UFRJ realiza ações contra varíola dos macacos

A abordagem da Universidade seguirá rigorosamente as normas de biossegurança e incluirá avaliação médica, coleta de material biológico para diagnóstico e orientação clínica

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) diante da situação da varíola dos macacos está tendo ações para ajudar a população. Entre as ações estão: criar um grupo de trabalho dedicado ao tema;  implementar o protocolo de diagnóstico laboratorial; estabelecer a logística de acolhimento, triagem, diagnóstico e orientação de casos suspeitos e contactantes; além de estruturar o sistema de vigilância genômica.

O atendimento será realizado em instalações do Núcleo de Enfrentamento e Estudos em Doenças Infecciosas Emergentes e Reemergentes (Needier), no Polo de Biotecnologia da Universidade, desde que haja um agendamento prévio com a equipe do núcleo.

“A meta é atender os casos suspeitos e contactantes, sejam eles referenciados por outras instituições de saúde ou demanda espontânea. Também está previsto o recebimento de material de casos suspeitos encaminhados de outras instituições de saúde para a confirmação laboratorial do diagnóstico”, afirma Terezinha Castiñeiras, coordenadora do Needier e professora da Faculdade de Medicina.

Mesmo o mundo continuando em alerta por conta da pandemia da covid-19, agora outra doença viral vem surgindo.  Presente em mais de 20 países, a varíola dos macacos, doença similar à varíola humana tem como epicentro na Europa. A UFRJ, para monitorar a doença, prepara uma série de ações junto com o Needier.

Segundo a plataforma Our World in Data, da Universidade de Oxford, 435 casos já foram confirmados no mundo. Além de outros 149 em análise. No momento atual há dois casos suspeitos no Brasil, mas nenhum no Rio de Janeiro. 

“O Rio de Janeiro é uma cidade de portas abertas com grande fluxo de viajantes internacionais. É razoável admitir que seja apenas uma questão de tempo. A pandemia de covid-19 trouxe à tona nossa vulnerabilidade global. Não existem mais fronteiras geográficas para o movimento de humanos, nem de patógenos”, afirma Castiñeiras.

O vírus, mais brando do que a varíola humana erradicada pela vacinação em 1980, foi descoberto no continente africano em 1958 e já teve surtos anteriores. A fonte da disseminação atual, entretanto, ainda não pôde ser definida. Embora tenha sido identificada entre macacos, pesquisas atuais apontam que o principal elo com os humanos seja a partir de roedores selvagens infectados.

Inflamações espalhadas pelo corpo, principalmente pela face e nos membros é a manifestação mais característica da doença. A professora do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF) Clarissa Damaso, explica que por volta de 14 dias de incubação, febre, dores musculares, fadiga e dores de cabeça compõem o quadro sintomático inicial. Logo após, os gânglios podem ficar inchados e as lesões na pele começam a se manifestar. A infecção costuma durar entre três e quatro semanas. 

Os principais sintomas da varíola dos macacos. São eles: febre, fadiga, dor de cabeça, dor no corpo, gânglios inchados e pústulas.

A fase das inflamações é considerada a mais contagiosa, em virtude que o líquido presente nas lesões possui uma grande quantidade de vírus, porém a infecção também pode ser transmitida por gotículas.

Essa forma de contágio é mais difícil, porque precisa de bastante proximidade para atingir outro indivíduo, diferente da covid-19. Na varíola dos macacos, outra forma importante de contaminação é por meio de roupas, lençóis e toalhas usados pelas pessoas que estão infectadas.

Clarissa Damaso diz que não é momento para pânico e que a situação atual é diferente do início do Sars-CoV-2. A vacina amplamente utilizada para o combate da varíola humana é eficaz contra esse vírus, podendo ser fabricada novamente em larga escala e utilizada, principalmente, em indivíduos que tiveram contato com casos suspeitos e confirmados. Ademais, a ciência também já conhece medicamentos que são capazes de combater o vírus de maneira segura e eficaz.

A professora também explica que o atendimento para casos de covid-19 continua. Com a taxa de contágio aumentando, é importante monitorar a transmissão ativa e detectar precocemente o aparecimento de novas variantes. “É fundamental ter em mente que essa pandemia ainda não acabou”, conclui.

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