A (des)educação pelo ódio

O que se vê no Brasil de hoje é uma deseducação pela militarização, pelo ódio, pela grosseria. Inclusive pela cotidiana falta de educação como padrão! Tempos de indelicadeza

Foto: Reprodução Internet

Na véspera do Dia do Mestre – das professoras, dos professores – convém lembrar que gestos, símbolos e palavras fora do ambiente escolar também educam – ou deseducam.

O que se vê no Brasil de hoje é uma deseducação pela militarização, pelo ódio, pela grosseria. Inclusive pela cotidiana falta de educação como padrão! Tempos de indelicadeza.

Foi assim na Itália e na Alemanha, na primeira metade do século passado, com a ascensão do nazismo e do fascismo: donos da verdade fanatizados propagavam sua “fé” no armamentismo, num “patriotismo” raivoso e na eliminação do diferente.

Afirmavam, com violência, sua suposta superioridade moral e racial. Mentiam descaradamente, a ponto de convencer ingênuas multidões. Caminho para a barbárie.

Há sinais disso entre nós, aqui e agora, quando a PM do RJ, com aval do governador reeleito, faz, no Dia da Criança, uma “atividade lúdica” (!?!) com menininho(a)s. Pulando de um caveirão onde foram colocados, aos gritos de um superior (adulto), são orientados a marchar, com um fuzil (de brinquedo, supõe-se) na mão e fardas de combate. “Diversão” macabra!

No mesmo dia, uma “exposição” de armas de fogo e granadas era “oferecida” pelo Exército, a PM mineira e a Guarda Municipal de Uberaba. O evento “Tempo de brincar” (!?!) foi organizado pela prefeitura, e as crianças podiam tocar nos artefatos, colocados numa ampla mesa, à disposição dos pequenos. Militares explicavam como elas eram acionadas.

No Brasil, de 2019 para cá, graças a decretos do governo federal, o porte de arma de fogo por colecionadores, atiradores “esportivos” e caçadores (CACs) aumentou 800%!

Não é estranha a essa deseducação pela brutalidade a ação de bolsonaristas, também no dia 12, na basílica de Nossa Senhora Aparecida. Eles, berrando, hostilizando jornalistas, pessoas vestidas da cor vermelha e vaiando o arcebispo – quando este, no seu sermão, falou no combate à fome e na exploração eleitoreira da fé – revelaram um “espírito” perverso, sem espiritualidade, levando ódio onde os fiéis buscavam bençãos, amor e compaixão.

Profanadores da fé alheia!

Está em curso no Brasil um processo de fascistização, inclusive alimentado por fake news. É dever de toda cidadã e cidadão de bem, sob a liderança de quem educa, alertar e dizer NÃO!

No dia 30, exerça seu voto consciente, e diga NÃO a todos esses disparates!

graduado em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Mestre em Educação pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e doutorando pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Chico Alencar tem mais de 30 de atuação na política institucional. Foi deputado federal por quatro legislaturas (2003 a 2019), deputado estadual (1999 a 2003) e voltou a ser vereador em 2021
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1 COMENTÁRIO

  1. Lamento deputado, mas se a opção para fardas e armas (poderia ter se informado se era simulação ou material real, mas não interessa informar, certo?) são eventos culturais de crianças levadas pelas mães para interagir com artistas nús prefiro a primeira opção. o resto nem merece reparo

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