Aliança Centro discute, em Nova Iorque, implantação de projeto que revitalizou Chicago no Centro do Rio

As AREs são entidades locais formadas por proprietários de imóveis comerciais e inquilinos, voltadas para a revitalização de trechos dos centros urbanos. A prática que dá certo no mundo está pra ser implantada no Rio

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Imagem meramente ilustrativa de parte do Centro do Rio - Foto: Alexandre Macieira/Prefeitura do Rio

A requalificação do Centro do Rio de Janeiro levou o presidente da Aliança Centro Rio, Marcelo Haddad, aos Estados Unidos. Haddad se encontrou em Nova Iorque, nesta sexta-feira (28), com Robert Benfatto, presidente do Hudson Yards e do Hell’s Kitchen Alliance Business Improvement District da cidade americana, para conversar sobre as melhores práticas para o desenvolvimento das atividades comerciais, culturais e residenciais das regiões centrais de grandes capitais. Benfatto, que também é Co-presidente do Conselho de Administração do New York City BID Association, é grande entendedor do assunto, em suas mãos, está um BID – em português, ARE, uma espécie de “condomínio” de prédios em uma certa rua, ou região, que banca serviços suplementares aos prestados pela prefeitura – com orçamento anual de US$ 6 milhões.

Uma das pautas do encontro foi o alinhamento das melhores práticas dos BIDs americanos às primeiras Áreas de Revitalização Econômica (AREs) latino-americanas, que serão inaugurados no Centro do Rio, em setembro deste ano, nas seguintes localidades: uma no Boulevard da Rua São José e a outra em trecho da Avenida Presidente Vargas, nas proximidades da Biblioteca Parque Estadual. Estão previstas para 2024, a inauguração de mais uma ARE, com apoio da São Carlos, Bradesco Properties e PREVI – proprietárias de nove prédios na região da Candelária.

A medida tem à frente a Aliança Centro que, desde 23 de setembro de 2021, quando foi fundada, não tem medido esforços para revitalizar a região. Criada como um movimento suprapartidário, a organização tem como objetivo ultrapassar as dificuldades socioeconômicas enfrentadas pelos centros Histórico e Comercial do Rio de Janeiro ao longo das décadas. Com o advento da pandemia, a atuação do grupo – formado pelos maiores proprietários da região, apoiados por gestores públicos, membros da sociedade civil e do universo político – foi de grande importância para amortecer os impactos da crise sanitária e da crise econômica. Vale lembrar que a entidade surgiu no esteio do projeto Reviver Centro e da criação, pelo prefeito Eduardo Paes (PSD), do Gabinete de Crise do Centro, iniciativas que contaram com atuação direta do ex-secretário de Planejamento Urbano, Washington Fajardo.

Populares no mundo inteiro, as AREs são organizações locais integradas por proprietários de imóveis comerciais e inquilinos, voltadas para a revitalização dos centros urbanos. Atualmente, existem mais de 2 mil AREs atuando no mundo. No Brasil, o modelo não foi adotado oficialmente porque o Estatuto das Cidades não prevê este instrumento. A legislação brasileira também não prevê um tributo semelhante. As AREs brasileiras serão, portanto, integradas voluntariamente e custeadas pelas empresas participantes da Aliança Centro Rio.

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Robert Benfatto e Marcelo Haddad, na “big Apple” / Foto: Divulgação

Atuação da Aliança na Região

Desde a criação da Aliança pelas maiores empresas proprietárias de imóveis no Centro, como o Opportunity, a São Carlos, Sergio Castro Imóveis e outras, a interlocução com o município melhorou muito e os problemas constatados, geolocalizados e comunicados pela entidade à Prefeitura passaram a ser em grande parte solucionados. Já foram retiradas dezenas de ruínas de velhas bancas de jornal; foram pavimentadas ruas inteiras, como o entorno do Largo de Santa Rita e a Rua da Quitanda; e a camelotagem clandestina vem sendo reprimida na região entre a Rio Branco e a rua do Mercado.

E as estatísticas provam: segundo a Aliança, 61% das queixas e problemas apresentados à Prefeitura até hoje foram resolvidos satisfatoriamente pela Subprefeitura. Um número que, há 2 anos, era menos da metade. A vida da cidade vem respondendo bem à ação das autoridades, com a região da Praça XV, a Orla Conde e a Praça Mauá ficando lotadas mesmo aos sábados, domingos e feriados, com Centro Culturais e restaurantes abarrotados de turistas e cariocas. O subprefeito Alberto Szafran, conhecido como o “xerife” do Centro, explica que“A região não teve atenção da administração anterior e às vezes reconstruir a reputação pode demorar, mas é inegável que o espaço público tem melhorado e que a prefeitura centra muitos de seus esforços para corrigir os problemas do Centro do Rio, que agora recebe novamente investimentos, não só públicos como privados”. O subprefeito cita como exemplo o enorme afluxo de visitantes à região aos sábados, quando toda a Orla Conde e a Praça XV ficam lotados, sem contar a rua do Lavradio.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Em 2014 seriamos a nova Barcelona, a exemplo do legado olímpico deixado lá. 10 anos depois, passado uma olimpíada, o boom do petróleo e uma pandemia, temos o centro mais largado que antes. Não existe motivação para quem não é capaz de fazer.

  2. Isso é globalização.
    Discutir em NOVA IORQUE a implantação no centro do RIO DE JANEIRO de projeto que revitalizou parte de CHICAGO.

    Há experiência em diversas cidades do mundo, mas o exemplo mais bem sucedido nos EUA foi desenvolvido em Jacksonville (FL), sob a gestão de Audra Wallace, que conheci em 2015 durante um intercâmbio sobre cidades sustentáveis que fiz dentro do programa IVLP do Departamento de Estado do governo americano.

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