Quinta da Boa Vista e Maracanã

O Rio de Janeiro é uma das cidades que mais possui monumentos, lugares e ambientações históricas do Brasil. Cada esquina da Cidade Maravilhosa guarda um pouquinho da nossa trajetória enquanto sociedade, desde o Império até a República.

Da Zona Norte a Zona Sul, passando pela Zona Oeste e também pela região central da cidade, aprendemos um pouco mais sobre nós mesmos e construímos nossa identidade olhando para o passado, vivendo o presente e projetando o futuro.

Pensando nisso, o DIÁRIO DO RIO selecionou dez lugares históricos do Rio de Janeiro que todo carioca ou turista deve conhecer; confira abaixo:

CAIS DO VALONGO

Cais do Valongo (Foto: Wagner Tamanaha)

Principal porta de entrada de africanos escravizados no Brasil e nas Américas, o Cais do Valongo, localizado na Zona Portuária do Rio, recebeu perto de quatro milhões de escravos durante os mais de três séculos de duração do regime escravagista. Pelo Cais do Valongo, passaram cerca de um milhão de escravos em cerca de 40 anos, o que o tornou o maior porto receptor de escravos do mundo. Em 2017, ele passou a integrar a Lista do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

QUINTA DA BOA VISTA

Quinta da Boa Vista (Foto: Mario Howat)

Com cerca de 155 mil metros quadrados, a Quinta da Boa Vista é um dos maiores parques urbanos em solo carioca. Situado no bairro de São Cristóvão, na Zona Norte do Rio, foi a residência da Família Real Portuguesa entre 1808 a 1889, ano da Proclamação da República.

O espaço também abrigou por muitos anos o Jardim Zoológico do Rio, fundado em 1888, que encerrou as atividades recentemente dando lugar ao Bioparque. A Quinta também abriga o Museu Nacional, a instituição científica mais antiga do Brasil, que passa por uma reconstrução após ser atingido por um incêndio.

Recebeu esse nome, porque, na época da sua construção, no topo de uma colina, era possível ver a Baía de Guanabara. Logo, Quinta da Boa Vista. 

PAÇO IMPERIAL

Paço Imperial (Foto: Julio Pinon)

Localizado onde hoje fica a Praça XV de Novembro, no Centro do Rio, o Paço Imperial é um prédio histórico construído no século XVIII para ser residência dos governadores da Capitania do Rio de Janeiro. O local passou a ser a casa de despachos, sucessivamente, do Vice-Rei do Brasil, do Rei de Portugal Dom João VI e dos Imperadores do Brasil, sofrendo ampliações no século XIX.

Atualmente é um centro cultural. Pela sua importância histórica e estética, o Paço Imperial é considerado um dos mais importante dos edifícios civis coloniais do Brasil.

SÍTIO ROBERTO BURLE MARX

Sítio Roberto Burle Marx (Foto: Adriano Rodrigues)

Situado em Barra da Guaratiba, na Zona Oeste do Rio, o Sítio Roberto Burle Marx, que leva o nome de um dos principais paisagistas do século XX, reúne um dos mais importantes acervos de plantas vivas do mundo.

O sítio possui um grande laboratório de experimentações, com mais de 3.500 espécies de plantas tropicais e subtropicais que, organizadas em viveiros e jardins, convivem em harmonia com a vegetação nativa numa área de 405 mil metros quadrados, que inclui várias edificações, lagos, jardins, coleções de arte e uma vasta biblioteca.

Desde 1985, o Sítio é uma unidade especial vinculada ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), cumprindo o papel de preservar, pesquisar e divulgar a vida e a obra de Roberto Burle Marx.

PARQUE LAGE

Parque Lage (Foto: Ricardo Nascimento)

Originário de um antigo engenho de açúcar, o Parque Lage faz parte da memória histórica da cidade. Em 1957, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como patrimônio histórico e cultural da cidade do Rio de Janeiro.

Projetado em 1840 pelo paisagista inglês John Tyndale, o belíssimo jardim de estilo romântico europeu divide as atenções com a floresta nativa de Mata Atlântica. Destacam-se também as palmeiras imperiais, os lagos e ilhas artificiais, além das cavernas espalhadas pelo parque e os aquários incrustados nas paredes com diversos peixes. Muito procurado por famílias, especialmente nos finais de semana, o Parque Lage conta com boa estrutura para a diversão das crianças, com brinquedos e grande área ao ar livre. É muito comum a realização de piqueniques no parque.

RUA DO LAVRADIO

Rua do Lavradio (Foto: Riotur)

Trecho famoso da região da Lapa, a Rua do Lavradio é uma das mais encantadoras e visitadas do Rio de Janeiro, devido a sua famosa Feira do Rio Antigo, que acontece todo primeiro sábado de cada mês.

A via centenária, que abriga casarões históricos, bares, antiquários e casas de shows, oferece uma programação descontraída para quem quer conhecer a história da cidade e se divertir sem gastar muito.

Inaugurada em 1771, pelo Marquês do Lavradio, que assumiu o Vice-Reinado em 1769, “A Lavradio”, como muitos cariocas gostam de chamar, foi concebida com a ideia de fazer um atalho que servisse de caminho e passasse entre os Arcos da Lapa e o emergente Largo do Rocio (atual Praça Tiradentes).

CEMITÉRIO DE SÃO FRANSCISCO XAVIER

Cemitério de São Francisco Xavier (Foto: Ana Branco)

Esse é um local para se conhecer no Rio de Janeiro, de preferência vivo. Brincadeiras à parte, o Cemitério do Cajú, como é chamado popularmente o Cemitério de São Francisco Xavier, na Zona Norte do Rio, é um dos maiores do Brasil, sendo composto pelo Cemitério Comunal Israelita do Cajú, o Cemitério da Ordem Terceira do Carmo e o Cemitério da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência.

O Cemitério de São Francisco Xavier fazia divisa com a extinta praia de São Cristóvão, que desapareceu por conta de aterros consecutivos na região. O local era usado na época para sepultamentos de escravos, o que ocorreu até 1851, quando uma lei decretou a fundação dos cemitérios públicos de São João Batista e o São Francisco Xavier.

IGREJA NOSSA SENHORA DO BONSUCESSO

Igreja Nossa Senhora do Bonsucesso (Foto: Riotur)

Entre as muitas igrejas históricas que o Rio de Janeiro abriga, a Nossa Senhora do Bonsucesso é uma das mais emblemáticas. Situada no centro da cidade, no Largo da Misericórdia, próxima à rua Santa Luzia e à Praça Marechal Âncora, a igreja é derivada da antiga capela da irmandade da misericórdia, estabelecida na cidade nos primórdios da colonização.

A história da igreja remonta a construção da Capela da Misericórdia da cidade, em 1567. A igreja atual, porém, foi reconstruída em 1780 para integrar o complexo da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. Nos inícios do século XIX a fachada foi alterada e no interior foi acrescentada uma cúpula. O altar principal e os laterais são de feição rococó.

A igreja contém três retábulos e o púlpito da demolida Igreja de Santo Inácio do Colégio dos Jesuítas do Morro do Castelo, localizada no morro do Castelo. Estes elementos foram transferidos à Igreja do Bonsucesso após a demolição do morro, em 1922. Os retábulos são das maiores preciosidades artísticas do Rio de Janeiro: datados de cerca de 1620, são os únicos da cidade e dos poucos do Brasil esculpidos em estilo maneirista, anteriores ao barroco, que se conservam.

HANGAR DO ZEPPLIN

Hangar do Zepplin (Foto: Agência O Globo)

O chamado Hangar do Zeppelin localiza-se nas dependências da Base Aérea de Santa Cruz, na unidade da Força Aérea Brasileira, no bairro homônimo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Trata-se de um hangar, edificação de grandes dimensões destinada a abrigar os dirigíveis alemães conhecidos como zeppelin. Atualmente é um dos últimos e mais bem conservados hangares para dirigíveis existentes no mundo. É tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Em 1930, ocorreu a primeira viagem experimental entre a Alemanha e o Brasil com o Graf Zeppelin, que pousou no Campo dos Afonsos, bairro da Zona Oeste. Já em 1933, os alemães da empresa Luftschiffbau Zeppelin estiveram no Rio de Janeiro, capital do Brasil na época, para escolher o local mais apropriado para servir como campo de pouso e abrigo definitivo para os enormes dirigíveis.

Para tal função, foi escolhido um terreno de 80 mil m² pertencente ao Ministério da Agricultura, localizado no subúrbio de Santa Cruz, próximo à Baía de Sepetiba, na Zona Oeste. A escolha só se deu após serem levados em conta diversos aspectos como o clima, a direção e a velocidade dos ventos, e a possibilidade de locomoção por outros meios de transporte, ligando o bairro à cidade.

MESA DO IMPERADOR

Mesa do Imperador (Foto: Alexandre Moura)

Uma das atrações mais famosas da via da Vista Chinesa, um dos pontos turísticos queridinhos dos cariocas, a Mesa do Imperador, uma estrutura de pedra que aparenta o formato de uma mesa, era utilizada por nobres e burgueses para almoços campestres.

Além disso, ela recebia a visita de D. Pedro II, nos seus passeios à floresta. Com o passar do tempo se tornou parada obrigatória dos visitantes que buscam uma bela paisagem da cidade. A Mesa do Imperador fica no trecho que liga o Horto, na Zona Sul, ao Alto da Boa Vista, na Zona Norte. Muitos visitantes aproveitam a espaço da Mesa para fazer piqueniques.

3 COMENTÁRIOS

  1. Faltou o Beco das Garrafas, em Copacabana. Lugar histórico onde nasceu a Bossa Nova, e onde pela primeira vez foram apresentadas duas entre as cinco músicas mais tocadas no mundo em todos os tempos: Garota de Ipanema e Mais que nada.

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