Se tem algo mais típico da Barra da Tijuca do que seus shoppings e mega-condomínios, é a aparição frequente de jacarés pelas ruas do bairro. A cena, que já virou parte do cotidiano, segue assustando moradores, principalmente os que vivem perto das lagoas ou em áreas mais isoladas.
Só este ano, entre 1º de janeiro e a última semana, o Corpo de Bombeiros resgatou 12 jacarés vagando pela Barra. O número, no entanto, pode ser ainda maior: o Instituto Jacaré, que monitora a população da espécie jacaré-de-papo-amarelo há 24 anos, estima que até cinco jacarés sejam resgatados por semana em toda a região, que inclui também o Recreio, Jacarepaguá e as Vargens.

De rolé pela Barra
De acordo com especialistas, essa fuga para o asfalto tem dois grandes culpados: o avanço imobiliário sobre áreas nativas e o verão atípico deste ano, que trouxe um longo período de estiagem e deixou as lagoas mais secas. Com menos espaço e comida, os jacarés acabam se aventurando por lugares menos convencionais – como ruas, calçadas e até mesmo as praias.
Uma estimativa de 2023 do Instituto Jacaré aponta que existem cerca de 6 mil jacarés vivendo no complexo lagunar da Barra da Tijuca. Mas, com a urbanização avançando, essa população está em declínio.
Encontrou um jacaré? Segure a emoção!
Apesar do susto que o bicho pode dar, o jacaré-de-papo-amarelo não oferece risco às pessoas – desde que ninguém tente brincar de Domador de Répteis. A recomendação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima (Smac) é clara: mantenha distância e acione a Patrulha Ambiental pelo telefone 1746, da Prefeitura, ou o Corpo de Bombeiros.
Ou seja, se um jacaré aparecer na sua rua, nada de selfie ou tentativa de realocação por conta própria. Melhor deixar o resgate para os profissionais.