Alexandre Knoploch: ‘Diálogo – antes tarde que mais tarde’

Importante que as autoridades instituídas encontrem caminhos, não apenas que lhes sejam convenientes

Bolsonaristas sobem no Congresso Nacional, em Brasília (Foto: Afonso Ferreira/TV Globo)

As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras. Assim, Friedrich Nietzsche disse em uma reflexão a respeito de situações que parecem verdades, mas são mentiras.

Dessa forma, chegamos a situação vexatória que o Brasil se colocou no último domingo, onde seus próprios cidadãos invadindo os prédios mais poderosos, destruindo o próprio patrimônio e com isso rasgando aqueles recursos que por décadas explanamos ao mundo o quão extorsivo são para toda sociedade.

Mas o que fez o povo da cervejinha, futebol e carnaval agir desta forma?

É importante deixar claro que há quase uma década os brasileiros estão descontentes com quase tudo que se refere às instituições brasileiras. Tirou uma presidente, depois assassinou as chances do presidente reformista vir a reeleição, elegeu o presidente mais improvável da política, depois tirou esse mesmo improvável e retorna com um controverso candidato (eleito com 0,2% de vantagem) devido aos processos penais no qual respondia que foram anulados pelo STF.

Aliás, essas mudanças todas foram no poder Executivo. Além dele, o Legislativo é o único que pode ser alterado por voto popular. Se o Judiciário pudesse, não tenha dúvida que também já teria sido reformado.

Nada justifica os atos de vandalismo ocorridos em Brasília e esperamos que os baderneiros sejam punidos de acordo com a legislação vigente. Porém, é importante que a reflexão feita pelo filósofo Nietzche venha à tona neste momento para todos. Ninguém é dono da razão e precisamos que o diálogo seja o único meio de entendimento.

Não existe corda que não arrebente, e todos esticaram até isso acontecer. Agora é importante que as autoridades instituídas mostrem “senioridade” e encontrem caminhos, não apenas que lhes sejam convenientes, mas que levem o Brasil ao rumo natural do seu protagonismo.

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