Advogado André Almeida é acusado de usar copeira como laranja em empresas e offshores de doleiro

Se fosse mesmo a titular das empresas, a Copeira teria recebido nada menos que 122 milhões de reais.

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André Almeida / Crédito: Almeida Advogados

O advogado e ex-ciclista profissional, André de Almeida Rodrigues, conhecido por perseguir pedaladas fiscais, como no caso do “Petrolão” e atualmente da Americanas, está no centro de ações na Justiça movidas por uma ex-copeira, segundo o blog O Bastidor, que teve acesso com exclusividade ao teor do processo judicial. Sildenisia Ferraz de Lima, que trabalhou no escritório de advocacia Almeida Advogados, por 16 anos, afirma ter sido usada como laranja pelo advogado em 46 empresas e offshores pertencentes ao doleiro Lúcio Bolonha Funaro. Investigações da Operação Lava Jato, e a colaboração premiada do próprio Funaro teriam revelado que tais empresas foram usadas para lavagem de dinheiro e pagamento de propina a políticos e servidores públicos.

De acordo com o blog, que teve acesso com exclusividade às ações impetradas por Sildenisia no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) e na Justiça do Trabalho do estado, a ex-copeira teria dito à Polícia que teria sido induzida a assinar procurações e documentos societários durante o tempo em que trabalhou no escritório de André Almeida, pessoa em quem ela confiava. Ainda de acordo com O Bastidor, Sildenisia teria dito desconhecer o conteúdo dos documentos, que eram apresentados pelo próprio advogado.

Sildenisia, segundo o portal de notícias paulista, só teria descoberto o golpe em 2017, quando a sua residência foi revistada pelas polícias Federal e Civil, por conta das investigações relacionadas às operações Lava Jato e Barão de Gatuno. Ainda segundo o blog, ela teria admitido o que sabia às autoridades, sendo posteriormente demitida do escritório por justa causa. A ex-funcionária anexou sua carteira de trabalho aos autos dos processos, para comprovar vínculo empregatício com a empresa, além de ter fornecido cópias de documentos da Receita Federal, nos quais é registrada como sócia ou ex-sócia das 46 empresas. À Justiça, a defesa Sildenisia argumentou que, se ela tivesse sido administradora ou sócia de todas essas empresas, ao longo de tantos anos, teria recebido um valor de aproximadamente 122 milhões de reais. A defesa pede indenização de 6 milhões de reais por danos morais; mais 452 mil reais, na Justiça do Trabalho.

No processo contra o ex-patrão, Sildenisia o acusa de usá-la “para dirigir manobras criminosas que interessavam ao Sr. Lúcio Funaro”, que foi apontado como operador do presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, em 2005. Dois anos antes, ele já tinha sido investigado no caso Banestado. Em 2016, o doleiro chegou a ser preso na operação Sepsis, desdobramento da Lava Jato. Funaro cumpriu pena em regime fechado e domiciliar, sob a acusação de ser operador junto com o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, naquele momento filiado ao MDB. Na ocasião, investigações da Polícia Federal comprovaram que ele seria operador financeiro de políticos filiado ao partido. Em 2017, o Supremo Tribunal Federal (STF) homologou o acordo de delação premiada do doleiro.

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O Bastidor reportou que, segundo a defesa de Sildenisia “o Sr. Lúcio Funaro é proprietário de fato de todo o grupo empresarial, tal fato é facilmente constatado da análise das suas próprias declarações prestadas na delação premiada pactuada com a Procuradoria Geral da República”.

A defesa da ex-copeira argumenta ainda que, até hoje, ela sofre os reflexos das acusações, respondendo a processos cíveis como devedora de valores milionárias. Uma de suas contas bancárias, por exemplo, teria sido bloqueada por uma dívida de R$ 20 milhões contraída por uma das empresas de Lúcio Funaro, sendo que ela só ganhava 3 mil reais mensais quando foi demitida por justa causa do escritório de André de Almeida, com quem tentou contato para “entender melhor o que estava acontecendo”. A defesa afirma que o ex-patrão não a atendeu. O mais interessante é que a copeira foi demitida por praticar os “atos de improbidade” imputados a Funaro e às tais empresas.

Enquanto isso, a André de Almeida brilha como advogado requisitado no mercado financeiro e em causas envolvendo grandes empresas, como a Americanas. O advogado está à frente de operações de aquisições e incorporações para grandes instituições bancárias, como Goldman Sachs e Barclays. Ele também está à frente de reestruturações, como a da Sadia. O advogado atuou ainda em ação coletiva contra a Petrobras, e casos relacionados à Oi.

O blog O Bastidor teria tentado contato com o advogado e o escritório Almeida Advogados, mas não obteve retorno. O veículo também teria tentado contato com advogado Guilherme de Carvalho Doval, que está à frente da defesa de André Almeira e Lúcio Funaro, mas não teve retorno. O blog não conseguiu contato com o doleiro Funaro.

As informações são do Blog O Bastidor.

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1 COMENTÁRIO

  1. A “vitima” tinha ciência sim de que assinava tais documentos, tal dispensa por justa causa foi resultante de tratamentos hostil para com os liderados por ela, pois exercia um cargo aonde pode se chamar de confiança, porém por carregar consigo a prepotência, soberba e falta de empatia por muitas vezes ultrapassava a linha tênue de respeito para com o próximo. A conivência com os atos que está ao meu ver tentando imputar, na minha visão tenta encobrir com uma cortina de fumaça comportamentos repugnantes da requerente.

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