Transoeste ou TranstornoNa última segunda-feira, dia 20 de maio, a Prefeitura do Rio anunciou os prazos e valores de uma obra que já desconfiávamos que ocorreria, contrariando o projeto original da Linha 4 do Metrô, que previa a extensão da linha metroviária até o Terminal Alvorada, na Barra da Tijuca. Trata-se da extensão do corredor BRT Transoeste, no trecho chamado “lote zero”, entre o Terminal Alvorada e o Jardim Oceânico. A obra visa dar uma solução na questão do transporte para este trecho da Avenida das Américas, com horizonte para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016, visto que há até pouco tempo, se imaginava que esta parte da Barra da Tijuca seria atendida com o prolongamento da linha 4 do metrô, facilitando o deslocamento para milhares de usuários dos diversos outros bairros da Zona Oeste.

O anúncio da extensão do corredor BRT chega com a sensação de “tapar o sol com a peneira”, utilizando um mecanismo, que em breve será ineficiente, quando especialistas já indicam, que o metrô é a solução definitiva para melhorar o transporte na cidade, em especial, na Zona Oeste do Rio. A população esperançosa, continua na expectativa de que governo mude de ideia e leve o metrô até o Terminal Alvorada. O tema é complexo e demanda uma análise sob uma ótica maior, no contexto da cidade do Rio de Janeiro, e não apenas de uma intervenção local na Barra da Tijuca.

É fato de que a cidade está reorganizando o seu sistema de transporte com vista as Olimpíadas, já que transportes foi a pasta com pior avaliação que o Rio teve quando da apresentação de sua candidatura a cidade sede do evento. Assim, era de se esperar que as intervenções nesse tema fossem de vulto, como de fato estão sendo, com a construção de quatro corredores de ônibus articulados, chamados de BRTs – Transoeste, Transcarioca, Transolímpica e Transbrasil, além dos investimentos que estão sendo feitos na implantação da linha 4 do metrô, do Veículo Leve sobre Trilhos – VLT – do centro da cidade, além da modernização do sistema de trens da Supervia.

Ocorre que no trecho citado da Avenida das Américas, entre o Terminal Alvorada, onde o BRT Transoeste já está em operação, e o Jardim Oceânico, onde está em construção a estação do metrô, está o trecho mais dinâmico e comercial da Barra da Tijuca, com um elevado número de shoppings, condomínios e centros comerciais.

Era natural que neste trecho a opção do Poder Público fosse a expansão da linha 4 do metrô, desde o Jardim Oceânico até o Terminal Alvorada. Motivos são vários: o metrô tem uma capacidade de carregamento muito maior do que os ônibus BRTs; o metrô, apesar de mais caro, certamente é o sistema ideal para suprimir a demanda atual de passageiros e viagens, e comportar um gradual aumento dessa demanda pelos próximos 30 anos; o metrô é um transporte limpo e não poluente, diferentemente dos ônibus movidos a diesel do BRT.

Soma-se a isso o fato de que a implantação do BRT no canteiro central da Avenida das Américas demandará o fim da ciclovia existente, além de provocar a retirada de dezenas de árvores para implantação das 6 ou 7 estações que existirão neste trecho.

Tenho tentado mobilizar a população da cidade para ampliar a discussão sobre esse projeto. Apesar da publicação do edital, acredito que ainda há tempo de revertermos essa decisão e fazermos a escolha que quase todos os engenheiros e técnicos em sistema de transportes apontam ser o metrô a melhor opção.

Verdade também que o projeto de extensão da linha 4 do metrô é muito mais caro que os 94 milhões de reais destinados ao lote zero do BRT Transoeste, mas ainda que isso demande a necessidade de construção, não só da linha metroviária e suas estações, mas também de um centro de manutenção próximo a Avenida Raquel de Queiroz, a opção pelo metrô , como dito, é uma opção para os próximos 30 anos, quando nesse período, a Barra consolidará definitivamente, sua vocação de centralidade para o nosso município.

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