Polícia é acionada e festas de 'folia clandestina' acabam em confusão no RJ

O prefeito Eduardo Paes mandou avisar que não irá tolerar festas clandestinas durante o feriado de Carnaval do Rio e que as pessoas que comprarem ingressos ficarão no prejuízo. Embora tenha sido enfático em sua fala, ao que parece, Paes terá muito trabalho para coibir os eventos clandestinos na Capital Fluminense, mesmo com os festejos carnavalescos tendo sendo proibido pelo Poder Público em função da pandemia da Covid-19.

Isso porque, os organizadores dessas festas que estão vetadas de acontecerem estão utilizando o aplicativos de mensagens, como WhatsApp e o Telegram, para fugir da fiscalização feita pela prefeitura. Em diversos grupos no aplicativo, são divulgados flyers, valores de ingressos, informações sobre datas e horários e até serviço de bar de várias aglomerações marcadas para serem realizadas entre os dias 14 e 16 da próxima semana.

Contudo, para não serem descobertos, os donos só anunciam o local dos eventos poucas horas antes de começarem. A prefeitura conseguiu identificar e interditar vários dessas festas, mas alguns escapam do radar da gestão municipal.

Os promotores fazem contato com os clientes e os organizadores, não só fazendo chats para divulgar os eventos como também recebendo o pagamento das entradas por meio de transferências bancarias, pix e aplicativos como o picpay.

Evento clandestino ‘confirmado’ para o carnaval Foto: Reprodução

Atualmente, o Rio é um dos municípios brasileiros com mais mortes pela Covid-19. São quase 18 mil óbitos e mais de 194 mil casos da doença, segundo o último boletim da Secretaria Municipal de Saúde.

Festa clandestina marcada para o período do carnaval no Rio: ‘local não definido’ Foto: Reprodução

Festa clandestina tem camarote vendido por R$ 10 mil

Segundo informou o Jornal O Globo, uma das festas marcadas para acontecer nesta sexta-feira (12/02) é a Arerê, da Produtora Owl. A venda é feita por um link secreto no site Ingresso Certo — a página para comprar os ingressos não aparece ao ser buscada dentro da plataforma nem em sua relação oficial de eventos. O valor da entrada para mulheres é de R$ 200, mais taxas. Para os homens é mais caro, R$ 350. Na descrição, apenas diz que o lugar do evento ainda não foi definido.

Uma outra festa, a Camarote Premiere, da Agência Gold, aparece na relação de eventos do site Ingresse, mas não consta o local A entrada já está no quinto lote e só há bilhetes disponíveis para homens. O preço é de R$ 500. No entanto, ainda é possível reservar um camarote no evento. Os valores: R$ 10 mil para um camarote de 15 pessoas; R$ 8 mil, para 12; e R$ 6 mil para 10.

O DIÁRIO DO RIO tentou contato com a Produtora Owl e Agência Gold, mas até a publicação desta reportagem, não obteve resposta.

Polícia Civil monitora organizadores de festas clandestinas por meio da internet

A Secretaria de Estado de Polícia Civil (SEPOL), por meio da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), informou que iniciou um trabalho de monitoramento de redes sociais de organizadores de festas clandestinas. O objetivo é coibir eventos e aglomerações, como ”raves” e “encontros pré-carnavalescos” irregulares, que estejam em desacordo com as normas sanitárias vigentes no período da pandemia.

As informações coletadas pela DRCI serão compartilhadas com a Secretaria Municipal de Ordem Pública (SEOP), que atua diretamente na fiscalização. De acordo com a Delegacia, vários eventos estão sendo monitorados e seus organizadores identificados. Eles vão responder pelos atos praticados.

Para coibir as festas e aglomerações, o titular da DRCI, delegado Pablo Sartori, já representou por medida cautelar judicial pedindo o bloqueio de contas dos organizadores e empresas envolvidas nos eventos. O objetivo é deter a atuação financeira das organizações desses eventos.

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