Alvaro Tallarico: Amaury Lorenzo, o Ramiro, encara ‘A Luta’ de Canudos

A Guerra de Canudos é contada com outro olhar numa atuação intensa

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Amaury Lorenzo no palco
Amaury Lorenzo no teatro lotado (foto: Alvaro Tallarico)

No último domingo (07), pude ver Amaury Lorenzo dando um show de atuação em um lotado Teatro Fashion Mall para o espetáculo “A Luta”. Amaury atualmente brilha na televisão como o Ramiro na novela “Terra e Paixão” da Rede Globo. Não à toa vi diversas pessoas que geralmente não vejo entre o público do teatro. A fila após a exibição era grande na espera por uma foto com o ator.

A princípio, a peça começa bem, com uma caminhada que é como o prenúncio do grande alcance da expressividade corporal que viria a seguir. Os pés bem marcados, a postura, enquanto a fumaça toma o fundo, impressionam. Difícil não elogiar também a direção de Rose Abdallah. O ator percorre todo o palco com ótima presença nesse monólogo teatral baseado na terceira parte do famoso livro “Os sertões”, de Euclides da Cunha. Esse início tem um texto bem redondo e incisivo sobre o sofrimento do sertanejo e as brutais diferenças entre a floresta e a caatinga, como isso influencia nos seres humanos.

O espetáculo, num tipo de prosa épica, procura narrar as batalhas ocorridas em Canudos, em 1896. Amaury dança, baila, brinca com a voz. Tudo de uma forma que parece em muitos momentos a contação de histórias de uma criança, com gritos e trejeitos jocosos falando sobre o embate entre os seguidores de Antônio Conselheiro e as forças militares da recém-proclamada República do Brasil. Porém, ficam algumas lacunas.

Comédia de repetição

A atuação de Amaury Lorenzo se sobrepõe ao texto. É lindo ver a quantidade de gente que não costuma ir ao teatro ser atraída pela presença de um global tão talentoso, mas, ao sair, fiquei pensando em quantos realmente entenderam ou aprenderam mais sobre a Guerra de Canudos e Antônio Conselheiro. Pessoalmente, fiquei sem entender diversas partes quem era quem, ou o que acontecia, ou, pior, a gravidade do que ocorria. Há um excesso do humor de repetição e uma falta de maiores explicações. Muitas críticas sociais e políticas saltam em diversos momentos, até de forma pontual e positiva, contudo, fica um certo sabor agridoce de que poderia ter um outro alcance.

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É extremamente notável como Amaury Lorenzo usa o domínio da fala e do corpo para cativar a audiência, e, por causa disso, em muitos momentos até imaginava muitas daquelas cenas, mas, em tantos outros, me perdia. A iluminação de Ricardo Meteoro exalta com perfeição a atuação. Rememorei o show de luzes que vi com Ricardo Fujji em cima de Beth Zalcman no espetáculo “Helena Blavatsky – A Voz do Silêncio” naquele mesmo teatro.

“A Luta” e a entrega de Amaury Lorenzo me fizeram lembrar um pouco da contundente canção “Monólogo Ao Pé Do Ouvido”, de Chico Science e Nação Zumbi, do emblemático álbum “Da Lama ao Caos”, que diz assim: “O medo dá origem ao mal / O homem coletivo sente a necessidade de lutar / o orgulho, a arrogância, a glória / Enche a imaginação de domínio / São demônios, os que destroem o poder bravio da humanidade / Viva Zapata! / Viva Sandino! / Viva Zumbi! / Antônio Conselheiro! / Todos os panteras negras”.

Por fim, “A Luta” não fornece uma imersão profunda nesse capítulo marcante da história do Brasil, mas é um experiência teatral intensa, com uma ótima frase final.

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