40 anos de Sambódromo – Dez desfiles que marcaram a história da Sapucaí

São passagens de escolas que ficarão para sempre na memória dos foliões. Ganhando o título ou não. É bom para já irmos aquecendo os tamborins, afinal, Carnaval já vem chegando

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Imagem apenas ilustrativa | Foto: Divulgação/Riotur

Para começar mais esta matéria da série #40 anos de Sambódromo, é bom a gente frisar aqui que listas são sempre injustas. Impossível agradar a todos. Certamente, esse será mais um caso. Contudo, a reportagem do DIÁRIO DO RIO consultou especialistas em Carnaval e montou a seleção que você vai ler.

São dez desfiles que fizeram história no Sambódromo. Vencendo ou não o Carnaval. É bom para já irmos aquecendo os tamborins, afinal, os desfiles deste ano já estão chegando.

A lista não segue uma ordem hierárquica. Seguiremos dos desfiles mais antigos aos mais recentes. Vamos cruzar essa histórica avenida cheia de caminhos e encruzilhadas para viver e passar.

Portela, 1984 – Contos de Areia

O primeiro Carnaval realizado no Sambódromo da Marquês de Sapucaí (inaugurado no dia 2 de março de 1984, com o desfile do Grupo 1-B) foi dividido entre Portela e Mangueira. As duas agremiações terminaram campeãs. Os desfiles do Grupo 1-A foram separados em duas noites. Em cada noite, uma escola seria declarada vencedora. O desfile iniciado na noite de domingo foi vencido pela Portela, que conquistou seu 21.º título. A escola homenageou Paulo da Portela, Natal da Portela e Clara Nunes, associando-os, respectivamente, aos orixás Oraniã, Oxóssi, e Iansã. O enredo “Contos de Areia” foi desenvolvido pelos carnavalescos Edmundo Braga e Paulino Espírito Santo.

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Mocidade, 1985 – Ziriguidum 2001

O carnaval de 1985 foi o primeiro das escolas do Grupo 1-A sob administração da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (LIESA). Em um desfile histórico e futurista, a Mocidade Independente de Padre Miguel foi a campeã. A agremiação apresentou um Carnaval que projetava o ano de 2001. Tudo acontecendo no espaço sideral. O enredo “Ziriguidum 2001, Um Carnaval nas Estrelas” foi desenvolvido pelo carnavalesco Fernando Pinto, que conquistou seu segundo título. Também foi a segunda conquista da Mocidade.

Vila Isabel, 1988 – Kizomba, a festa da raça

O primeiro título da Unidos de Vila Isabel na elite do Carnaval carioca veio com um enredo cultuado até hoje em dia. O desfile foi sobre a cultura negra e o centenário da Abolição da Escravatura no Brasil, celebrado no mesmo ano. “Kizomba, Festa da Raça” foi desenvolvido pelo cantor e compositor Martinho da Vila e o desfile pelos carnavalescos Milton Siqueira, Paulo César Cardoso e Ilvamar Magalhães. O samba-enredo é de Luiz Carlos da Vila, Jonas Rodrigues e Rodolpho de Souza.

Beija-Flor, 1989 – Ratos e Urubus, larguem a minha fantasia

Outro desfile lembrado até hoje em dia como um dos maiores da história foi o da Beija-Flor em 1989. Esse Carnaval foi tão marcante que outra agremiação fez história. A Imperatriz Leopoldinense colocou na Avenida “Liberdade, Liberdade” e levou o título. Apesar de não ter sido campeã, a Beija cravou um acontecimento na cultura artística do país com ” Ratos e Urubus, larguem a minha fantasia”, do lendário carnavalesco Joãosinho Trinta.

Estácio de Sá, 1992 – Paulicéia Desvairada – 70 anos de Modernismo

Falando sobre o movimento modernista no Brasil e os setenta anos da Semana de Arte Moderna de 1922, a Estácio de Sá conquistou seu primeiro título do Carnaval carioca no ano de 1992. O enredo “Paulicéia Desvairada – 70 Anos de Modernismo no Brasil” foi desenvolvido pelos carnavalescos Mário Monteiro e Chico Spinoza. “No país da Tropicália tudo acaba em Carnaval”, canta o samba que levantou a torcida na Avenida.

Salgueiro, 1993 – Peguei Um Ita no Norte

Após 18 anos sem ganhar um Carnaval, a Acadêmicos do Salgueiro levou o título e o público ao delírio. Até quem não gosta de Carnaval conhece o refrão “Explode coração / Na maior felicidade / É lindo o meu Salgueiro / Contagiando, sacudindo essa cidade”. O enredo “Peguei Um Ita no Norte” é de autoria do carnavalesco Mário Borriello, baseado na música homônima de Dorival Caymmi. A passagem da escola pela Avenida foi, de fato, apoteótica.

Viradouro, 1998 – Orfeu, o Negro do Carnaval

Tentando ser bicampeã, a Viradouro, após vencer com Joãosinho Trinta no ano anterior em um desfile cheio de inovações (como a paradinha em ritmo de funk, executada pela bateria de Mestre Jorjão), não levou o título. Contudo, o Carnaval de 1998 ficou para sempre na memória dos foliões. Muita gente gritou “é campeã” quando a escola terminou de passar. Mesmo com a quinta colocação, a agremiação de Niterói eternizou um desfile e um refrão na história do Sambódromo: “Hoje o amor está no ar/ Vai conquistar seu coração/ Tristeza não tem fim/ Felicidade sim/ Sou Viradouro, sou paixão”.

Mangueira, 2002 – Brazil com Z é pra Cabra da Peste, Brasil com S é Nação do Nordeste

Por um décimo de diferença em relação à Beija-Flor, a Estação Primeira de Mangueira conquistou seu 18.º título de campeã do Carnaval carioca com um desfile sobre a Região Nordeste do Brasil. O enredo “Brazil com Z É pra Cabra da Peste, Brasil com S É Nação do Nordeste” foi desenvolvido pelo carnavalesco Max Lopes, que conquistou seu terceiro troféu na elite do Carnaval. A Mangueira invadiu a Avenida com uma passagem do tamanho que a agremiação merece.

Tijuca, 2010 – É Segredo!

O desfile de 2010 da Unidos da Tijuca consagrou o carnavalesco Paulo Barros na elite do Carnaval carioca. Foi o primeiro título dele e o segundo da escola, que havia vencido anteriormente no distante ano de 1936. O tema do enredo foi o segredo. A agremiação abordou os grandes mistérios da humanidade e da natureza, pessoas e personagens misteriosos, como os super-heróis, além de truques de mágica e ilusionismo. Uma curiosidade: o tema e o título do enredo foram sugeridos a Paulo através da rede social Orkut, por um então adolescente de quinze anos chamado Vinícius Conceição Ferraz.

Grande Rio, 2022 – Fala, Majeté! Sete Chaves de Exu 

A escola do município de Duque de Caxias levantou seu primeiro título do Carnaval carioca de forma memorável. O enredo assinado por Gabriel Haddad, Leonardo Bora e Vinícius Natal desmistificou a figura de Exu, apresentando aspectos do orixá/entidade reunidos em “sete chaves”. O desfile, inquestionável, terminou com gritos de “é campeão” por parte do público e elogios dos especialistas. Muita gente colocou a passagem da escola pela Avenida entre as melhores do século. A Acadêmicos do Grande Rio recebeu todos os principais prêmios de Carnaval, entre eles o Estandarte de Ouro de melhor escola. Muito merecido.

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1 COMENTÁRIO

  1. Tupinicópolis, 1987 – Moidade? A Magia da Sorte Chegou, 1992 – Viradouro. Este último foi hipnotizante. O desfile mais bonito que eu já vi. Estava lá.

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