Em 1955, Luiz Vöit afasta-se da direção do estabelecimento, que é assumida pela herdeira de Adolph, Gertrud, e o marido dela, Alfons Kurowsky. Com a morte de Alfons, a viúva e seu filho, Bruno Kurowsky, passam a dirigir o estabelecimento. A clientela, na década de 1960, incluía personalidades da cultura carioca (e nacional) como Ziraldo, Jaguar e Sérgio Cabral (pai).

No mês de dezembro de 2011, o prefeito Eduardo Paes assinou o Decreto de Cadastro dos Bares Tradicionais, conferindo a onze botequins, dentre eles o Bar Luiz, o status de Patrimônio Cultural da Cidade.

3 COMENTÁRIOS

  1. O assunto aqui é o Bar Luiz e portanto não quero me alongar noutros assuntos, mas na verdade é um bem pessoal cabendo àqueles resolver as questões financeiras (inclusive, pretendo em breve abrir algum comércio e muito me honraria ser um sócio do famoso estabelecimento, mas certamente o que tenho para investir não seria nada próximo do que a Rosana pretende), mas na medida do possível o atual prefeito, em sua gestão anterior tentou atenuar os efeitos da economia, garantindo-lhes o título de patrimônio cultural e seus desdobramentos.
    Quanto a narrativa, que vinha muito bem, não sei porque não deu continuidade até os dias de hoje (parando na década de 60), e dizer que este ícone dos chamados “botequins” (onde se tem comida boa e Chopp super gelado), certamente dará a volta por cima e sabe que pode contar com toda sua clientela.

  2. Fico imaginando, como se pode sobreviver, com tudo custando muito caro, nessa hora ñ se vive só de história, é preciso resolver ou pelo menos atenuar os efeitos de uma política econômica fracassada, do governo atual.

  3. Na hora em que fecha, vem um monte de abutres no jornal chorar o “patrimônio histórico” e a “cultura” pra posar de bons moços. Na hora de passar o chapéu e contribuir, os abutres somem como o Diabo foge da cruz. Que o bar encontre seus investidores privados – porque o Poder Público já está endividado por demais.

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