Viaduto do Gasômetro e o Profeta Gentileza

Viaduto do Gasômetro e o Profeta Gentileza

18 de novembro de 2018 0 Por Felipe Lucena
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Também conhecido como Viaduto do Caju, essa via margeia os bairros do Caju e de São Cristóvão. O Viaduto tem quase 2 km de extensão, mas o que faz viajar mesmo é o que se encontra embaixo dele: as clássicas pinturas feitas pelo Profeta Gentileza.

O Viaduto do Gasômetro ganhou esse nome porque passa ao lado de onde ficava o Gasômetro de São Cristóvão, inaugurado em 1911, e que teve as atividades encerradas no início dos anos 2000, por conta da popularização do gás natural.


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Outro fator que ajudou a contribuir para o fechamento de Gasômetro de São Cristóvão foram as constantes preocupações com explosões e eventuais incêndios de grandes proporções, que inclusive poderiam ameaçar o Viaduto e quem estivesse passando por ele”, frisa a pesquisadora Clara Rocha.

Em 1968 aconteceu o caso mais famoso de ameaça de explosão. O Brigadeiro da Aeronáutica, João Paulo Burnier, durante a ditadura militar, elaborou um plano secreto de ações (entre elas a explosão do Gasômetro) para culpar movimentos de esquerda. A ideia, que ficou famosa como “Caso Para-Sar”, vazou e não foi posta em prática.

Viaduto em 1978

Já em 1995, outro medo de incêndio grave. Após a explosão de instalações navais da ilha do Boqueirão, na Baía de Guanabara, ocorreu um intenso debate sobre uma possível mudança de local do Gasômetro. Contudo, não houve alteração de lugar.

Esse Viaduto é mundialmente conhecido por conta das escrituras do Profeta Gentileza, pintadas nas estruturas inferiores da construção.

José Datrino, o Profeta Gentileza, nasceu em 1917 e morreu em 1996. Em dezembro de 1961, muito mexido após o incêndio que ocorreu no Gran Circus Norte-Americano, em Niterói, quando morreram mais de 500 pessoas, Gentileza passou a espalhar com mais intensidade seus ideais por onde passava.

As escrituras, pintadas nas pilastras inferiores do Viaduto do Gasômetro, foram feitas nos anos 1980. São 56 murais, feitos por Gentileza e que recebem constantes manutenções devido a ações de vândalos, além do desgaste natural causado pelo tempo.

Desde sempre, o Rio de Janeiro sofre com problemas antigos. Os incêndios voltaram a ser uma triste rotina. Contudo, as ideias de Gentileza se mantém firmes, esperando dias melhores.

Felipe Lucena é jornalista, roteirista e escritor. Filho de nordestinos, nasceu e foi criado na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Apesar da distância, sempre foi (e pretende continuar sendo) um assíduo frequentador das mais diversas regiões da Cidade Maravilhosa.


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