Avenida Buford, Atlanta, EUA. Exemplo de via urbana repulsiva ao pedestre.

O ex-prefeito de Bogotá, na Colômbia, Enrique Penãlosa, é autor de uma frase que resume perfeitamente a importância de se promover o urbanismo caminhável: “Deus nos fez animais que caminham – pedestres. Como um peixe precisa nadar, um pássaro voar, um cervo correr, nós precisamos caminhar; não para sobreviver, mas para sermos felizes.”

Há algum tempo temos destacado a importância do poder público priorizar as ações de requalificação dos espaços públicos destinados ao uso dos pedestres. Cidades caminháveis influenciam positivamente na saúde física e mental de seus habitantes melhorando a segurança nas ruas.

Esta nova visão de cidade, a cidade acessível, caminhável, é um processo em curso, onde liberdade significa morar em comunidades acessíveis, caminháveis e com conveniente integração ao transporte público.

O poder público municipal brasileiro precisa estar atento a essas mudanças, que estão se consolidando em países europeus e nos Estados Unidos.

O Índice de Caminhabilidade ou Walk Score, criado por Matt Lerner, Mike Mathieu e Jesse Kocher estabelece cinco categorias que classificam os endereços com uma pontuação de 50, considerado pouco caminhável; 70 pontos, bastante caminhável e acima de 90 pontos, um ambiente extremamente favorável para os pedestres. Este Índice de Caminhabilidade tornou-se um sucesso entre as imobiliárias, pois ele ajuda as pessoas a decidirem onde vão morar, representando uma tendência social importante, que firma esse novo conceito de cidade.

Outro dado interessante são as evidências crescentes de que cidades mais adensadas e caminháveis geram riqueza, em virtude da proximidade que oferecem. Lembra Jeff Speck, autor do livro Cidade Caminhável, que este conceito é tão óbvio que as cidades existem porque as pessoas se beneficiam de estarem juntas.

Segundo Susan Zeilinski, diretora executiva do Smart Center da Universidade de Michigan: “Na Europa, consegue-se fazer cinco boas reuniões em um dia. Na Austrália, talvez três e, em Atlanta, talvez duas, porque a pessoa foi mais e mais longe e mais e mais rápido, mas não estava em local acessível que permitisse muitas reuniões. Perde-se muito tempo no trânsito.”

Nos últimos anos, a cidade do Rio viveu uma série de intervenções que assegurarão a este momento histórico um registro no rol das grandes transformações urbanas, independente do julgamento do mérito.

É chegada a hora das transformações na escala humana. Adotar uma abordagem bottom-up na requalificação dos espaços urbanos que incentivem os deslocamentos a pé para todas as pessoas.

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