Em mais uma decisão polêmica e seguindo na rota de colisão com o Carnaval carioca, o prefeito Marcelo Crivella resolveu baixar decreto que prevê o fim da atuação dos serviços públicos durante os desfiles das escolas de samba na Sapucaí. Ou seja, a Rio Luz, a Comlurb e a Guarda Municipal, por exemplo, não seriam mais responsáveis pela iluminação, limpeza e segurança do Sambódromo. Caberia à Liga das Escolas de Samba arcar com esses custos, seja contratando os próprios órgãos da Prefeitura ou empresas terceirizadas.

Vale lembrar que Crivella já vem buscando desvincular o Município do Rio e o Carnaval há muito tempo, desde quando recusou-se a entregar a chave da Cidade ao Rei Momo, tradição histórica do Rio. Depois desse episódio, as trocas de farpas foram muitas, os apoios financeiros às escolas diminuíram fortemente e a burocracia para os blocos carnavalescos aumentaram bastante. Ficou nítida uma tentativa, para além da separação institucional, de enfraquecimento de algo que não atende à filosofia pessoal do prefeito.

Agora, com o fim da parceria entre o Município e as escolas para os desfiles, faço questão de ressaltar uma consequência que poucos estão citando. Se por um lado a LIESA, organizadora do Grupo Especial, pode talvez encontrar investidores e patrocinadores que cubram os custos de limpeza, iluminação, segurança, setor médico, etc, por outro lado isso não é verdade para o Grupo de Acesso, hoje chamado de Série A, que também desfila na Sapucaí, na sexta e no sábado, necessitando igualmente dos mesmos serviços. Sem o mesmo apelo comercial da primeira divisão, como a segunda divisão se manterá no Sambódromo? Ou se espera que as escolas da elite doem dinheiro ao outro grupo quando já estarão batalhando para se manter?

O corte dos serviços gratuitos para o Grupo Especial suscita o debate entre os que acreditam ser uma decisão justa, os que criticam a gestão das escolas e os que acham que o desfile das escolas tem interesse público pela importância cultural, relevância história e atração de turistas e arrecadação. Enquanto isso, o Grupo de Acesso, que alimenta as grandes escolas com profissionais, revela artistas, gera emprego e oferece alternativa sadia aos que têm poucas oportunidades, pode estar sendo inviabilizado com mais essa “Crivellada”.

Mesmo com tantas Crivelladas, o 2º turno de 2020 pode ser com o atual prefeito. É sobre isso que o Diretor Executivo do Diário do Rio, Quintino Gomes Freire, falou em seu vídeo semanal

8 COMENTÁRIOS

  1. Só senti falta de comentar sobre o Eduardo Paes. Ainda acho ele o grande favorito, a menos que a Lava-Jato o pegue antes, o que não acredito. Claro que uma união Crivella + Bolsonaro seria ruim pro Paes, mas ainda aposto na força que ele teria. Até pq não custa lembrar, ele venceu o segundo turno pra governador na capital.

  2. O Crivella foi o pior prefeito que nossa cidade já teve, do ponto de vista de respeito às políticas públicas de atendimento ao cidadão.
    Crivella se elegeu sob a bandeira falaciosa de “é hora de cuidar das pessoas”.
    Só cuidou dos dele mesmo.
    Com o filho foi a tentativa de emplacar o nepotismo, depois de tentar elegê-lo com a ajuda da máquina pública.
    Depois veio a maldita história da Márcia.
    Mais recentemente ocorreu a desditosa renúncia da arrecadação dos cartórios do Rio.
    Isso pra não considerar o que não sabemos. O que ocorre nas sombras do prostíbulo que se tornou essa administração.
    Agora o que vemos é uma situação caótica nos serviços públicos de saúde, nas políticas sociais e nos serviços públicos em geral, tudo sob a argumentação de que há impasse financeiro.
    Tudo mentira, tudo criminosamente urdido para destruir o nosso Rio de Janeiro.
    A maldição maior está nos evangélicos miseráveis que acreditam nessa verdadeira falsidade e que elegeram esse filho de Satã.
    O momento político do Município do Rio de Janeiro é muito triste e desalentador.

  3. Excelente, não gosto do Crivella como prefeito, mas apoio totalmente, porque nós cidadãos da cidade que não temos saúde, educação, segurança, temos que pagar por tudo isso no carnaval, vale lembrar que a LIESA recebe patrocínios milionários da Globo, do Bradesco, AmBev, dentre outras, então, que arquem sim com todo o custo, afinal o ingresso para o sambódromo não é gratuito, porque o serviço para quem está ganhando tem que ser gratuito?

  4. Não acho que o Sr Crívela esteja fazendo uma boa Prefeitura no Rio de Janeiro.Mas..devo concordar com ele com relação às Escolas de Samba do Rio de Janeiro.Eu acho que elas devem sambar com as suas próprias pernas.Nao de ficar agarrada a instituições governamentais..devem conseguir patrocínio sozinhas junto às grandes empresas nacionais e estrangeiras.Agora uma coisa é certa.O Sr Crívela não será reeleito mesmo.Isto é certo.

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