Alexandre Knoploch: Crianças autistas precisam ser facilmente identificadas em locais públicos

Temos o dever de apoiar a luta das pessoas com síndromes ocultas com soluções concretas para problemas reais

Nesta semana, uma criança autista se perdeu em Niterói e, graças a guardas municipais que transitavam pelo local, foi devidamente acolhida e posteriormente identificada pela polícia. Trata-se de mais um caso de pessoa com transtorno não visível que se afasta dos responsáveis, expondo-se a uma série de perigos.

A primeira criança encontrada com a ajuda do Alerta Pri, como ficou conhecido o alerta de crianças desaparecidas por SMS, de 11 anos, é portadora de autismo. Não era a primeira vez que Isaque do Carmo Félix havia saído de casa sem o conhecimento dos seus pais. Ele foi encontrado, em março de 2021, no Centro do Rio, sem noção do perigo que corria nem da aflição que causava nos familiares.

Nos Estados Unidos, pesquisas estimam que metade das crianças autistas já fugiram de casa, levadas por um impulso que as impede de olhar para trás. Além disso, 25% dos pais declaram que o filho ficou desaparecido tempo suficiente para gerar grande preocupação. Tais desaparecimentos já causaram diversos acidentes. Uma criança autista sozinha nas ruas e sem supervisão corre alto risco de ser atropelada, por exemplo.

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) atinge dois milhões de pessoas no Brasil. Desse total, uma parte considerável não reponde quando chamados pelo nome. Imagine quantas pessoas correm risco de se perder, antes de ser identificada como autista e amparada.

Os autistas, assim como os portadores de deficiências ocultas, precisam de dispositivos gratuitos, assegurados pelo Estado, que permitam sua rápida identificação, especialmente das crianças. Um desses dispositivos é empregado em diversos países do mundo, o chamado cordão de girassol. Confeccionado com cores chamativas, torna possível não apenas o rápido reconhecimento do transtorno como um atendimento preferencial em locais como aeroportos, rodoviárias e supermercados.

Neste Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência, temos o dever de propor soluções concretas para os problemas reais da população vulnerável, que causam transtornos e até tragédias, a exemplo das fugas. Por isso, torço para que a Alerj aprove, o mais rápido possível, o meu Projeto de Lei do Cordão do Girassol, a fim de proteger quem sofre de síndromes ocultas, como Transtornos do Espectro do Autismo (TEA), epilepsia ou demência.

O projeto determina que o cordão do girassol tenha 85 cm de comprimento e uma trava de segurança. Um simples acessório que pode fazer toda a diferença para as famílias de meninos e meninas que, na maior parte das vezes, sequer conta com assistência médica e psicossocial.

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