Foto: Renan Olaz/CMRJ

Na hora de fazer suas compras no mercado ou abastecer seu carro, você percebe que está pagando mais por menos produtos? Infelizmente, não é apenas uma impressão: viver no Brasil está cada vez mais caro.

A pandemia da COVID-19 aumentou o preço dos alimentos e outros itens básicos em todo mundo – e no Brasil não foi diferente. Vimos que os valores do arroz, feijão, carnes, combustíveis e até do pãozinho aumentaram de forma descontrolada. Isso porque, para além dos efeitos negativos trazidos pela crise na saúde, nossa economia vem sofrendo também com a má gestão do Governo Federal.

Apesar do aumento do custo de vida ser sentido por todos nós, a população mais pobre é a que mais sofre. Para quem vive em condições vulneráveis, qualquer aumento no custo de vida anula os ganhos de renda e das transferências dos programas sociais, perpetuando a pobreza.

Relatos recentes apontam, por exemplo, acidentes domésticos em famílias que passaram a utilizar álcool ou outro tipo de produto inflamável para cozinhar, tendo em vista o alto preço do gás. Há quem esteja usando até carvão como energia para cozimento! Em pleno século XXI, vivemos um retrocesso histórico.

Mais recentemente foi noticiado na imprensa que na Glória, bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro, um caminhão com restos de carne e ossos virou ponto de distribuição para pessoas que não tem mais condições de comprar carne para comer. Há famílias vivendo das sobras do supermercado!

BENETT, Um Brasil. Link: http://umbrasil.com/charges/charge-25-05-2020/

Isso é preocupante em diversas formas, pois, se uma área nobre da cidade está sendo o retrato de miséria, imagina como estão as localidades mais pobres! A Zona Oeste, que concentra a maior parte da população do Rio de Janeiro, possui os piores indicadores sociais de toda a cidade. Bairros como Santa Cruz, Inhoaíba, Cosmos, Senador Camará e Sepetiba apresentam os menores IDH’s (Índice de Desenvolvimento Humano) de todo o município – e esses dados são anteriores à pandemia!  

A meu ver, o governo poderia aliviar o sofrimento dos mais pobres com políticas pontuais, que promovam subsídios de alimentos para a população, com preços mais justos. Mas o que vejo é um Estado ausente, utilizando a receita “clássica” de aumentar os juros para diminuir a inflação.

Sem uma ação mais efetiva do Poder Público continuaremos à deriva, pois a lei do mercado – que tanto se defende! – só beneficia os mais ricos, enquanto os trabalhadores ficam cada vez mais pobres. Precisamos garantir que o direito de ter comida no prato seja minimamente assegurado, pois quem tem fome tem pressa!

Este é um artigo de Opinião e não reflete, necessariamente, a opinião do DIÁRIO DO RIO.

Vereador do Rio, economista e morador da Zona Oeste. É um dos criadores do coletivo Tudonumacoisasó, que já realizou mais de 10 projetos sociais na cidade e um dos fundadores do Movimento Inter-religioso da Zona Oeste (Mirzo).

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