Eduardo Paes, prefeito do Rio - Foto Cleomir Tavares/Diário do Rio

O Instituto Rio21 foi a campo e, desta vez, para iniciar a série histórica de avaliação do governo do Prefeito Eduardo Paes. A intenção com este levantamento periódico é buscar compreender, ao longo do tempo, a percepção da população carioca sobre as ações do governo e as suas perspectivas.

Entendemos que a coleta de dados é fundamental para balizar o desenho de boas políticas públicas e a posterior avaliação destas. Neste início, nosso objetivo é analisar o sentimento do cidadão acerca da nova gestão que se iniciou em janeiro de 2021. Todavia, ao longo das próximas pesquisas, nossa intenção é aprofundarmos também novos temas da administração municipal.

O levantamento foi realizado entre os dias 04 e 12 de agosto de 2021, através de pesquisa quantitativa com disponibilização de questionário online via e-mail e redes sociais. A amostra corresponde a 1249 entrevistados e possui grau de confiança de 95% e margem de erro de 3%.

Os gráficos abaixo mostram a avaliação dos primeiros seis meses de governo e a expectativa para os próximos seis meses.

Avaliação dos primeiros seis meses

A avaliação positiva (ótimo + bom) reflete em 50,5%, regular em 26,0% e a negativa (ruim + péssimo) em 23,5%.

Expectativa para os próximos seis meses

Já na expectativa futura, há um salto no que se pretende avaliar como positivo (ótimo + bom), somando 70,2%, enquanto a avaliação regular está em 14,9% e a negativa (ruim + péssimo) em 14,9%.

Avaliação da gestão da pandemia

No gráfico a seguir observamos a avaliação da gestão de Paes no enfrentamento da pandemia da Covid-19. A avaliação positiva (ótimo + bom) é de 57,5%, regular de 22,2% e a negativa (ruim + péssimo) de 20,3%. Logo de início, podemos observar que a atuação do Prefeito está intrinsicamente colada na gestão da pandemia e coletando seus louros. A aprovação sobre este tema, combinado com as avaliações anteriores, denota dois pontos em especial: 1) Todo bom trabalho deve ser mostrado e Paes vem fazendo isso de uma maneira muito positiva e associada com sua imagem e 2) que para os próximos seis meses, há um resgate da esperança de que tempos melhores virão.

A seguir, um resumo dos demais dados apurados:

Avaliação da gestão da saúde

Na esteira da gestão da pandemia da Covid-19, a saúde é o tema mais bem avaliado desta pesquisa, com 46,2% de respostas positivas (ótimo + bom), 23,4% que consideram o serviço regular e 30,3% que consideram negativamente (ruim + péssimo). Caso a promessa de aumentar o número de equipes de saúde da família, por exemplo, se concretize, a tendência é que estes números melhorem nos próximos meses. Um dia a pandemia irá passar, a população estará toda vacinada e os problemas de outrora irão voltar, somados ao caos que foi na gestão anterior.

Avaliação da gestão da educação

Já na área da educação, observamos um empate técnico nos três eixos de avaliação. A positiva (ótimo + bom) representou 33,9%, regular ficou em 31,7% e a negativa (ruim + péssimo) ficou com 34,4%. Esta é uma área em que o Prefeito, politicamente, vem apostando alto, visto que quer eleger seu Secretário de Educação a Deputado Federal na próxima eleição. Duas explicações possíveis para este equilíbrio são 1) a demora na percepção de melhorias no sistema de educação e 2) o fato de que nem toda a população faz uso da rede pública de educação. Logo, para os moradores de uma faixa de renda maior, não é possível ter uma opinião tão bem consolidada. Logo, a educação é um tema que merece ser estudado em maior profundidade no futuro.

Avaliação da gestão dos transportes

Nos transportes, a avaliação foi a pior dentre as categorias analisadas pela pesquisa, tendo sido reprovada (ruim + péssimo) por 52,8% da população. Avaliação regular ficou em 27,3% e a positiva (ótimo + bom) ficou com 19,9%. Nesta seara, nitidamente o cidadão ainda sente as falhas nos sistemas de ônibus, seja o convencional, seja o BRT.

Ambos estão bastante aquém da necessidade de uma cidade do porte do Rio de Janeiro. E apesar do VLT ser um transporte municipal, sua abrangência é insignificante, se comparado com o impacto do sistema rodoviário.

Esta é outra área em que, desde sua campanha eleitoral, o Prefeito vem apostando muito, principalmente na recuperação dos BRTs, que são justamente obras de seu mandato anterior, e na implementação de um novo sistema de bilhetagem digital do transporte público no município do Rio de Janeiro, cujo objetivo é garantir maior transparência financeira, planejamento com dados confiáveis e melhoria dos serviços das linhas de ônibus.

Além disso, devemos ressaltar que as questões de transporte público são contaminadas pela dificuldade da população em entender a divisão da matriz de responsabilidades entre estado e municípios dos modais.

Avaliação da gestão da preservação ambiental

No meio ambiente, a avaliação do carioca é mais ou menos idêntica tanto para o lado como para o negativo, tal como na educação. No positivo (ótimo + bom), a soma é de 33,5%, no regular de 34,1% e no negativo (ruim + péssimo) de 32,4%. Neste caso, o tema é, por si só, abrangente demais.

A atual gestão da pasta vem buscando se fazer mais presente em diversas ações, principalmente na fiscalização de obras ilegais em áreas de preservação ambiental. Demais políticas públicas, como hortas comunitárias e reflorestamento, são ações implementadas há muitos anos e que se mantém sedimentadas. A expectativa para as próximas avaliações é de que não tenha alterações significativas nestes números.

Avaliação da gestão da conservação urbana/patrimonial

A conservação pública é um tema caro ao carioca, visto que é difícil manter uma cidade tão grande sempre bem cuidada. Nos últimos anos, com o agravamento da crise econômica e a falta de uma gestão eficiente, o setor ficou ao relento, e é justo o que atinge todos os cariocas, de todas as classes, de maneira indiscriminada. Afinal, a população mais rica não necessariamente irá utilizar as redes públicas de saúde e educação, tampouco irá andar de ônibus, mas sem dúvida, irá transitar nas ruas e calçadas esburacadas, com poças de água, falta de iluminação pública e falta de poda de árvores. Sob essa ótica, a atual gestão da pasta vem realizando mutirões com suas empresas vinculadas (RioLuz e Comlurb, por exemplo) para resolver estes problemas. A implantação da iluminação por led também é outro fator que ajuda na avaliação positiva. A avaliação positiva (ótimo + bom) é de 38,2%, a regular é de 27,9% e a avaliação negativa (ruim + péssimo) é alta com 33,9%. A rejeição ainda é alta, mas parece caminhar para patamares mais baixos no futuro.

Avaliação da gestão da assistência social

O último ponto a ser avaliado é sobre assistência social. Nos últimos anos, novamente por conta do agravamento da crise econômica em nossa cidade, a população em situação de rua aumentou significativamente. Portanto, a avaliação negativa (ruim + péssimo) também se faz presente neste início de governo, com 37,7%, o regular com 35,3% e o positivo (ótimo + bom) com apenas 27,0%. Caso a retomada econômica prometida pelo Prefeito realmente ocorra, é esperada uma inversão nos números, já que a população em situação de rua deverá diminuir com a abertura de novas vagas de trabalho. Sabemos que a assistência social não fica restrita a população em situação de rua, mas é o tema de maior impacto junto a sociedade de uma maneira geral, que não consegue observar no detalhe as demais ações da pasta.

Sobre a pesquisa

A pesquisa completa encontra-se para download abaixo, com outros dados sobre a avaliação dos cariocas sobre cidade do Rio de Janeiro.

A próxima avaliação está prevista para ser realizada no mês de novembro, dando continuidade a um ciclo de pesquisas trimestrais, que deverá perdurar até o final desta gestão.

Novamente, caso todas as promessas se realizem, é natural uma reversão nas avaliações negativas e o crescimento das positivas. Todavia, a administração pública e a política são duas eternas caixinhas de surpresa, sempre dispostas a atrapalhar as gestões de nossos governantes, por melhores que eles sejam.

3 COMENTÁRIOS

  1. Na área dos transportes, foi mencionado os problemas do Brt que é uma realidade. O VLT que ao meu ver, seria pra os turistas, vem sendo usado mesmo é pelos trabalhadores. Já o sumiço das linhas de ônibus a qual foi dado prazo para o retorno dessas, não foi obedecido, isso não foi mencionado pela matéria ou mesmo linhas que tem poucos ônibus.

  2. Transporte é merecidamente a pior categoria. Recuperar o sistema do BRT é válido, assim como implantar um novo sistema de bilhetagem, mas isso não deveria impedir ações mais urgentes. Linhas de ônibus municipais somem todos os dias e o BRT continua extremamente lotado enquanto a variante Delta se espalha. Falta senso de urgência na secretaria de transportes. Acho que o Paes vem acertando em outras áreas, mas nessa ele leva nota 0.

  3. Temos um povo que finge não saber os seus deveres – só quer saber dos seus direitos. Isso está na Constituição de 88, a carta dos preguiçosos. Daí o desapego desta gestão em sanear as contas que o Sr. Paes Palho estragou no seu último mandato. Caloteiro, pague as dívidas! Só com o VLT Carioca são mais de R$ 300MM!! Porto Novo… Fundo Imobiliário VLT… BRT Transbrasil… Só isso deveria dar-lhe nota baixa.

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