A boca é a porta de entrada de doenças diversas, alerta especialista

Cerca de 45% dos problemas cardíacos são devidos a cáries profundas, gengivas inflamadas, restos de dente e abcessos, aponta estudo do InCor

Dr. Newton Nogueira, especialista em odontologia sistêmica, identifica problemas orgânicos gerados a partir de disfunções dentais

Quando a saúde bucal está em jogo, o certo e o belo viram sinônimos de qualidade de vida. O cuidado com os dentes e a gengiva não contribui apenas para um sorriso mais bonito – tem papel decisivo no combate de enfermidades diversas. A boca pode ser a porta de entrada para dores de coluna e de ouvido, doenças cardiovasculares, úlcera, dificuldades respiratórias, diabetes e ansiedade, entre outros males.

É disso que trata a odontologia sistêmica, uma corrente da odontologia que analisa a relação entre a saúde bucal e do organismo como um todo, identificando problemas orgânicos gerados a partir de disfunções dentais. Segundo o especialista Newton Nogueira de Sá Junior, uma simples lesão na boca traz riscos de propagação de bactérias e microrganismos, que caem na corrente sanguínea e atingem diversos órgãos do corpo.

A função primordial da boca é a oxigenação, a nutrição celular, daí a importância do bom fechamento labial. A oxigenação ocorre quando o espaço funcional da boca é restabelecido. Quem tem o maxilar desencaixado, por exemplo, perde até 40% da capacidade de oxigenação, o que pode acarretar cansaço, indisposição e privação do sono. Na criança, pode ser ainda mais grave e comprometer o processo de crescimento”, alerta.

Nogueira é dono da Clínica Holodontia, com unidades de alto padrão em Ipanema e no Centro – esta última, inaugurada em 2021, na Rua da Assembleia 85 / 14º andar, tem seis salas distribuídas em 160 metros quadrados. A equipe formada por dez pessoas atua no tratamento de doenças respiratórias, digestivas e do sistema nervoso, por meio de aparelhos fixos, alinhadores, movimentação celular e ortopedia funcional dos maxilares. O tratamento completo pode demorar de seis meses a três anos, dependendo da complexidade do caso.

O primeiro passo, segundo Nogueira, é um diagnóstico correto. “A estética e a função do espaço da boca também podem ser alteradas quando o queixo está fora de posição. E nossa proposta é reorganizar o aparelho bucal por meio da ortodontia. Hoje há recursos avançados que devolvem a funcionalidade da boca”, acrescenta.

Na Holodontia, o uso de alinhadores e aparelhos removíveis ganha força nos tratamentos de correção dentária, combate ao ronco e à apneia, bem como algias e problemas na chamada articulação temporomandibular (ATM). A ortopedia funcional dos maxilares ajuda a prevenir e tratar essas anomalias pela reestruturação bucal, permitindo o equilíbrio da boca e a correta posição dos dentes.

É preciso cuidar para que as funções de mastigação e respiração estejam adequadas. Isto significa manter dentes, músculos e ATM em sintonia com a funcionalidade dos órgãos”, diz Nogueira.

Doenças cardíacas começam na boca

A falta de tratamento dentário adequado pode ter consequências graves que colocam em risco a vida do paciente. Cerca de 45% das doenças cardíacas têm início na boca, devido a cáries profundas, gengivas inflamadas, restos de dente e abcessos. A estatística faz parte de um estudo realizado em 2019 pelo Instituto do Coração (InCor). O mesmo levantamento aponta que 36% das mortes por problemas do coração têm origem dentária.

O estresse é outro problema grave relacionado aos dentes. ­Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que cerca de 90% da população mundial sofre com estresse – e o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking de países com pessoas estressadas, segundo a Associação Internacional do Controle do Estresse (ISMS). Não por acaso, esse grande vilão da sociedade moderna é chamado de “Mal do século”.

Uma pessoa estressada tem mais chances de ter sangramento de gengiva, cáries, bruxismo e DTMs (disfunção temporomandibular). “Quando o plano oclusal está alterado, a pessoa não consegue desestressar. O tratamento ortodôntico ajuda a corrigir esses planos, as rotações da boca”, observa o especalista.

Nogueira é autoridade no assunto: tem especialização em ortopedia funcional dos maxilares e foi presidente da Sociedade de Odontologia Sistêmica do Rio de Janeiro. Formado pela PUC de Campinas, fez pós-graduação no Centro Técnico Aeroespacial (CTA/ITA), em São José dos Campos. É autor de três livros na área de odontologia sistêmica, acumula ainda experiência como coordenador e professor de cursos de especialização e pós-graduação em Ortodontia e ortopedia funcional dos maxilares. Mora no Rio de Janeiro há 40 anos.

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