Brutus e Smoky: duas legendas caninas talhadas na guerra

Há 20 mil anos, humanos e cachorros deram início a uma inquebrantável amizade. Desde então, os cães têm participado de várias atividades da vida humana, entre elas: a guerra

A pequenia Smoky durante a II Guerra Mundial /Domínio Público

Animais inteligentes e dedicados, os cães têm uma relação de longa data com a humanidade. Descendentes dos lobos, os cachorros como os conhecemos atualmente, passaram por quase 20 mil anos de adaptação até desempenarem as mais variadas funções na vida social humana, sendo uma delas a militar.

Muitos são os relatos de cães que atuaram em guerras no mundo todo. O Brasil conta com um herói canino, que lutou na Guerra do Paraguai – dezembro de 1864 a março de 1870. O vira-lata caramelo Brutus foi um dos integrantes das tropas brasileiras. O cão teve um desempenho importante no 31º Corpo de Voluntários da Pátria, do qual se tornou mascote.

De acordo com relatos históricos, Brutus trabalhou em missões de resgate a soldados feridos, tendo também sido ferido em combate. Mas sob os cuidados dos seus companheiros humanos sobreviveu e voltou vitorioso ao Brasil na condição de herói.

Corpo de Brutus empalhado Museu da Polícia Militar do Rio de Janeiro

O início da carreira militar de Brutus se deu por acaso. Vira-lata clássico, o cão era um entre tantos que perambulavam pelo centro da cidade do Rio de Janeiro. Certo dia, talvez orientado pelo destino, o cão entrou no quartel, encontrando amparo e atenção dos soldados. Quando eclodiu a Guerra do Paraguai, os praças e oficiais da unidade tiverem que se apresentar ao 31ª Corpo de Voluntários da Pátria.

Fiel aos companheiros, Brutus se apresentou no pátio, juntando-se aos soldados os quais acompanhou até a Praça Mauá, onde embarcou em um navio rumo ao campo de batalha que o consagraria: o Paraguai.

Ao retornar, Brutus foi reconhecido e aclamado como um dos heróis da tropa. Apesar de ter escapado de um fim trágico na guerra, Brutus morreu como morrem muitos animais no Brasil. Ao sair para dar uma volta no Campo de Santana, um humano sem coração envenenou o nosso cão-herói.

Compungidos, os soldados-amigos de Brutus fizeram uma vaquinha para o pagamento da autópsia e taxidermia (empalhamento) do seu pequeno corpo. O cão ganhou ainda uma coleira de identificação para que ninguém esquecesse dos seus bravos feitos. O corpo de Brutus está sob os cuidados do Museu da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Nada mal para um herói por acidente!

Do outro lado do mundo, temos outro exemplo de lealdade e bravura desempenhados por uma pequenina yorkshire terrier, que foi encontrada por um soldado em uma trincheira na Nova Guiné, em março de 1944, durante a Segunda Guerra Mundial. Debilitada, a nossa heroína pesava apenas 2 quilos e media 20 centímetros. Compadecido da sua situação, o soldado William “Bill” Wynne a comprou por 7 dólares. Foi o início de uma grande jornada de aventuras, perigos e serviços prestados ao Exército dos Estados Unidos.

A pequenina Smoky seguia com o seu companheiro Bill quase sempre dentro da sua mochila. A dupla de combatentes participou de 12 operações, diversos voos de reconhecimento, resgates e até mesmo saltos de paraquedas.

Assim como Brutus, Smoky também era um cão com um destino diferenciado. Uma expedição ao Golfo de Lingayen, ilha de Luzón, no norte do arquipélago das Filipinas se tornaria o tour de force que alçaria o seu nome ao estrelato do mundo dos heróis de guerra.

Em razão dos bombardeios das tropas japonesas, o sistema de comunicação entre os pelotões norte-americanos ficou gravemente comprometido, o que gerou uma série de adversidades ás tropas. Para resolver o problema, seria necessário mobilizar mais de duas centenas de soldados que precisariam cavar um túnel abaixo da pista de pouso, só para instalar um fio de telégrafo. A missão era arriscadíssima e levaria pelo menos 3 dias para ser executada, sob o risco de fortes ataques inimigos.

Diante do sombrio cenário, entrou em cena o protagonismo de Smoky, como a solução para o restabelecimento da comunicação entre os soldados. O comando teve a ideia de amarrar o fio de telégrafo na coleira do animal, que percorreu um bueiro de 21 metros de comprimento por 20 centímetros de largura. Encontrando, do outro lado, William “Bill” Wynne que a esperava, para restaurar o sistema de comunicação.

Smoky durante a operação de restauração das cominações norte-americanas / Domínio Público

Com a ação, a pequenina Smoky poupou a vida de mais de 250 soldados norte-americanos. Ela também viabilizou a continuidade das operações de mais de 40 aviões de combate, além de missões de reconhecimento.

Ao findar da guerra, Wynne e Smoky retornaram aos Estados Unidos onde fizeram inúmeras apresentações, uma vez que a cadelinha possuía outras habilidades. Uma delas era andar com os olhos vendados em uma corda fina. Smoky e Wynne tornaram-se celebridades nacionais.

Ao contrário de Brutus, Smoky morreu de causas naturais, no dia 21 de fevereiro de 1957, aos 14 anos. O corpo da pequenina guerreira foi colocado em uma caixa de munições da Segunda Guerra Mundial e enterrado na reserva Rocky River, em Cleveland.

Anos depois, em reconhecimento ao seu heroísmo militar, veteranos de guerra ergueram um monumento em seu túmulo. Smoky foi ainda condecorada pelas Forças Armadas dos Estados Unidos que a alçaram à condição da mascote de guerra mais aclamada da América.

Monumento homenagem à Smoky – Domínio Público

As informações são do Diário do Rio de sites G1 e Aventuras na História.

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