Antigo Hotel Intercontinental deve virar prédio residencial, em São Conrado

Com 50 anos de história, o hotel 5 estrelas foi um dos mais importantes da cidade e seguirá a tendência de outros empreendimentos hoteleiros que vêm sendo transformados em residências no Rio.

Divulgação: Antigo Hotel Royal Tulip

Um dos hotéis mais importantes do Rio de Janeiro, com 50 anos de história, ganhará uma nova cara, porém residencial. É… A cidade perderá mesmo um belo equipamento de turismo. O antigo Hotel InterContinental, em São Conrado, que também já foi Royal Tulip e por último ostentou a marca Pullman RJ, quase teve suas unidades transformadas em residências de alto padrão pela construtora Tegra, do grupo canadense Brookfield (antiga Brascan). A superintendência-geral do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) chegou a aprovar a compra do hotel pela Construtora em junho último, sem restrições. Mas segundo informações do mercado, o negócio deve sair sim, mas pelas mãos de outra construtora.

De acordo com o Cade, o imóvel foi adquirido pelo BHG (Brazil Hospitality Group), em 2011, e renomeado como Royal Tulip Rio de Janeiro. Recebeu um investimento de R$70 milhões e se adequou ao padrão de uma hotelaria 5 estrelas. Contudo, em 2017, 21 hotéis da BHG foram repassados à multinacional francesa Accor Hotels, dentre eles o que acabou virando o Pullman RJ São Conrado.  

O Hotel, como muitos negócios, foi afetado pela pandemia da Covid-19 e permaneceu fechado por mais de 2 anos. O valor da venda do hotel não foi divulgado. O comprador que substituirá a Tegra na operação, é uma incorporadora de imóveis residenciais e comerciais que atua predominantemente nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

Hotel InterContinental

Localizado na praia de São Conrado, ao lado do Gávea Golf Club, o Hotel InterContinental foi inaugurado em 1971 com promessas de ampliação. Em um terreno de impressionantes 27.500m², o edifício totaliza generosos 31.500m² de área construída distribuídos em um subsolo, térreo, e dezesseis pavimentos-tipo. Cada pavimento possui 32 unidades hoteleiras com varanda, e três suítes foram projetadas nos últimos andares.

Na configuração adotada para o bloco, os quartos ficaram dispostos dos dois lados do corredor, com posicionamento perpendicular à praia, permitindo assim que todas as unidades usufruam a vista para o mar. Isso deve favorecer o novo empreendimento, que ainda não tem data para ser lançado.

O térreo era sua maior área de lazer, com restaurantes, bares, salões de reuniões, de festas para 1.250 pessoas com uma infra-estrutura necessária para um evento de sucesso, além de lojas. Na parte externa, em meio a jardins e gramados projetados por Burle Marx, foram dispostos vinte apartamentos – cabanas em torno da área das piscinas, e uma área de estacionamento para duzentos carros.

Ainda havia mais serviços no subsolo, como uma discoteca, sauna, barbearia, salão de beleza, áreas administrativas e vestiários para os hóspedes que utilizavam as piscinas ou a praia.

O terreno é separado da praia apenas pela valorizada Avenida Prefeito Mendes de Morais e, para minimizar o efeito do intenso tráfego local e criar privacidade para os ambientes de lazer do hotel, o térreo foi situado a 2 metros acima do nível das ruas. O prédio também é acessível pela avenida Aquarela do Brasil.

Hotéis virando Residenciais

A tendência de transformar hotéis antigos em apartamentos existe, e não ocorre nem de longe pela primeira vez agora. Outra construtora comprou o tradicional Hotel Paysandu, quase na esquina da rua de mesmo nome com a Praia do Flamengo, e promoveu seu retrofit e transformação pra apartamentos de moradia. O Hotel estava fechado há alguns anos, e é um ícone do estilo de arquitetura art déco no Rio. Ali, a construção fica a cargo da construtora Piimo. Especialistas confirmam que a venda do prédio, que precisava de reformas pois havia sido alugado a um inquilino inadimplente que começou e não terminou uma reforma, ocorreu entre 6 e 7 milhões de reais. “Chovia dentro do prédio“, disse uma vizinha que não quis se identificar.

Laudimiro Cavalcanti, ex-diretor do CRECI RJ, o mercado imobiliário carioca está ativo e a Zona Sul sempre chama atenção de quem pensa em comprar um imóvel: “O mercado imobiliário carioca segue bastante ativo. Com a escassez de terrenos para a construção de novos imóveis uma tendência que vem sendo registrada, especialmente nessa região [Zona Sul], é a transformação de hotéis icônicos e com relevância para a história do município em empreendimentos residenciais, pois a demanda é sempre alta por moradias na região“.

Nem tudo é tão simples como parece“, adverte Lucy Dobbin, da Sergio Castro Imóveis, que atua fortemente no segmento de venda de hotéis inteiros, tendo sido responsável pelas negociações do Largo do Boticário, Hotel Ambassador, Hotel Santa Teresa, Hotel Merlin, na Avenida Princesa Isabel, e dezenas de outros, nos últimos anos. Recentemente a empresa fechou a venda do Hotel Itajubá, na Cinelândia, e do Hotel Rios Presidente, na Praça Tiradentes.  “Muitos hotéis assinaram termos de obrigações com a municipalidade, recebendo vantagens para os grandes eventos que o Rio recebeu na última década, e a lei não permite seu desmembramento e venda como apartamentos residenciaisPor isso só temos assistido a venda de hotéis mais antigos para este mercadoe por valores que os hoteleiros, mesmo neste momento, têm resistido em aceitar“.

O maior ‘case’ neste setor está para sair a qualquer momento. É a transformação de uso do Hotel Glória, um dos mais tradicionais do país desde 1922, em apartamentos residenciais de altíssimo luxo, o que está ocorrendo pelas mãos do Opportunity, um dos mais conhecidos e rentáveis fundos imobiliários da cidade, que aliou-se à incorporadora SIG. O enorme hotel quebrará paradigmas ao se transformar em apartamentos de alto padrão na Glória; tanto que diversos prédios no seu entorno, outrora comerciais, têm sido vendidos para construtoras que querem pegar carona no provável sucesso do empreendimento do fundo imobiliário de Daniel Dantas e Dório Ferman. O empreendimento promete ser o mais moderno e luxuoso dos últimos 50 anos na Zona Sul; vai ter até aeroporto de drone, piscina aquecida com vista pra baía, elevadores panorâmicos, e muita modernidade. O prédio tombado projetado pelo mundialmente conhecido arquiteto Joseph Gire, vai voltar a ser um palácio; alguns apartamentos terão 4 metros de pé direito. E pra quem gosta de prédio moderno, terá também um anexo envidraçado e avarandado que mudará para sempre o paradigma de retrofits no Rio.

Segundo um famoso corretor do mercado de luxo, “a construtora que está fechando o negócio no lugar da Tegra vai ter que comer muito feijão com arroz pra fazer frente ao novo Hotel Glória”. Quem viver, verá.

Divulgação: Fachada do Residencial Glória, condomínio de luxo que o Opportunity vai lançar no prédio tombado, que foi o primeiro Hotel 5 Estrelas moderno do país, em 1922
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2 COMENTÁRIOS

  1. A materia sobre os hotéis virarem residências é muito boa. Porém, fica o alerta que em quanto o setor hoteleiro não se encarregar de construir um Plano Nacional de Hotelaria como o setor de Turismo fez e que ainda não estar funcionando adequadamente por várias interferências vamos continuar com os hotéis no Brasil.

  2. Ótimo artigo com conteúdo interessante que demonstra que o autor/res tiveram que fazer análises e estudos antes de publicar. Mas, por que razão ignoram a gramática correta de Luís de Camões. “Pra” não existe. Por favor, para não diminuir o valor de seu trabalho, utilizem “para” no futuro.

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