Tribunal de Contas aponta sobrepreço de R$ 21 milhões em licitação para obras em Nova Friburgo

Auditores do TCU calcularam que parte do projeto do Governo do RJ para a região ficou 130% mais cara; as obras nas encostas em Nova Friburgo estão sendo prometidas desde 2011, quando ocorreu uma tragedia que deixou mais de 450 mortos

Carro fica pendurado após deslizamento de terra em Nova Friburgo, em 14 de janeiro — Foto: Marcos de Paula/Agência Estado

Um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou sobrepreço de R$ 21 milhões na licitação para obras de contenção de encostas em Nova Friburgo, prometidas desde a tragédia de 2011, que deixou mais de 450 mortos na cidade, no bairro Vila Nova.

A licitação foi suspensa pelo Governo do Rio de Janeiro e, dez anos depois, o processo terá que recomeçar do zero.

A GloboNews esteve no local e acordo com a apuração, o morro atingido já foi coberto pela vegetação, mas imóveis condenados pela defesa civil não foram demolidos e ainda podem ser um risco para a segurança.

O TCU calculou que parte do projeto para o bairro Vila Nova ficou 130% mais cara, ou seja, mais que o dobro do que deveria ser. O relatório final da auditoria afirma que as estimativas dos preços dessa licitação estão acima dos valores referenciais indicados nos sistemas oficiais do governo federal.

O Tribunal de Contas também apontou falhas no projeto básico e até no cronograma de execução das obras. Diante das irregularidades encontradas, a Secretaria estadual de Obras suspendeu o processo de contratação da empresa vencedora da licitação.

Ainda de acordo com TCU, não é só o bairro de Vila Nova que sofre com o descaso e falta de obras, a auditoria descobriu que, do que foi prometido para nove regiões de Nova Friburgo com recursos federais, só 12% das obras foram feitas.

A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Obras do Rio de Janeiro informou, ao GloboNews, que as obras de drenagem e contenção de encostas no bairro Vila Nova só foram licitadas agora porque dependem da aprovação da Caixa Econômica Federal e do Ministério do Desenvolvimento Regional. E acrescentou que está respondendo aos questionamentos do TCU, e que “há diferenças entre apropriação e composição de itens que causaram essa interpretação de sobrepreço”. A secretaria ainda informou que todas as obras acordadas com a união foram entregues ou estão em andamento.

A redação do GloboNews também procurou a Caixa Econômica Federal e o Ministério do Desenvolvimento Regional, citados pela secretaria, mas não teve retorno até a publicação desta reportagem.

Advertisement

Comente

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui