CCBB apresenta 1ª mostra de cinema haitiano no Brasil

A exibição gratuita de produções do país caribenho acontece de 18 a 26 de maio

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Filme Chache Lavi (divulgação)

O CCBB Rio de Janeiro recebe a 1ª Mostra de Cinema Haitiano no Brasil com seis produções de cineastas do Haiti e do Brasil, entre longas, curtas, documentários e animação. A exibição contará os conflitos sociais que acontecem no país da América Central A mostra, idealizada pelo Centro de Arte e Pesquisa People’s Palace Projects (radicado em Londres) também chega com o objetivo de debater experiências entre os países através da identidade cinematográfica.

As produções chegam ao Rio em um momento em que o pequeno e populoso país caribenho se encontra mergulhado em uma crise política que reverbera na sociedade. Com curadoria dos haitianos residentes no Brasil Richemond Dacilien e Ismane Desrosiers, esta retrospectiva busca não apenas entreter, mas também provocar uma reflexão sobre o Haiti e sua diáspora, particularmente sobre os 161 mil haitianos que atualmente residem no Brasil. Os filmes selecionados são “Freda”, “Barikad”, “A batida não para”, “Terremoto”, “Cousine” e “Chache Lavi”.

Na opinião do curador da mostra, Richemond Dacilien, o diálogo cultural é também uma forma de se ampliar o pertencimento dos migrantes haitianos no Brasil.

O Haiti, a primeira república negra independente do mundo, está passando por uma crise sem precedentes, há várias décadas resultando na migração de grande parte de sua população em busca de uma vida melhor, sendo milhares para o Brasil. Por isso, é importante criar mais espaço para um intercâmbio cultural entre esses dois povos, oferecendo ao público brasileiro alguns dos melhores filmes da indústria cinematográfica haitiana que, apesar da situação catastrófica do país, continuam entre os melhores filmes já produzidos na região do Caribe”, relata.

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O evento é um desdobramento do MIDEQ, um projeto de pesquisa internacional em que curadores trabalham como pesquisadores seniores sobre migração entre os países do hemisfério sul que estuda seis rotas migratórias, entre elas Haiti e Brasil.

Na programação, quatro dos seis filmes (“Freda”, “Barikad”, “Terremoto” e “Chache Lavi”) revisitam o conturbado passado do país, o terremoto de 2010 que matou 300 mil haitianos e trouxe milhares ao Brasil, mas também projetam a possibilidade de um futuro esperançoso e a presente dúvida sobre imigrar ou resistir para sobreviver no Haiti.

Confira a programação completa aqui.

Destaques

“Freda” (2021) é um filme dirigido por Gessica Généus, (que atua em outro filme da mostra, o “Cousines”), e premiado nos últimos anos – incluindo Cannes (Menção Honrosa) e Miami Film Festival (melhor filme). Apresenta um drama pessoal ligando as problemáticas socioculturais de Porto Príncipe e as crescentes manifestações que ocorrem no país, além de suas críticas à máquina neocolonial.

O diretor Richard Senecal é mais um do cinema haitiano a despontar no cenário internacional. Na mostra estão dois de seus filmes: “Barikad” e “Cousines”.

A animação “A batida não para”, do projeto Positives Negatives , junto com o filme “Chache Lavi”, do brasileiro Clementino Júnior, são frutos da pesquisa MIDEQ – apesar dos diretores não serem haitianos, focam na faceta da migração (principalmente) para o Brasil.

Outro destaque é o curta “Terremoto”, do brasileiro Gabriel Martins (que chamou bastante atenção nos últimos anos, devido à indicação de “Marte Um” ao Oscar), em que apresenta a questão da imigração de haitianos para o Brasil, como última chance de refazer a vida depois do terremoto que assolou o Haiti em 2010.

Além da exibição de filmes, a mostra contará também com bate-papo com o diretor do filme Chache Lavi, Clementino Junior, o curador da mostra e pesquisador do MIDEQ, Ismane Desrosiers, o diretor artístico do CLAMOR!, Johayne Hildefonso, e a participante do CLAMOR!, Marie Florence Thelusma. Mediação do diretor da PPP do Brasil, Paul Heritage. E ainda haverá apresentações gratuitas do grupo Clamor! no térreo do CCBB, nos dias 18 (às 16h), 19 (15:45) e 26 (às 16h) de maio, encerrando o evento – serão performances itinerantes de dança, canto, percussão e artes circenses, com cerca de 20 migrantes do Haiti, países africanos e de artistas afrodescendentes brasileiros.

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