Túnel Marcello Alencar - Foto: Reprodução/Internet

Esta quarta-feira (11/09) é importante para a Zona Portuária do Rio de Janeiro. Isso porque a data marca o prazo final dado pela Concessionária Porto Novo na operação dos túneis Marcello Alencar e Rio450. Os 2 cruzam os bairros do Centro, Gamboa, Saúde e Santo Cristo, localizados na região do Porto Maravilha.

No último dia 26/08, a concessionária, por meio de nota oficial, disse que, por motivos de falta de pagamento, iria transferir a operação dos túneis para a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), empresa administrada pela Prefeitura.

Segundo informações do site Diário do Porto, a Cdurp disse que ”a operação dos túneis Rio450 e Marcello Alencar é um serviço essencial à população, e a Prefeitura do Rio, via Cdurp, negocia a solução com a Concessionária Porto Novo”. Já a concessionária, preferiu não se manifestar.

De acordo com fontes que acompanham a crise de perto, a solução depende da quitação das dívidas vencidas, não bastando somente promessas, pois a concessionária não teria mais condições de continuar pagando as despesas sem receber.

A operação dos túneis envolve procedimentos ininterruptos e melindrosos, com o trabalho de mais de 60 pessoas por 24 horas em todos os dias da semana. Uma das rotinas verificadas com rigidez é o funcionamento e manutenção do sistema que impede o alagamento das galerias.

Túnel Rio450 – Foto: Reprodução/Internet

No Túnel Marcello Alencar, existem 4 bombas para o escoamento de uma cisterna que armazena 401 mil litros de água, o equivalente a 40 caminhões pipa (de 10 mil litros cada). Com 3.382m em sua galeria de maior tamanho, é considerado o maior túnel subterrâneo do país, atingindo 43m de profundidade, ao lado da Baía de Guanabara. Além dessas 4 bombas, há mais 9 sob outros pontos do projeto de revitalização: 5 na Praça Mauá e 4 no antigo mergulhão da Praça XV.

Em junho de 2018, também por falta de pagamento, a Porto Novo já havia devolvido outros serviços para a Cdurp, como, entre outros, os de limpeza e iluminação urbana, controle de tráfego, coleta de lixo domiciliar, manutenção e conservação de ruas, calçadas e monumentos. Frequentadores da região, principalmente da Praça Mauá, têm reclamado da ausência de luz nos postes.

A transferência dos serviços da concessionária para a Cdurp aflige empresas que apostaram no Porto Maravilha nos últimos anos. Em realizada com os principais investidores da área recentemente, houve manifestação também de aflição pelo fechamento do Museu do Amanhã e Museu de Arte do Rio (MAR), além da possibilidade de paralisação do VLT. Todas essas questões dependem de decisões da Prefeitura.

O dever da Caixa

Por trás da tensa situação entre a concessionária e a Cdurp, está a Caixa Econômica Federal, responsável pela venda de títulos imobiliários da região do Porto Maravilha para custear novas obras e a preservação de tudo o que já foi feito.

Há 2 anos, a Caixa parou de fazer transferências para a Cdurp, alegando que não há recursos nos fundos imobiliários do Porto que ela administra, o que teria sido causado pela crise do país. A recessão é real, mas também foi ampliada pelo pouco engajamento da própria Caixa com o sucesso do projeto. A instituição, mesmo tendo imóveis na área do Porto Maravilha, chegou a transferir parte de seus escritórios para outra região do Centro, decisão que só está sendo parcialmente avaliada agora.

Na última semana, Tarquínio Almeida, novo presidente da Cdurp, foi a Brasília para reuniões em busca de soluções com a diretoria da Caixa. Todavia, ainda não se sabe os resultados.

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