Na esquina da Avenida Atlântica com a Barão de Ipanema, uma língua negra mancha a areia da praia de Copacabana. O rastro escuro se encontra há semanas no local. E a solução para o problema parece distante. Mas não deveria.



 

Copacabana já sofre há anos com isso. Contudo, a língua negra na praia mais famosa do Rio de Janeiro costuma aparecer próxima à Rua Santa Clara.

Mancha da Santa Clara sendo tratada

A nova língua negra se formou após as fortes chuvas que destruíram a cidade do Rio de Janeiro, causando muitos danos – alguns deles que poderiam ter sido evitados se houvesse maior trabalho de prevenção da prefeitura.

“Essa língua nova que se formou em Copacabana lembra Bangladesh. Está destruindo um dos cartões postais da cidade. Isso é inadmissível acontecer. A prefeitura precisa tomar previdências urgentemente”, afirma Claudio Castro, presidente da Associação dos Embaixadores do Turismo do Rio.

A língua negra que fica próxima à Rua Santa Clara vem recebendo a ação de tratores da prefeitura. Por outro lado, a que se encontra na Avenida Atlântica com a Barão de Ipanema segue ignorada pelo poder público.

O problema é um resultado da péssima situação do saneamento básico do Rio de Janeiro. As estruturas e métodos ultrapassados utilizados para o tratamento de esgoto no Rio quando se deparam com situações menos cotidianas, como fortes chuvas, a tendência é não suportar.



“Todo o esgoto da Zona Sul, das favelas e do asfalto, é jogado no Emissário Submarino de Ipanema e como é um material antigo, com pouca manutenção, quando ocorrem fortes chuvas, por exemplo, a tendência é esse equipamento ficar sobrecarregado e acontecer esses vazamentos nas praias”, conta Sérgio Ricardo, do Movimento Baía Viva.

Sergio destaca, ainda, que há uma controvérsia sobre quais as áreas são saneadas no Rio. Ele cita o livro Baía de Guanabara: descaso e resistência, do jornalista Emanuel Alencar, no qual ele colaborou com depoimentos e que aborda o assunto. A Cedae considera que toda Zona Sul é saneada, mas, como o esgoto da região é lançado para o Emissário Submarino de Ipanema e despejado in natura em alto mar não dá para falar em total saneamento.

A Cedae garante que 60% do esgoto do Rio de Janeiro é tratado. No entanto, considerando esse ponto do esgoto do Emissário de Ipanema e de toda Zona Sul, consequentemente, ser despejado no mar e outras questões, estudiosos do tema afirmam que apenas 35% do esgoto do Rio é tratado.

O Plano Diretor Urbano Integrado, que está sendo debatido na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), estima que 70% da população fluminense não tem acesso ao saneamento básico, com tratamento de esgoto, não só coleta.

Enquanto isso, a língua negra segue manchando um dos cartões postais da cidade – um dos locais mais visitados do mundo. Até quando a prefeitura vai deixar isso acontecer? Já passou da hora de, ao menos, tentar resolver.

1 COMENTÁRIO

  1. Isso merecia a prisão do governador e do secretário municipal de saneamento junto com o presidente da CEDAE. Quer saber? Essa companhia devia ser privatizada mesmo! Quem sabe o governo não coloca como exigência obrigações para o grupo que adquiri-la…

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