Museu da Geodiversidade da UFRJ recebe o terceiro maior meteorito do Brasil (Foto: Divulgação)

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) recebe nesta quinta-feira (12/08) o terceiro maior meteorito do Brasil a partir das 10h30, ao Museu de Geodiversidade na Cidade Universitária. Adquirida por meio de um movimento colaborativo para arrecadar doações, a rocha ficará em exposição ao público, principalmente pesquisadores e estudantes. O meteorito tem por volta de 4,5 bilhões de anos e caiu no planeta há supostamente mais de mil anos, tendo sido descoberto em uma fazenda de Campinorte – a 300 quilômetros de Goiás.

O custo total para aquisição, logística de transporte e preparação do espaço no Museu de Geociências ficou próximo de R$ 365 mil, e a maior contribuição foi realizada pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), que doou R$ 350 mil.

A descoberta do meteorito foi reconhecida pelo Meteoritical Bulletin (n.° 99), em 2011, não havendo outro semelhante em todo o mundo. Composto basicamente por metais (ferro-níquel), como os já conhecidos Bendegó e Santa Luzia, o meteorito foi submetido a análises parciais – 20 gramas que já estão depositadas na UFRJ e 80 gramas cedidas à Universidade de Alberta, no Canadá.

De acordo com Maria Elizabeth Zucolotto, astrônoma do Museu Nacional/UFRJ, a Universidade terá os três maiores meteoritos encontrados no Brasil. “Eles são fragmentos de corpos extraterrestres – no caso, asteroides. Milhões de dólares são gastos para enviar sondas ao espaço e coletar amostras desse material, a exemplo da sonda Hayabusa, que recolheu poucas gramas do asteroide Itokawa. Sem quase custos em comparação, podemos estudar os corpos asteroidais e entender a formação e a evolução do sistema solar”, disse a professora.

O meteorito é diferente de todos os outros existentes no mundo, sendo classificado como “não grupado” (ungrouped), e, segundo a astrônoma, de grande relevância científica. “Nunca um meteorito com essa classificação foi devidamente estudado, e é uma peça de atração para museu devido ao seu tamanho”, disse Zucolloto.

Para o diretor do Instituto de Geociências da UFRJ, Edson Farias Mello, “uma amostra de uma dessas espécies é de suma importância, até porque somos uma das partes da UFRJ que estuda o planeta. Os meteoritos guardam a memória dos instantes iniciais da formação da Terra. Isso porque são materiais originados no mesmo instante em que o planeta surgiu, conforme aceito pela Teoria do Big Bang. Ao contrário dos materiais terrestres, que sofreram muitas transformações desde sua formação, eles se mantêm inalterados. Por isso, fornecem com exatidão a idade da Terra”.

Participaram do movimento colaborativo a Fundação Coppetec, o Museu de Geodiversidade, a Casa da Ciência da UFRJ, pesquisadores do Museu Nacional e diversas pessoas físicas que adotaram a ideia de ter o meteorito na UFRJ. “Nosso objetivo foi trazer um importante patrimônio natural brasileiro que desejamos que continue em nosso país e seja um elemento para o avanço da educação em ciências”, afirmou o presidente da Coppetec, Fernando Peregrino.

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