Plásticos no lixão
Foto: Agência Livre

Bom, já é sabido que pode até ser eficaz criar obrigações ao empreendedor, mas que não costuma ser nem um pouco eficiente e raramente resolve o problema. Seres humanos seguem estímulos e não vai ser uma lei ineficiente que vai nos motivar a ser ecologicamente corretos.

Um caminho alternativo à interferência do Legislativo nessa questão seria criar uma rede de incentivos para que tornasse vantajoso ao empreendedor abandonar as sacolas convencionais, como o livre mercado já fez em redes de atacado, onde os próprios consumidores usam as caixas de papelão do estabelecimento para carregar suas compras até seus veículos. Quer coisa mais sustentável?

De que adianta demonizar as sacolinhas plásticas? Todos nós as reutilizamos de certa forma, estocando e depois reutilizando como saco de lixo. Agora, vão nos obrigar a comprar a mesma quantidade de plástico para servir de saco de lixo. Ora, o resultado da conta é o mesmo! Exceto pelo aumento de preço dos itens do mercado, devido à incerteza de cálculo de consumo de sacolas pelo consumidor a ser diluído na mercadoria (visto que é vedado o lucro), e que agora teremos de comprar as sacolinhas e também os sacos de lixo.

Infelizmente, tendemos a ter uma mentalidade medieval, onde a proibição e a penalização são preferidas em detrimento de estimular e premiar. Foi justamente o caminho do atraso que a Lei nº 8.006/18, aprovada na Alerj e que entrou em vigor no mês de junho deste ano, decidiu seguir. Agora, de qualquer forma, em nenhum dos casos o problema do descarte e destinação do plástico vai ser resolvido.

É evidente que temos dois problemas graves no Rio de Janeiro e no Brasil, que são a fraca (ou ausente) coleta seletiva e o mais grave de todos: o descarte.

Todos esses plásticos são descartados de forma completamente irresponsável, inclusive os que embalam todos os produtos que compramos, do saco do arroz ao saco plástico que, ironicamente, embala o rolo de saco de lixo que você vai ter que comprar para salvar o mundo, e as tartarugas, é claro.

Quando o lixo cumpre todo seu ciclo de descarte, coleta e destinação final, ele acaba em um dos aproximadamente 20 aterros sanitários distribuídos pelo Estado do Rio de Janeiro. Nenhum deles chega numa usina termoelétrica capaz de transformar lixo em eletricidade. Uma realidade que está prestes a mudar, com a primeira licença concedida no estado para usinas desse tipo e que será instalada no Caju, na Zona portuária da cidade do Rio.

Um outro dado importante sobre a destinação do lixo orgânico: além da precária coleta seletiva, no Brasil só existem 36 usinas de compostagem, enquanto nos Estados Unidos existem 5.749, e na Itália, 300. Uma reportagem do Jornal Hoje, da TV Globo, mostrou que a quantidade de lixo reciclado no Brasil é menos de 3%. A quantidade do plástico se torna irrelevante quando se dá a destinação correta: a reciclagem ou a incineração; mas, enquanto a coleta não é seletiva e todo o lixo coletado vai para o mesmo lixão, qualquer quantidade de plástico é nociva ao meio ambiente.

Segundo um artigo do Projeto Colabora, diferente do que se propaga sobre as novas sacolinhas, elas não são biodegradáveis. Na verdade, são tão nocivas ao meio ambiente quanto às anteriores. O artigo também indica que o problema vai continuar a existir e que a medida vai ser nula. Assim como é a “Lei dos Canudinhos”, que apenas incentivou o consumo de copos plásticos e de canudos de papel produzidos com colas tóxicas; infelizmente, a realidade é diferente daquela que pensam algumas pessoas que penduram suas ecobags no ombro e, com isso, acreditam estar salvando o mundo.

Aliada à inutilidade da medida, chama a atenção o fato de, no Brasil, somente ser capaz de produzir a resina das sacolinhas com o selo “I’m green”, a empresa Braskem, subsidiária da Odebrecht”. É isso que eu chamo de sustentabilidade conveniente. Os acionistas agradecem.

É um fato certo que a humanidade já possui todos os meios necessários para resolver a sua relação com o lixo, tanto é que países desenvolvidos já estão importando lixo, como é o caso da Suécia e Dinamarca. Enquanto isso, aqui no Brasil criamos mais uma obrigação para o empreendedor, mais um custo e dificuldade para o cidadão fluminense, e o pior: isso tudo para NADA.

4 COMENTÁRIOS

  1. Infelizmente, quando não se tem competência para administrar, cria-se proibições…
    Os administradores públicos, se existem, precisam desenvolver projetos coerentes de gestão do lixo, em função das características dos seus municípios.
    A maior ajuda que podem ter virá exatamente da população, que se bem orientada e estimulada é capaz de fazer o pior, porém, o mais valioso trabalho em todo o processo da reciclagem, qual seja a SELEÇÃO E LIMPEZA dos materiais.
    Quando uma cidade inteira seleciona e limpa seu descarte, todos ganham, inclusive a Prefeitura.
    Para que isto aconteça é necessário orientação e estímulo.
    A orientação deve ser detalhada, com explicações práticas sobre como fazê-lo, através de folhetos e reuniões com líderes de bairro.
    O estímulo pode vir sob a forma de descontos no IPTU ou conta de água a todos os que processarem convenientemente o seu lixo, antes do descarte.
    As prefeituras devem orientar aos comerciantes de plásticos de sua região a disponibilizar ao público sacos de cores distintas para material orgânico, plásticos, papel e metais, além de fazer coletas seletivas, com caminhões pintados com as cores correspondentes aos sacos de descarte.
    Afinal, este é o SONHO DOURADO de qualquer usina de reciclagem: receber gratuitamente toneladas de material pronto para reprocessamento.
    Em uma cidade de 300 mil habitantes, a quantidade diária de lixo pode chegar facilmente a MIL TONELADAS.
    Imagine então, o que poderia lucrar com lixo selecionado e limpo uma região como o Grande Rio.
    No entanto, é necessário trabalho, além de vontade política, e não imagino em nossos dirigentes do Executivo muito mais do que a cretinice e hipocrisia da proibição medíocre e inútil.

  2. Cara,
    esse é o nível dos nossos políticos(nível imbecil). O plástico não faz só mal para as tartarugas. Já pesquisou quanto microplastico estamos consumindo? Já pesquisou o quão contaminados estão nossos rios e lagos com microplástico, não só o plástico?

    É óbvio que temos que seguir os 3 r’s(reciclar, reutilizar e reduzir). Mas se temos opções a algo que fraz um mal coletivo e temos opções, temos que proibir o que faz o mal coletivo. Porque o empresário está CAGANDO para o bem da população, vai usar o mais barato, quase sempre.

    A parte que eu concordo é que o plástico deveria ser muito mais taxado e o produto biodegradável menos. Sim, a sacola é pouco mas é necessário, até visto o que fazemos com relação a reciclagem no nosso país.

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