‘Turismo é tão importante que é suprapartidário’, diz Otávio Leite

Foto: LUCIO BERNARDO JR

Otávio Leite, do PSDB, já foi deputado federal, vice-prefeito, deputado estadual e vereador, sempre pela cidade e estado do Rio. Atualmente, ele é secretário estadual de turismo. Em entrevista ao Diário do Rio, Otávio Leite comentou temas pertinentes à pasta que ocupa.

De fala moderada e disposto ao diálogo Otávio Leite conversou com a reportagem do Diário do Rio na semana que marca o dia nacional do turismo, 8 de maio.

Entre as questões da pauta estão o cassino na cidade no Rio, transporte hidroviário e ferroviário no estado, apoio estadual ao turismo na capital e em municípios do interior, entre outros assuntos.

Diário do Rio – Secretário, em sua análise, quais os maiores desafios para fazer o turismo voltar a crescer na cidade do Rio de Janeiro?
Otávio Leite – O principal desafio é melhorar os índices de Segurança Pública. O que, na realidade, vem sendo alcançado. Afinal, os números dos primeiros quatros meses do Governo Witzel, em comparação ao mesmo período do exercício de 2018, já demonstram avanços significativos. Além disso, estamos cuidando de articular um programa de divulgação do produto Rio de Janeiro e dos potenciais dos municípios do interior em nível nacional e internacional. Implantamos ainda, o “Rumo ao Rio” que tem como finalidade a captação de eventos, congresso, feiras e seminários.

DDR – Na Secretária Estadual de Turismo existe algum plano, em parceria com a Municipal, para fazer com que a cidade do Rio alcance grandes picos de turistas o ano todo, como ocorre durante o fim do ano e no carnaval?
OL – A Secretaria tem obrigação de se aproximar e trabalhar em conjunto com todos os municípios, independente dos partidos de liderança. Nosso objetivo é deixar claro que o turismo é tão importante para o desenvolvimento local que é suprapartidário.

DDR – Falando do Estado do Rio, foi divulgado pelo TCE que somente 25 dos 92 municípios do RJ têm centros de informações turísticas. Há projeto para mudar isso?
OL – Em breve teremos um encontro com todos os secretários de turismo dos municípios. Será um seminário de parceria com TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro), justamente para chamar a atenção sobre a importância dos municípios organizarem seus conselhos e planos diretores de turismo. Afinal, este nível de postura administrativa mais evoluída, permite que os próprios administradores municipais acessem as linhas de crédito e tenham propostas bem nítidas do que é prioritário para a geração de emprego e renda, que é a grande vocação do setor turístico.

DDR – Quais as propostas para intensificar o turismo em todo o estado do Rio, uma vez que temos regiões belíssimas pouco visitadas?
OL – Temos nos aproximado de todas as prefeituras, ajudando na divulgação dos produtos e destinos turísticos. O próximo passo é organizar um grande Salão de Turismo, que consistirá na vinda das cidades do interior à capital para mostrar seus atrativos ao mercado consumidor presente no Rio, que poderá assim, programar as suas férias, já adquirindo pacotes de viagens.

DDR – O Secretário acredita que a construção de um cassino no centro do Rio, na Região Portuária, como vem sendo ventilado, seria bom para o turismo em todo o Estado do Rio?
OL – A autorização para o funcionamento de cassinos é um tema que já está maduro. Eu sou a favor, a questão é dimensionar. Acredito que o Brasil deve viver esta experiência, até para sentir e identificar o tamanho da demanda. Eu começaria com ao menos cinco cassinos no país e no mínimo um no Rio de Janeiro.

DDR – Qual sua opinião sobre a isenção de vistos para turistas americanos, japoneses e australianos?
OL – Trabalhei ao lado do trade turístico durante 20 anos para podermos flexibilizar a exigência de vistos. Uma medida corajosa, relevante e que pode trazer muitos resultados. No entanto, para que isso aconteça é fundamental que os americanos saibam da novidade que esta ferramenta traz em termos de facilitar a sua vinda ao Brasil, sem burocracias. É necessário se organizar uma boa campanha no mercado norte-americano para que mais pessoas saibam desta importante medida.

DDR – Recentemente, nós, do Diário do Rio, publicamos uma matéria sobre o trem turístico Rio-Minas, que está prestes a começar a funcionar. O Secretário acredita que o transporte ferroviário, para fins turísticos, seria bom para o Rio de Janeiro? Existe algum plano para o setor?
OL – De fato, o trem turístico traduz um atrativo formidável que estimula as pessoas a consumirem este produto turístico. Uma vez implantado, vamos cuidar de badalar a “boa nova”. No mais, há alguns trechos do Rio de Janeiro que estamos cuidando de tentar encontrar caminhos a fim que se viabilize a recuperação.

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DDR – E sobre o transporte hidroviário no Estado do Rio, qual a opinião do Secretário? De acordo com um estudo da Firjan, com a implantação do transporte hidroviário, a redução na extensão diária dos congestionamentos chegaria a 84,1 quilômetros, e a diminuição no custo anual causado pelo tempo perdido no trânsito, em especial durante a distribuição de cargas e pela perda de produtividade dos trabalhadores, seria de R$ 11,2 bilhões.
OL -Também considero que o Rio aproveita muito mal o seu potencial hidroviário. Sobre tudo, no que diz respeito à Baía de Guanabara, ao lado disso é impressionante não termos um produto de turismo náutico em dimensões maiores. Hoje são muito residuais. Sei que não é uma medida simples, afinal, demanda investimentos elevados que requerem demandas em escalas maiores. No entanto, estamos estudando um caminho que permita concessionar uma linha de turismo náutico.

DDR – A violência ainda é um problema para o turismo no Rio de Janeiro?
OL – Segurança e turismo caminham juntos, aqui e em qualquer parte do Brasil ou do mundo. Logo, a prioridade é, exatamente, avançarmos nos eixos turísticos da cidade e do estado. E assim, avançarmos na melhoria dos índices de segurança.

DDR – Para fechar, quais as principais metas da Secretaria para esse mandato?
OL – A principal meta é garantir o Programa de Promoção do Rio de Janeiro nos mercados nacional e internacional. Além de estimular o turismo doméstico nos municípios fluminenses.

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