Céu na Terra, em Santa Teresa - Foto: Divulgação

Formada por 8 blocos (Orquestra Voadora, Céu na Terra, Quizomba, Vagalume o Verde, Toca Rauuul, Laranjada, Último Gole e A Rocha da Gávea) que desfilam pelo Centro e Zona Sul do Rio de Janeiro, a Liga Carnavalesca Amigos do Zé Pereira vai para o seu 8º ano de folia apostando em uma grande festa em prol da conscientização de questões ambientais e sociais.



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Em 2020, os desfiles dos blocos da Liga – que fazem parte da agenda de blocos de rua do DIÁRIO DO RIO – têm como objetivo oferecer um Carnaval de rua alegre, gratuito e acessível a todos. Paralelamente, a ideia é que também levante bandeiras importantes para a sociedade, como a inclusão social, a empatia ao próximo e a sustentabilidade.

Para o seu 11º desfile, o bloco Orquestra Voadora, que arrasta milhares de foliões pelo Aterro do Flamengo, aposta na inclusão de integrantes com necessidades especiais no seu cortejo. O projeto de integração é feito ainda na oficina de preparação do Carnaval, com recursos de acessibilidade que permitem que os deficientes aprendam a tocar instrumentos e até mesmo a participar da orquestra e do desfile. Para tal, o bloco faz uso de imagens com audiodescrição, texto ampliado, braile e até libras. A ideia é promover a inclusão social durante o desfile e mostrar que o Carnaval é uma festa democrática e para todos.

Já no bloco Céu da Terra, que desfila em Santa Teresa, o mote é sobre a pluralidade do povo brasileiro. O cortejo deste ano leva a Bahia para as ruas do Rio e conta a história da resistência da cultura afro-brasileira no Brasil. Ritmos do Candomblé, como o Ijexá, se misturam ao samba e a outros clássicos da MPB. Tudo ao som de 120 batuqueiros, incluindo instrumentos típicos da Bahia, como o timbal.

No Quizomba, bloco do Circo Voador e que desfila pela Lapa, o tema deste ano será sustentabilidade, com direito a adereços feitos com material reciclado e lixeiras de garrafas pet. Com a cantora Roberta de Sá à frente do cortejo, como madrinha do bloco, o desfile não vai deixar passar em branco a questão da água contaminada no Rio. Com uma paródia da marchinha ”Cachaça Não é Água” em seu repertório, o cortejo faz uma crítica à situação carioca. Em um dos trecos, o bloco brinca: ”Se a Cedae tratasse a nossa água, a água não matava não / Quem bebe água hoje é chique, para o povo é água de valão”.

Apadrinhada pelo centenário Cordão da Bola Preta, a Liga dos Amigos do Zé Pereira é considerada uma das associações carnavalescas mais organizadas da cidade.

O responsável pela coordenação de toda essa folia é produtor cultural Rodrigo Rezende, presidente da Liga dos Amigos do Zé Pereira. Para ele, o objetivo do Carnaval de rua é oferecer uma brincadeira gratuita e acessível a todos. Pereira ainda afirma que essa grande festa serve de vitrine para abordar questões muito importantes na sociedade atual.

”Considero o Carnaval de rua do Rio a festa mais democrática do mundo. Em um mesmo bloco, você brinca com pessoas totalmente diferentes, que estão ali pelo mesmo propósito: se divertir. Todos celebram juntos e misturados. E por que não aproveitar essa grande vitrine frente ao nosso país para levantar bandeiras importantes e conscientizar os foliões? Questões como a inclusão social, a empatia ao próximo e a preservação ambiental podem ser tratadas de forma livre, leve e divertida. E essa é a maior magia do carnaval”, explica.

Em seu 1º ano de atuação, 2013 (o mesmo em que criou seu próprio projeto de carnaval), a Liga dos Amigos do Zé Pereira já levou o prêmio Serpentina de Ouro na categoria ”Organização”, patrocinado pela Ambev através da lei de incentivo estadual (ICMS). A iniciativa foi criada para oferecer melhor estrutura aos integrantes dos blocos e aos foliões do Carnaval de rua no Rio.

Confira a agenda dos blocos da Liga dos Amigos do Zé Pereira no Carnaval carioca de 2020:

  • 15/02 e 22/02 (sábados) – Céu na Terra: Desfile às 07h, em Santa Teresa, no Centro do Rio. No pré-carnaval, a concentração será no Largo dos Guimarães, com desfile até o Largo das Neves. Já no Carnaval, a concentração será no Largo dos Guimarães, com desfile até o Largo do Curvelo. Com o enredo ”O Céu Abraça a Terra, Deságua o Rio na Bahia”, inspirado pela canção ”Nação”, do músico João Bosco, o bloco desfila no sábado de Carnaval celebrando a resistência cultural do povo baiano, levando às ruas a sua explosiva música de influência Afro-Brasileira. O cortejo oferece um vasto repertório, que vai de estilos musicais típicas da Bahia e do Candomblé, como ijexá, até o tradicional samba. Para este ano, a banda do Céu na Terra, composta por 120 músicos de sopro e percussão, terá o acréscimo de músicos de timbal – instrumento de percussão baiano.
  • 23/02 (domingo) – Laranjada: Concentração na Rua General Glicério, em Laranjeiras, Zona Sul do Rio, às 08h. Com o lema ”Tem Pastel. Tem Bacalhau. É Laranjada. É Carnaval”, o bloco vai às ruas no domingo de Carnaval para exaltar personalidades tradicionais da General Glicério, rua por onde o cortejo desfila. É o caso de Mazaropi, que há 50 anos faz parte da história da vizinhança e que hoje oferece seus bolinhos de bacalhau na feira livre da rua. Outro homenageado é o ”Seu Bigode”, como é conhecido pelos moradores há mais de 40 anos, e que prepara, todos os sábados, o famoso ”Pastel do Bigode”.
  • 23/02 (domingo) – Toca Rauuul: No mesmo domingo de Carnaval, às 15h, os malucos beleza do bloco ”Toca Rauuul” se apresentam na Praça Tiradentes, no Centro do Rio, logo após o bloco Exagerado, que homenageia Cazuza. Com repertório inspirado no lendário Raul Seixas, o grupo, que mistura rock, frevo e outros gêneros musicais, característica marcante nas músicas do cantor, tem como madrinha a filha do cantor homenageado, Vivi Seixas.
  • 25/02 (terça-feira) – A Rocha da Gávea: Na terça-feira de Carnaval, é a vez do bloco A Rocha da Gávea desfilar no bairro homônimo, na Zona Sul do Rio, com concentração na Praça Santos Dumont, às 08h, e término, às 13h, no Planetário. Indo para o seu 18º Carnaval, o enredo de 2020 será ‘‘Mais Amor, Por Favor”, com objetivo de gerar mais empática entre os foliões e quebrar esse círculo vicioso de ódio e ira entre pessoas com opiniões diferentes. A banda, composta por aproximadamente 120 batuqueiros, oferecerá um vasto repertório, que vai desde samba enredo em geral até música popular brasileira em ritmo de escola de samba. À frente do cortejo estará a tradicional dupla de mestre sala e porta-bandeira, Jacaré e Moniquinha.
  • 25/02 (terça-feira) – Vagalume, o Verde: Também no dia 25/02, o bloco ”Vagalume, o Verde” desfila no Jardim Botânico. A concentração será às 08h, com previsão de desfile às 10h, na Rua Jardim Botânico, esquina com a Pacheco Leão. Em 2020, o bloco manterá a sua tradicional coleta seletivo do lixo após o desfile, com a ajuda de uma equipe com 100 foliões. Os voluntários vão colaborar com o trabalho da Cooperativa de Catadores. No dia, serão coletados resíduos com bags produzidas pelo bloco, utilizando material reaproveitado em parceria com o Galpão das Artes Urbanas, da Comlurb, e com a Associação das Mulheres Empreendedoras do Brasil (Amebras).
  • 25/02 (terça-feira) – Orquestra Voadora: Com concentração marcada para às 15h, na altura da Praça Luis de Camões, no Aterro do Flamengo, o Orquestra Voadora se mantém como um dos blocos mais aguardados do Carnaval carioca. A grande atração do desfile é a banda de sopros e percussão, com mais de 250 músicos – que usam instrumentos que dispensam o uso de energia elétrica. O cortejo também é muito conhecido pelo seu abre-alas com performances circenses de malabares, acrobacias aéreas e de solo, além dos 100 pernas-de-pau que fazem a alegria dos foliões. Com repertório eclético, que abraça ritmos pouco comuns ao Carnaval de Rua, como afrobeat, rock, frevo, baião, côco e núsica balcânica, o desfile deste ano levanta a bandeira da inclusão de foliões com deficiência. Para o seu 11º desfile, o bloco aposta na inclusão de integrantes com deficiência física no seu cortejo. O projeto de integração é feito ainda na oficina de preparação do Carnaval, com recursos de acessibilidade que permitem que os deficientes aprendam a tocar instrumentos e até mesmo a participar da orquestra e do desfile de rua. Para tal, o bloco faz uso de imagens com audiodescrição, texto ampliado, braile e até libras. A ideia é promover a inclusão social no Carnaval de rua e mostrar que essa é uma festa democrática e para todos.
  • 25/02 (terça-feira) – Último Gole: Também na terça-feira de Carnaval, a turma da roda de samba do Último Bloco, se reúne das 17h às 22h, no Parque dos Patins, na Lagoa, Zona Sul do Rio. A roda de samba, formada por amigos com mais de 30 anos de amizade, aposta em um repertório completo de samba de raiz no seu 23º Carnaval. A compositora do bloco é a carioca Maria Gurjão, filha do músico e compositor Vinícius de Moraes, e a novidade desse ano serão as 10 pastoras fantasiadas de ”Amazônia Viva” em defesa e proteção à floresta.
  • 29/02 (sábado) – Bloco Quizomba: Já no sábado das campeãs, é a vez do Bloco Quizomba desfilar pelas ruas da Lapa, no Centro do Rio. O cortejo, com concentração prevista para às 10h, no Circo Voador, contará com a presença da cantora Roberta de Sá, madrinha do bloco. Com enredo sobre ”Sustentabilidade”, a ideia do 19º desfile do bloco é promover uma verdadeira campanha de conscientização e prevenção do meio ambiente. Para isso, além de lixeiras feitas de garrafa PET, os membros do bloco do Circo Voador desfilarão com adereços de material reciclado. Já no repertório, além samba enredo e MPB, o bloco também lançara uma paródia da tradicional marchinha de Carnaval ”Cachaça Não é Água”, brincando com a questão da água contaminada no Rio. ”Se a Cedae tratasse a nossa água, a água não matava não / Quem bebe água hoje é chique, para o povo é água de valão”. E continua: ”Se você pensa que vive sem água, sem água não se vive não / Uma cidade que se chama Rio, daqui a pouco vai chamar latão / Sai lixo na torneira lá de casa / O cheiro é de cortar o coração / Cuidar da água para ficar saudável / Porque sem água, sem cerveja, irmão”.

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