Foto: Uerj

A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), por meio de um grupo de docentes da Faculdade de Formação de Professores (FFP), desenvolveu um aplicativo para monitoramento de ecossistemas aquáticos. O aplicativo VigIA, une Inteligência Artificial, interatividade e consciência cidadã para auxiliar o mapeamento e a preservação de ecossistemas aquáticos, com ênfase no estudo dos peixes.

O projeto foi contemplado em 2020 em chamada pública do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e foi desenvolvido como uma plataforma gamificada (que utiliza técnicas de jogos), onde os usuários compartilham fotos dos ambientes aquáticos de suas regiões e preenchem um questionário simples, com as informações colhidas empiricamente. Após o envio, os dados são avaliados pela comissão formada por professores e alunos da FFP, que validam a postagem no app.

O aplicado possibilita a integração dos alunos e professores da educação básica na produção científica, conscientizando sobre a necessidade de preservação dos rios, riachos e lagos, principais fontes de água doce. A plataforma foi construída com elementos de jogos para gerar interação e engajamento. Durante a utilização do aplicativo, o usuário é incentivado a explorar, fotografar e aprender com o processo. De forma bem intuitiva, o aplicativo permite registrar as ocorrências, com fotos e preenchimento das informações do ambiente em questão. Feito isso, os dados são avaliados, aprovados e ficam disponíveis para acesso, como em uma rede social. 

Um dos elementos mais marcantes na plataforma é a obtenção de pontos pelo usuário ao registrar ocorrências, que caracteriza o formato gamificado. A pontuação gera um ranking e um saudável ambiente competitivo, em que o maior prêmio é mesmo a produção científica colaborativa. Para tornar a participação ainda mais interessante, futuramente serão adicionadas medalhas e conquistas.

Segundo a professora Hellen Beiral, que coordena o projeto, os dados coletados servirão de base para o desenvolvimento de pesquisas e possíveis parcerias com órgãos como o Ibama e o ICMBio, além de representantes das áreas de proteção ambiental.

“Temos interesse em entrar em contato com prefeituras dessas regiões e outros órgãos competentes. A ideia principal é divulgar as nossas pesquisas, os dados que estamos colhendo e os relatórios elaborados, para que o usuário tenha isso em tempo real”, diz a docente.

Os professores envolvidos na iniciativa identificaram que suas diferentes áreas de atuação possuíam algo em comum: a água. Esse recorte baseou a elaboração do projeto pela convergência das especialidades de cada pesquisador, como bioquímica, biologia marinha, microbiologia, zoologia, divulgação científica e estudos de peixes de água doce. Assim, surgiu a proposta de realizar duas contrapartidas, um evento na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de 2020 e o desenvolvimento do aplicativo VigIA, agora em 2021. 

A princípio, a coleta de informações seria feita pelos pesquisadores, com a participação dos estudantes da educação básica na alimentação do banco de dados e no próprio desenvolvimento do aplicativo. Entretanto, o agravamento da pandemia e a necessidade de distanciamento social inviabilizaram esse formato. 

“A saída foi criar o aplicativo a partir de um sistema em que a pessoa fotografa o ecossistema aquático e responde algumas perguntas. E aí entra em cena o georreferenciamento, registrando precisamente onde a foto foi tirada”, explica a coordenadora.

Hellen Beiral destaca também os problemas ligados aos ecossistemas aquáticos que motivaram a criação do aplicativo VigIA.

“Os rios estão extremamente ameaçados, não só no nosso estado, mas também em Minas Gerais e São Paulo, principalmente por conta da industrialização, da construção civil, entre outras questões socioeconômicas. O principal impacto que buscamos é conscientizar a população sobre a importância da preservação da água doce dos nossos rios”.

O aplicativo já está disponível para download em aparelhos Android ou pode ser acessado diretamente pelo navegador de internet. Para mais informações sobre basta acessar o site. Além disso, é possível assistir a live de lançamento no YouTube.

 

Costa do mar, do Rio, Carioca, da Zona Sul à Oeste, litorânea e pisciana. Como peixe nos meandros da cidade, circulante, aspirante à justiça - advogada, engajada, jornalista aspirante. Do tantã das avenidas, dos blocos de carnaval à força de transformação da política acreditando na informação como salvaguarda de um novo tempo: sonhadora ansiosa por fazer-valer!

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