Alberto Gallo: É possível transformar nossa cidade na ‘Riocelona’?

O Rio de Janeiro possui a vocação para ser o melhor destino global como Cidade Oceânica.  Mas há um longo percurso até nos equipararmos à Barcelona. Um caminho que exige uma postura intransigente com vícios do poder e corrupção

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O Rio de Janeiro possui a vocação para ser o melhor destino global como Cidade Oceânica, com turismo, negócios, atividade portuária, praias, centro audiovisual, eventos culturais e roteiro de peregrinação religioso e histórico.  Mas há um longo percurso até nos equipararmos à Barcelona, a vibrante capital da Catalunha e verdadeiro ícone do turismo europeu. Sua riqueza cultural, arquitetura deslumbrante e vida noturna animada atraem milhões de visitantes todos os anos. No entanto, a cidade não é apenas um destino turístico de renome, mas também um exemplo de como preservar o patrimônio histórico, promover a gastronomia local e desenvolver uma indústria de lazer sustentável, atividade portuária e cultural. O centro antigo de Barcelona, conhecido como Ciutat Vella, é um tesouro arquitetônico. Suas ruas estreitas e sinuosas abrigam edifícios medievais, igrejas góticas e palácios renascentistas. A cidade soube valorizar esse legado, implementando políticas de preservação e revitalização. Hoje, turistas e moradores desfrutam desse ambiente único, repleto de charme e história.  Além do patrimônio construído, Barcelona é famosa por suas praias urbanas, La Barceloneta, por exemplo, é um ponto de encontro vibrante, onde moradores e visitantes se reúnem para desfrutar do sol, da areia e das águas cristalinas do Mediterrâneo. A cidade soube harmonizar a vida urbana com a presença das praias, criando espaços públicos acolhedores e infraestrutura adequada.  Há muitas cidades com essas características, do urbano, costeiro, potencial cultural e histórico. Por exemplo, Miami, Cidade do Porto, Lisboa , Sidney, Seul e até Buenos Aires que é um porto pluvial. Mas somente o Rio agrega um sítio tropical com montanhas, florestas, praias maravilhosas e um povo gentil (será?) e hospitaleiro.

A “Cidade Maravilhosa“, possui um potencial imenso para se tornar a “Barcelona do Hemisfério Sul”, com suas praias icônicas, como Copacabana, Ipanema e Barra; urbanismo moderno da zona oeste, contrastando com a parte histórica da cidade, que foi a capital do Império.  O Rio já é um destino turístico de renome mundial, no entanto, enquanto nossa cidade recebe anualmente 2,3 milhões de turistas estrangeiros, a cidade catalã recebe quase 10 milhões de estrangeiros, sem considerar o turismo interno.  

Temos um longo caminho para consolidar o Rio, como uma referência de grande cidade oceânica e de um bom padrão de urbanismo para moradias, com qualidade de transporte e segurança para o cidadão. O Rio pode ser um destino atrativo para negócios e turismo, contando com potencial da indústria de petróleo, naval e hub de inovação. É necessário um planejamento cuidadoso e investimentos contínuos, por exemplo o centro histórico do Rio, com seus casarios coloniais e igrejas seculares, é um tesouro a ser preservado e valorizado. Assim como Barcelona, o Rio precisa implementar políticas efetivas de revitalização e conscientização da população sobre a importância desse patrimônio. Apenas com a preservação desses tesouros arquitetônicos, o Rio poderá oferecer uma experiência turística completa e autêntica, como um projeto de Peregrinação nas Igrejas Históricas, com um percurso que incluí o Santuário da Penha e do Cristo Redentor.  Um roteiro como este, se bem trabalhado, pelo pool hoteleiro, e autoridades públicas e eclesiais, pode transformar a cidade num destino equivalente a rota de Santiago de Compostela, também na Espanha.

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Muito bem-vinda também a iniciativa para o novo Parque do Porto, conforme o divulgado recente pelo atual prefeito, link em anexo e que juntamente com os programas Reviver Centro, Centro Cultural, Cais do Valongo e Revitalização da Estação Leopoldina, podem ser mecanismos de aceleração deste novo status do Rio como grande referencial de cidade urbana, cultural e histórica. Os movimentos acertados estão sendo construídos, mas há sempre o risco de desarticulação em função do jogo político.

Para que o Rio de Janeiro alcance seu pleno potencial, é preciso que iniciativa privada, gestores públicos e líderes se posicionem num pacto pela cidade.  Precisamos de atitudes voltadas para valores e integridade; de cortar radicalmente com as práticas de compadrio entre agentes públicos e privados, dos negócios escusos que favorecem a máfias, milicias, amigos e até em acordos com o crime organizado. É fundamental que os programas e investimentos sejam contínuos e duradouros e que tenham uma visão estratégica, além dos ciclos políticos de personalidades e partidos. A descontinuidade de projetos e a falta de planejamento a longo prazo têm sido os principais obstáculos para o desenvolvimento sustentável do turismo no Rio. É preciso blindar os projetos assertivos, para evitar que um novo mandatário desarticulo as propostas que signifiquem avanços.  E sim, novos mandatários vão ter muito espaço para promover melhorias, onde a administração municipal foi omissa, mas sem, contudo, destruir os legados e projetos em curso, sob pretexto de que são projetos de outros partidos/prefeitos. 

Podemos ser a Riocelona, melhor cidade banhada pelo mar em todo mundo.  Um destino para se viver e trabalhar, um centro de inovação, negócios, produção audiovisual, como a Hollywood /Bollywood dos trópicos. Um polo gastronômico internacional e com seu tempero local e com muita cultura, samba e eventos. Desenvolver o turismo histórico e religioso, além das atrações naturais e da infraestrutura urbana. Mas esse sonho não decola se as redes do poder não cortarem os laços com populismo patrimonialista, a corrupção e a malandragem.

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4 COMENTÁRIOS

  1. Não dá pra começar limpando o Passeio Público, Lapa e adjacências? Sujeira em todo lugar. Cheiro de urina e fezes. Mendigos em todo o lugar ( não existe uma política social municipal eficiente pra essa gente?). Os Arcos da Lapa com a cor branca desbotada! Até o caminho do VLT cheio de capim! Entra prefeito e sai prefeito e nenhum consegue ser eficiente na limpeza básica da cidade….o turista que chega com aquela imagem de beleza se decepciona. Muito triste isso…..

  2. Pena que diante de tanta consolidação, o povo é o que menos importa, inclusive o tão almejado turista. Tanto investimento que não consigo entender, os hospitais e escolas públicos cada dia pior, segurança nem se fala.

    Consolidar mesmo o quê?

  3. A deterioração do patrimônio histórico arquitetônico não é obra do acaso; é um projeto pensado e articulado entre grandes investidores privados (com seus famigerados fundos imobiliários) interferindo nas políticas públicas, através dos financiamentos dos partidos da direita e dos acordos corruptos com agentes do poder judiciário. A natureza “sacrossanta e intocável” da propriedade privada, garantida pelo aparato do Estado corrompido, permite anomalias do tipo: um imóvel de inegável relevância histórica é simplesmente abandonado e apodrece, pois o direito de seu dono privado e de seus herdeiros tem muito mais peso do que o interesse coletivo. Este mecanismo, replicado para qualquer tipo de imóvel, provoca uma escassez de unidades para atender à demanda pública tanto residencial quanto comercial. Neste momento, aqueles mesmos fundos imobiliários (famigerados) entram com suas construtoras, erguendo essas horrendas torres de concreto e vidro, a preços exorbitantes, dificultando o acesso a imóveis de qualidade. Esta lógica ocorre na cidade toda, mas alguns bairros, por razões econômicas e ideológicas, recebem mais investimentos em infraestrutura urbana, provocando uma corrida para eles e uma discrepância no preço dos imóveis, condenando o resto da cidade a virar um amontoado de gente vivendo precariamente.

    Enquanto o direito dos entes privados prevalecer sobre o interesse coletivo, não haverá solução e o caos tende a se agravar. Imóveis desocupados e ociosos precisam ser tomados pelo poder público para que atendam a uma necessidade real da coletividade, seja para fins residenciais ou comerciais. Os verdadeiros responsáveis por esse caos são todos aqueles que, direta ou indiretamente, defendem que o direito privado seja mais importante que o interesse público.

  4. Que mané Riocelona. Viralatismo cosntumaz que não nos permite evoluir.

    Toda vez que surge um Crivella, um Witzel, um Cláudio Castro o retrocesso e desmonte é movido a toque de caixa, de forma acelerada.

    É preciso ser muito prático e menos ideológico nessas horas.

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