Andrea Nakane: Doces pedaços recheados de história

Colunista do DIÁRIO DO RIO conta a história de Cláudia Montezuma, que a partir de uma dificuldade tornou-se empreendedora no universo da confeitaria

Cláudia Domingues Montezuma, 65 anos, carioca, nascida e criada em Botafogo, teve sua formação acadêmica focada na Matemática e Administração de Empresas, mas ao deparar-se com uma fase mais madura de sua vida e algumas adversidades, decidiu mudar sua jornada profissional, e de consultora autônoma, tornou-se empreendedora no universo da confeitaria.

Em 2011, Claudia Montezuma contraiu uma doença rara dos nervos periféricos que paralisou sua mão direita e a levando a passar por três cirurgias na coluna cervical. Nessa época ela também perdeu seu pai e sua mãe começou a desenvolver Alzheimer. 

Eu morava na Lagoa e vim morar com minha mãe em Botafogo, liberando meu apartamento para ser alugado por temporada e fazer, assim, alguma renda. Deu muito certo, descobri que adoro receber pessoas e mimá-las. Faço isso até hoje e tenho sempre ótimas avaliações.” afirma Claudia Montezuma.

Porém sua inquietude lhe fez buscar outras opções de trabalho e renda. Foi justamente após participar de um curso na plataforma dedicada ao mercado grisalho, a MaturiJobs, que Claudia Montezuma ficou ainda mais atraída pela opção de empreender em algo. A confeitaria ficou em seu radar.

Foi somente após a passagem de sua mãe em fevereiro de 2021 que ela  descobriu que uma das cuidadoras contratadas para acompanhar a doença dela, a Carol, tinha muita habilidade na cozinha, pois havia trabalhado em equipes dessa área em hotéis e padaria. 

“Atenta que sempre estive, pensei: descobri meu negócio e minha parceira! Não existe sorte nem acaso, existe estar prestando atenção nas oportunidades. Ela topou, é super cabeça aberta, entra nas minhas invenções e histórias. Temos uma parceria mega saudável e criativa, que é refletida em nossas produções”, declara Claudia Montezuma.

Assim nasceu a Goxtô? focada na elaboração de bolos, que privilegiam o gosto e a aparência, com variação de cardápio, sem seguir moda e nem tendências. Os bolos da Goxtô? trazem além de ingredientes selecionados, memórias afetivas, através do paladar.

Com esse alinhamento, Claudia Montezuma, decidiu unir confeitaria a literatura, outra paixão que traz consigo.

“Um livro trata de vidas em que se come, se veste, se passeia, se sente, se tem conflitos. Um bom livro, retrata sempre uma época, uma forma de ser e estar no mundo. Um bom livro contribui muito para o autoconhecimento. O que se come é também uma expressão disso tudo.” contextualiza Claudia Montezuma.

Assim, por meio de pesquisas e leituras, nasceram dois bolos que já se tornaram marca registrada da Goxtô?: o bolo de figo com mel, o preferido de Cleópatra, caramelizado com carambola e o Bolo Cocada, doce preferido da personagem Capitu, da clássica obra de Machado de Assis, Dom Casmurro, que vem acompanhado de creme de tapioca para servir gelado sobre cada fatia consumida.

Além disso a Goxtô? está disponível para criar novos sabores junto aos clientes e suas histórias. O que configura-se também como o bolo pitaco, aquele no qual o cliente participa de sua receita, conforme suas histórias e desejos.

Toda a linha de embalagem da Goxtô? segue parâmetros de sustentabilidade e seu instagram disponibiliza informações detalhadas como encomendar suas delícias, já que não possuem um ponto físico de comercialização –  @goxto.rj.

Claudia Montezuma ao ser indagada sobre qual doce tem a cara do Rio, disse que seria um delicioso pudim de leite e suas variações, porque é versátil como o carioca, além de frequentar a maioria das mesas, desde as mais abastadas, as mais simples, sendo então, democrático como as praias da cidade. Que delícia, realmente tem tudo a ver com o RIO!

Concorda? Ou melhor, Goxtô?

Andréa Nakane é carioca, apaixonada pela Cidade Maravilhosa, relações públicas, professora universitária, Doutora em Comunicação Social e Mestre em Hospitalidade.Embaixadora do RJ. Vive há 20 anos em Sampa e adora interagir com pessoas singulares que possam gerar memórias afetivas construtivas.
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