Foto: Rozana Lopes

O maquinista está pilotando um trem cheio de passageiros em velocidade e, de repente, algo bate no vidro do veículo, quebrando a estrutura. Imaginaram o susto? Pois é. Ele é muito mais comum do que parece no Rio de Janeiro graças a uma antiga e perigosa prática: o “tiro ao alvo” a trens.

Foto: Rozana Lopes

Pessoas (crianças e adultos) descem nos trilhos e jogam pedras ou outros objetos nos trens, quando eles passam. Ou fazem isso de cima de viadutos, passarelas. Os alvos são os para-brisas dos trens, o vidro que está à frente do maquinista.

“Para que a SuperVia substitua um para-brisa, é necessário que o trem fique na oficina por pelo menos dois dias, período que poderia estar fazendo o transporte de milhares de passageiros. Em 2020, a SuperVia gastou R$ 844 mil só com reparos em para-brisas vandalizados. Desde 2018, a SuperVia vem gradativamente substituindo os para-brisas de vidro por para-brisas de policarbonato, que são 10 vezes mais resistentes a impactos. A segurança operacional, dos seus colaboradores e clientes é um valor inegociável da SuperVia. A concessionária faz campanhas periódicas e conta com a colaboração da população para que ajude a combater essa prática histórica de vandalismo nos trens, que servem aos moradores de 12 municípios do Estado do Rio de Janeiro”, explica a Supervia.

No dia 17 de janeiro de 2019, um maquinista foi atingido por estilhaços de vidro de um para-brisa danificado por um objeto arremessado contra o trem. O caso ocorreu por volta das 20h, em uma composição que estava saindo da estação Augusto Vasconcelos, seguindo para Santa Cruz (ramal Santa Cruz).

O funcionário sofreu ferimentos superficiais no olho direito e precisou interromper imediatamente a viagem na estação seguinte (Campo Grande). Os passageiros fizeram transferência para outra composição e seguiram viagem. O trem atingido foi levado para a oficina. Após atendimento médico especializado, o maquinista foi liberado para voltar ao trabalho.

“Eu estava na velocidade máxima naquele trecho quando avistei duas pessoas na linha, de repente veio a pedrada. A 80 km/h, o impacto provocou um barulho muito alto. Os estilhaços vieram na minha visão e não consegui enxergar mais nada. Outro maquinista que estava comigo assumiu o controle do trem e encerrou a viagem em Campo Grande. Consegui tirar do olho um pedaço grande de vidro, mas ardia tanto que achei que tivesse afetado minha visão. Depois o médico retirou mais um pedaço de vidro e constatou que a visão não foi prejudicada, graças a Deus. Não sei nem como descrever um vandalismo como esse. Uma pessoa que joga pedra em direção ao maquinista não pensa que pode me ferir, eu posso desmaiar, que pode até acontecer uma tragédia com os mais de 2 mil passageiros do trem”, alerta o funcionário, que há nove anos trabalha na SuperVia, sendo quatro anos como maquinista.

O problema, antigo, se repete há anos. Em outubro de 2017, um maquinista conduzia um trem de Saracuruna até Gramacho e precisou parar a composição a poucos metros da estação Gramacho após avistar objetos na linha férrea. Ao descer na via para retirar os obstáculos, o condutor foi atingido por várias pedras arremessadas por um grupo de quatro crianças que estavam indevidamente na linha. Mesmo com um ferimento no supercílio, o maquinista retornou ao trem e conseguiu concluir a viagem.  O para-brisa da composição também foi danificado.

A SuperVia chegou a promover, também em 2017, na Central do Brasil, uma exposição de para-brisas de trens vandalizados. A ação teve como objetivo mostrar aos passageiros o prejuízo que atos de vandalismo causam às viagens de trem e ao investimento que a empresa tem feito no sistema ferroviário.

A pessoa que atira pedras e outros objetos contra o trem comete crime previsto nos artigos 163 e 260 do Código Penal Brasileiro, e está sujeita a pena de 3 a 15 anos de prisão e multa.

4 COMENTÁRIOS

  1. O lado triste da cidade maravilhosa.
    Várias estações do BRT – varias LInhas como a TransCarioca – estão completamente destruídas (algumas até foram incendiadas)- geralmente próximas de favelas e comunidades, prejudicando a própria população local.
    Um povo sem educação.

  2. A Supervia poderia instalar grades de ferro, a exemplo das utilizadas nos carros blindados da polícia, além de equipar os maquinistas com E.P.I.s (óculos de proteção).

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