Bruno Kazuhiro: O vestibular do samba

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Vamos supor que 130 candidatos concorrem em um vestibular onde 110 vagas estão sendo disputadas. A concorrência não é tão grande, já que mais de 80% irão ser aprovados. Mesmo assim, todos estudam bastante, se esforçam, se dedicam, investem em preparação, afinal de contas, ninguém quer ser reprovado e os primeiros colocados receberão prêmios e bolsas. As famílias dos candidatos se envolvem, incentivam, ajudam a revisar cada tarefa, ficam do lado de fora do local de prova torcendo. Ao final dos exames, o resultado: são definidos os 110 aprovados e os 20 reprovados.

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Contudo, alguns meses depois, a organização do vestibular decide reunir os aprovados para debater se os candidatos que ficaram de fora deveriam receber também a aprovação. Ou seja, a reprovação seria revertida. Todo mundo seria aprovado no vestibular. Alguns alegam que é injusto, mas são voto vencido. A maioria decide que será melhor ter todos aprovados, independente do resultado, do esforço e da preparação de cada um, até porque alguns reprovados são amigos de infância de aprovados.

Você acha que essa decisão seria justa? Acha que esse vestibular manteria a credibilidade? E se essa decisão de cancelar as reprovações ocorresse em 3 anos seguidos? E se, da última vez, apenas os reprovados que são amigos dos aprovados tivessem a reprovação cancelada e os demais não? Ficaria ainda pior a situação? Nesse cenário, o próprio presidente da comissão organizadora do vestibular achou demais e deixou o posto. Os jovens já não sabem se vale a pena fazer esse vestibular. As famílias se questionam se o esforço deve ser feito e já não esperam do lado de fora do local de prova como antigamente.

Agora substitua candidatos por escolas de samba, vestibular por desfile e organização por LIESA.

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