Foto: Edifício Vista Guanabara, divulgação

Estatísticas fornecidas pelos Cartórios de Registro de Imóveis demonstraram que o número de registros de compra e venda de imóveis no Rio de Janeiro subiu 9,2% no acumulado de janeiro a novembro de 2019 em comparação com o mesmo período de 2018. Este resultado alentador para o mercado de imóveis carioca se demonstrou numa pesquisa realizada com dados oficiais destes cartórios, e também revelou que São Paulo teve aumento de 9,7% no número de unidades comercializadas.

Estatísticas não levam em conta instrumentos particulares

De acordo com analistas do mercado, mesmo estes bons resultados podem não levar em conta todo o avanço do mercado imobiliário no último. Em alguns casos, quando um imóvel é vendido, é assinado um documento particular entre as partes que muitas vezes não vai a registro, estando fora da estatística. Nem toda transação de compra e venda vai a registro imediatamente, e as que são feitas de maneira informal, por vezes acabam nem mesmo indo a registro. De acordo com André Toledo, da Block Imóveis, a maioria das vendas de imóveis usados no Rio de Janeiro é feita por meio de escrituras públicas que vão imediatamente a registro.

O total de registros feitos em cartório de compra e venda de imóveis no Rio foi de 46.635 em 2018, ante 50.470 em 2019. Em 2012, no momento mais glorioso do mercado em décadas, o número de registros chegou a 64.454. Os números atuais animam o mercado imobiliário do Rio, pois estão relativamente próximos dos melhores resultados já obtidos na cidade

Fatores que afetam o setor

Informações oficiais da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) demonstram que a contínua queda de juros, a diminuição do estoque de imóveis das construtoras, e uma melhor confiança no setor de construção civil demonstram que 2020 deverá ser um bom ano para compra e investimento imóveis. Isto sem contar as novas facilidades que os departamentos de crédito imobiliário dos bancos estão começando a implantar.

O mercado imobiliário, assim como outros setores ligados ao mercado interno, está entre as maiores apostas de analistas para um bom desempenho na bolsa de valores, neste ano e no próximo. Inclusive, várias incorporadoras já anunciaram que vão abrir capital na bolsa (a estreia é conhecida como IPO, sigla em inglês). Parece que a gestão das empresas do setor melhorou, um aprendizado que decorre do ocaso de gigantes como a PDG, que quebrou, não sem antes criar problemas para muitos compradores de imóveis.

Imóveis Novos

Com 5 mil metros quadrados, Edifício Palácio Vigia, na Rua da Quitanda, nº 80, está disponível para locação pela Sérgio Castro Imóveis; local já sediou a Universidade Gama Filho e Companhia Estadual de Habitação – Foto: Divulgação

Não são apenas as estatísticas e informações de coxia que trazem ares auspiciosos para as construtoras e imobiliárias cariocas. A própria realidade recente do mercado tem servido de luz no fim do túnel para o setor. Grandes sucessos de vendas como o empreendimento Highlight, do Banco Opportunity, em Botafogo (a ser erguido num terreno em frente ao Shopping Rio Sul que era da Santa Casa de Misericórdia, e que havia sido vendido à Odebrecht anos atrás, e ficado “encalhado” por vários anos), e o Ícono Parque (empreendimento da SIG ), no Flamengo (subindo também em outro terreno vazio, este há décadas), além do retumbante e inesperado sucesso do Rio by YOO, da Cyrela, no Morro da Viúva, que teve apartamentos vendidos a preço de Ipanema e Leblon. A Concal teve também grande sucesso na venda do prédio que ergue na Rua Aristides Espínola, onde era o antigo restaurante Antiquarius.

Imóveis Usados

E se as notícias são boas no mercado de imóveis novos, não parece ser muito diferente no mercado de imóveis usados. Gigantes adormecidos como a tradicional imobiliária Sergio Castro, estão abrindo novas frentes de negócio e fazendo mais e mais novas contratações. A imobiliária tradicional do Centro do Rio abriu três novas filiais, e anunciou planos de abrir mais três, e tem apostado forte em publicidade.

Lucy Dobbin ( Foto: Gabriel Subtil )
Lucy Dobbin ( Foto: Gabriel Subtil )

Para Lucy Dobbin, superintendente de vendas da empresa, o último trimestre de 2019 já havia apresentado excelentes resultados e “incríveis aumentos no número de unidades vendidas, inclusive em dezembro, quando os números não costumam ser tão impactantes para o mercado imobiliário, em função das festas de fim de ano”. Lucy cita aumento de 70% nas consultas de clientes, principalmente via anúncios de classificados, que segundo ela, voltaram a dar grande resultado.

“Somos atualmente a empresa que mais anuncia no mercado imobiliário do Rio de Janeiro e tivemos precisamente um aumento de 28% no número de negócios fechados. Tudo isso comprova a tese de que o momento ainda é ótimo para compra, mas a tendência é de que este aquecimento na procura e nos fechamentos acabe por impulsionar também o valor de venda dos imóveis, que ainda se encontra estável. Portanto, a última oportunidade de comprar barato é esta, seja para investir ou residir“, pontuou a executiva de vendas, que tem mais de 30 anos de atuação no mercado.

Segundo André Toledo, da Block Imóveis, o “melhor negócio da cidade é comprar imóveis usados”, o que se justificaria pelas novas facilidades para financiamento destes imóveis, assim como a estabilidade do seu preço. Dobbin, da Sergio Castro, adiciona que “um imóvel usado localizado exatamente ao lado de um novo lançamento, com o mesmo tamanho, e com a mesma vista, chega a custar 50% do preço do lançamento, com a vantagem de já estar pronto e de não haver risco algum na sua aquisição”.

É lógico que todo corretor quer puxar brasa pra sua sardinha, mas a verdade é que os dados cartoriais que embasaram a pesquisa são oficiais e são uma demonstração de força do segmento imobiliário. Da mesma forma, nota-se na cidade que a repentina negociação de diversos imóveis que pareciam “caveira de burro” está ocorrendo.

Nestes últimos 2 meses, segundo levantou o DIÁRIO, diversos “imóveis encalhados” foram vendidos, como é o caso do enorme Solar dos Abacaxis, no Cosme Velho, o velho Armazém São Joaquim, em Santa Teresa, o grande terreno baldio da Rua da Matriz, em Botafogo, que segundo o Jornal O Globo vai virar uma Escola, a antiga casa da Avenida Vieira Souto que era sempre alugada para restaurantes, as Casas Gêmeas, há anos abandonadas, onde morou Jacob do Bandolim, na Lapa e diversos outros. O antigo e enorme prédio do Sistema Globo de Rádio, na Rua do Russel, também foi vendido.

Morar no Centro

A temporada de lançamentos imobiliários já começou este ano, impulsionada grandemente pelo sentimento de morar perto do trabalho. Dois lançamentos no Centro do Rio estão sendo muito bem sucedidos. Um na Rua das Marrecas, o “Hub”, está com excelente movimento, segundo os empreendedores. E o “Send” na Rua Senador Dantas, vai pelo mesmo caminho. Diversas outras incorporadoras, inclusive a internacional Tishman Speyer, estão com lançamentos programados de unidades compactas para a região central da cidade, apostando na modernidade, nos jovens consumidores, e nos que se utilizam mais de transporte público e Uber do que de automóveis próprios.

1 COMENTÁRIO

Comente

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui