Foto: Reprodução/Internet

Os vereadores Dr. Marcos Paulo (PSol) e Chico Alencar (PSol), que fazem parte da Frente Parlamentar contra a Fome, da Câmara de Vereadores do Rio, vistoriaram nesta sexta-feira o prédio onde funcionava o Restaurante Popular de Madureira. Fechada desde 2016, a unidade está em ruínas e se transformou em abrigo improvisado para a população em situação de rua da região.

Um levantamento do gabinete do vereador Dr. Marcos Paulo , que é presidente da Frente, revelou que o orçamento de 2021 da Prefeitura do Rio foi aprovado, no fim de 2020, com um recurso de R$ 4.2 milhões para a reabertura do Restaurante. Apesar do agravamento da fome na cidade, durante a vistoria os parlamentares constataram que não há nenhum sinal de obras para a retomada das atividades no local. Assim como também não há em outros cinco restaurantes populares que eram administrados pela prefeitura na Central, Cidade de Deus, Irajá, Madureira e Méier.

A deputada federal Clarissa Garotinho (Pros), inclusive, teve aprovada uma emenda parlamentar exclusivamente para os restaurantes populares, fundados por seu pai Anthony Garotinho, quando este era governador do Estado. O total da emenda é de R$ 5 milhões e uma das principais pautas de Clarissa.

Prefeitura cortou verba de restaurantes populares

Os dados levantados mostram também que a Prefeitura reduziu, em janeiro deste ano, o orçamento previsto para manutenção dos três únicos Restaurantes Populares que ainda funcionam na cidade. As unidades de Bonsucesso, Campo Grande e Bangu, todas administradas pelo município, deixarão de receber R$ 2,2 milhões em 2021. Sem este montante, a Prefeitura deixará de servir 495.668 refeições só neste ano.

É inadmissível que diante da situação em que vive o Rio de Janeiro atualmente, com mais de sete mil pessoas em situação de rua, segundo o Censo realizado pela própria Prefeitura, só tenhamos três, dos oito restaurantes populares em funcionamento. Nosso mandato já enviou um requerimento de informação e vamos convocar os representantes da Prefeitura para um debate em que eles terão que nos explicar qual é o cronograma de reabertura dessas unidades. Os restaurantes populares precisam ser reabertos — ressalta o vereador Dr. Marcos Paulo.

Para o vereador Chico Alencar, a reabertura dos restaurantes populares é urgente.

 – A reabertura dos restaurantes populares é fundamental para combater a fome, a pobreza e a carestia no Rio. Nosso mandato aprovou a lei 6.961/2021, criando um programa emergencial de combate à fome na cidade durante a pandemia, que inclui a revitalização dos restaurantes populares, mas até agora a lei não foi implementada pela Prefeitura. A fome não espera, é urgente que a lei saia do papel para a realidade concreta das pessoas– concluiu o parlamentar.

Cronologia do fechamento dos Restaurantes Populares no Rio de Janeiro

  • Até o ano de 2016, no município do Rio de Janeiro havia 8 restaurantes populares em funcionamento, mas devido a crise financeira, o governo do Estado parou de pagar os fornecedores, culminando no fechamento das unidades
  • Em 2017, com o início do processo de municipalização dos restaurantes, a Prefeitura garantiu o funcionamento das unidades de Bangu, Bonsucesso e Campo Grande. Todavia, os restaurantes da Central do Brasil, Cidade de Deus, Irajá, Madureira e Méier continuam fechados até hoje
  • Em 2018, a Prefeitura do Rio anunciou a abertura de uma licitação para a reforma da unidade de Madureira, mas o processo não foi concluído
  • O orçamento de 2021, aprovado na Câmara no final do ano passado, destina R$ 4,2 milhões para a reforma do restaurante de Madureira, mas até o momento nenhum valor foi empenhado para dar início à obra
  • Além disso, em janeiro deste ano, por meio de decreto, o prefeito Eduardo Paes cortou R$ 2,2 milhões dos recursos, que estavam aprovados no orçamento para a manutenção dos 3 restaurantes que estão em funcionamento. Isso significa que 495.668 refeições deixarão de ser servidas em 2021.

NOTA DA PREFEITURA DO RIO

A Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria de Trabalho e Renda, esclarece que o prédio que serviria como sede do restaurante popular de Madureira pertence ao governo do Estado do Rio de Janeiro. 

Para isso, foram captados recursos federais, no montante de R $4,2 milhões, por meio da Caixa Econômica, condicionados à cessão do espaço para a Prefeitura do Rio, pelo prazo de 20 anos. O governo estadual quis realizar a cessão pelo período de quatro anos, o que foi recusado pelo banco federal

Neste sentido, esclarecemos que esses recursos não foram liberados para a Prefeitura. É importante lembrar que se trata de recurso com destinação específica (carimbado) para obra de recuperação daquele imóvel em Madureira, que pertence ao governo do Estado

Informamos ainda que o orçamento previsto na gestão anterior, e que está em execução, levou em conta a baixa demanda no período da pandemia. Em 2020 o consumo foi 24,31% menor que em 2019. Em 2021 a procura caiu ainda mais. De janeiro a agosto foram servidas 649.410 refeições, 22,35% a menos que no mesmo período de 2020.
Reforçamos que o total do orçamento disponível para os restaurantes em 2021 será suficiente para custear toda a despesa, mesmo que a demanda volte aos patamares de 2019, ano de maior consumo na série histórica dos Restaurantes Populares

1 COMENTÁRIO

  1. Noooossa! Chico Alencar em Madureira? Alguém o levou lá, sem dúvidas!! E provavelmente bateu os sapatos e tomou banho de álcool quando voltou ao Leblon. O PSOL mais fala do que faz, diz que ama o povão mas o despreza: tem pautas desconexas com as necessidades prementes do povão.

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