Renata Souza exige do governo resposta urgente à crise na produção de alimentos

Em audiência pública, a deputada denunciou o desmonte dos órgãos públicos de combate à fome e à miséria

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Foto: Reprodução

Em audiência pública conduzida, nesta terça-feira (29/3), pela presidente da Comissão Especial de Enfrentamento à Miséria da Alerj, deputada Renata Souza (PSOL-RJ), a gerente técnica da Emater Christianne Mendonça admitiu desconhecer qualquer cronograma relacionado à liberação da verba referente às linhas de crédito para as famílias de produtores rurais atingidas pela recente tragédia das chuvas em Petrópolis, no Rio. Única representante do governo estadual presente, ela foi indagada por Renata sobre a promessa que havia sido feita pelo secretário estadual de Agricultura, Marcelo Queiroz, logo após os desabamentos ocorridos em Petrópolis, entre fevereiro e março.

O povo não se alimenta de promessas. É emergencial a situação das famílias em nosso estado que têm sido obrigadas a se virar com carcaças de animais e restos de comida catados no lixo. Enquanto isso, os latifundiários seguem lucrando em um país que tem mais bois do que gente”, desabafou Renata Souza, ao defender a reforma agrária como solução estrutural para o problema da fome e da miséria no Brasil. No Rio, as últimas chuvas torrenciais atingiran 7.300 famílias no estado e destruíram plantações em cerca de 14 mil hectares, num prejuízo de cerca de R$35 milhões.

Diante dos últimos desastres socioambientais e das suas consequências na produção agrícola, pretendemos com esta audiência acumular debate sobre os efeitos destes desastres na produção, distribuição e consumo de alimentos e consequentemente na segurança alimentar para conjuntamente pensarmos políticas públicas de combate à fome no estado do Rio de Janeiro”, explicou a parlamentar.

Na audiência “Desastres externos: impactos na produção de alimentos e na agricultura no estado do Rio de Janeiro”, a deputada se manifestou em defesa do investimento público em medidas emergenciais, como a expansão e fortalecimento de iniciativas como as Cozinhas Solidárias criadas em todo o país pelo MTST. “No Rio, tem sido significativo o impacto das cozinhas solidárias que conseguimos viabilizar com os R$ 20 milhões do edital da Fiocruz, medida tornada possível por meio de um projeto de lei da deputada Renata Souza”, lembrou Danilo Pereira, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

“Não reivindicamos só por nós, mas também pela população da cidade, que enfrenta a falta de alimentos ainda mais do que nós”, desabafou Ezequiel Conceição, da Federação dos Trabalhadores Rurais, Agricultoras e Agricultores Rurais do Estado do Rio de Janeiro (Fetagri-RJ).

Participaram também da audiência lideranças e militantes do Coletivo Terra, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e Movimentos dos Atingidos por Barragens (MAB), com as seguintes demandas emergenciais:

1) Equipe técnica que contabilize as perdas da produção das famílias;

2) Liberação imediata de seguro safra para famílias que perderam a produção;

3) Liberação de linha de crédito especial para as famílias voltarem a investir na produção;

4) Chamada pública emergencial para áreas afetadas no formato de um PAA modalidade doação simultânea para garantir comercialização da produção.

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