Após uma década de caos, Centro acumula prisões e bons resultados no combate ao crime

Os números da região são bons, com diminuição da mancha criminal; a melhora nos índices de criminalidade é evidente, tanto pela atuação do 5 Batalhão como também do Centro Presente, contabilizando diminuição de 69% nos roubos a pedestres e 194 prisões em 6 meses

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Imagem aérea da região do Museu de Amanhã - Foto: Bruno Bartholini

O Centro, do seu Porto (hoje “maravilha”) à parte Histórica, anda mais tranquilo do que nos tempos dos arrastões com horas marcadas, das velhas gangues da bicicleta, e demonstra – ao contrário do que se imagina e da reputação que a região acabou ganhando – índices bem positivos no combate à criminalidade. É assim que o tradicional distrito vem, cada vez mais, atraindo novos moradores, no esteio do projeto Reviver Centro II; e quanto mais moradores, menos desertas as regiões ficam à noite, o que indiretamente também colabora com a luta contra a violência urbana. Um grande esforço da Polícia Militar tem origem em muita estratégia policial, métodos de patrulhamento ostensivo e o uso de muita inteligência, com geração de grandes resultados na maior parte das áreas enquanto a região faz sua retomada.

São índices que contradizem a reputação – agora injusta – que se dá à região. O último semestre fechou com 24,3% de redução no número de roubos de veículos; uma queda de 21,4% ocorreu no índice de roubos de celular e um decréscimo de 21% dos roubos em coletivos, isso em comparação à soma dos primeiros seis meses de 2022. Somente na área do 5° BPM (Praça da Harmonia), houve nos últimos seis meses 9.778 abordagens que resultaram em 278 prisões, 35 menores apreendidos, 124 celulares recuperados e 587 objetos perfurantes tomados dos criminosos. Poucos sabem, mas também existe hoje um posto avançado da PM nas centenárias instalações da Santa Casa de Misericórdia, na região do Castelo, com 150 policiais lá lotados.

O comandante responsável pelo batalhão, coronel Silvio Luiz Pekly, explica que as análises dos locais onde ocorrem os delitos são diárias – é o que se chama de ‘mancha criminal’ – e, assim, o policiamento tem sido direcionado para as abordagens, que resultam, inclusive, na constante prisão de foragidos da Justiça, entre outros bandidos, durante revistas. “Outra ação importante é a aproximação com a sociedade local, comerciantes e moradores, mantendo o diálogo, entendendo as necessidades de segurança e buscando trazer soluções”, reforça o comandante que tem intensificado bastante o policiamento na região da Praça XV, que desponta cada vez mais como ponto turístico querido pelos cariocas e pelos que visitam a cidade.

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Centro conta com a primeira favela do Rio, a Providência, que acompanha os índices de detenções feitas por policiais do 5° BPM | Foto: Rafa Pereira – Diário do Rio

A maior favela da região e a primeira de todo o Rio é exatamente onde está a sede da UPP Providência, que assim como no chamado “asfalto”, tem se destacado entre as demais Unidades de Polícia Pacificadora, sendo a segunda que mais tem prendido criminosos. Além do Morro da Providência, que já ensaia a volta do seu badalado Teleférico, conforme já anunciado pela Prefeitura do Rio, agentes da UPP também atuam também no Morro do Pinto, na Gamboa e no Santo Cristo. “Efetuamos muitas prisões, inclusive de pessoas com mandado de prisão em aberto. Só este ano, nossa UPP já acumula 194 prisões. Temos prisões até feitas logo antes dos criminosos efetuarem o roubo”, ressalta o capitão PM Irlan Garra.

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Em 2014, a mesma região e arredores viviam verdadeiros pesadelos como arrastão diário da Rua da Assembleia, que ocorria sempre por volta das 18h30, como também em outros anos, vítimas eram esfaqueadas enquanto aguardavam o ônibus em vias como a Rio Branco, em pleno horário de grande movimentação. Atualmente, o quadro mostra que já é possível ter mais tranquilidade após o fim do horário comercial e mesmo ter lojas que ficam abertas até mais tarde, como 20h, sem que haja ocorrências. “É uma paz sair com sacolas cheias e com a sensação de segurança. Antes, sempre tinha alguém que contava de assaltos e furtos. Sinto bem mais segura do que até em outros bairros do Rio“, comenta a aposentada Angélica Ramos, de 70 anos.

O Gerente Predial num empreendimento na Rua Uruguaiana esquina de Ouvidor, tem uma opinião um pouco diferente: “É verdade que temos mais tranquilidade entre a Rio Branco e a Rua do Mercado; porém, quando chegamos à Gonçalves Dias, os moleques estão sempre a espera do próximo a ser assaltado, e atuam muito por aqui”, diz Valdemar Moraes. Para ele, o policiamento é sentido mas há locais desertos como a Travessa Tinoco e a Rua Primeiro de Março entre a Praça XV e a rua do Rosário, onde é preciso incrementar a presença policial. “Não há como negar a melhora, mas os bandidos sabem os locais que estão renascendo com as iniciativas da prefeitura, e ficam à espreita“, completa. Moraes explica que onde há moradores de rua e camelôs, a sensação de insegurança é bem maior.

O Centro ainda conta com o programa da Secretaria de Governo do Estado do RJ, o chamado Centro Presente, que auxilia muito o patrulhamento em pontos como Largo da Carioca, a Praça XV e arredores, assim como a Central do Brasil, entre outros. Recentemente, o programa divulgou uma expressiva redução de 69% dos roubos a pedestre e uma diminuição de 18% nos furtos, isso no mês de setembro em relação a setembro de 2022.

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FONTEAmanda Raiter
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Formada em Comunicação Social desde 2004, com bacharelado em jornalismo, tem extensão de Jornalismo e Políticas Públicas pela UFRJ. É apaixonada por política e economia, coleciona experiências que vão desde jornais populares às editorias de mercado. Além de gastar sola de sapato também com muita carioquice.
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