Com chuva leve, Arco do Teles, no Centro do Rio, fica debaixo d’água: ‘Tudo entupido’

A histórica região do Arco do Teles, na Praça XV, Centro Histórico do Rio, sofre com enchentes e descaso das autoridades: bueiros e encanamentos entupidos são regra, e a ruela oitocentista fica debaixo d'água com a menor - e leve - chuva.

Caos formado pela inundação da Travessa do Comércio, rua que cruza o famoso Arco do Teles, construção setecentista tombada pelo Iphan. Tudo fica alagado e o trânsito de pessoas é impossível.

Que o Centro Histórico do Rio está abandonado pelas autoridades, isso é sabido. Mas a questão do escoamento de água em ruas estes cada vez pior. O conjunto arquitetônico do Arco do Teles, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN), passou por momentos dramáticos com a leve chuva que atingiu a região central da cidade na noite desta quarta-feira (04/05).

Com poucos minutos de chuva contínua, o logradouro de paralelepípedos e altas calçadas em cantaria ficou praticamente debaixo d’água. O fato tem acontecido sempre que chove, por menor que seja a chuva, formando-se um grande lago, sujo, que vai desde o início da área de paralelepípedos até a curva que a Travessa do Comércio faz, em direção à rua do Ouvidor e a Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores. A quantidade de água é tamanha, que entra pelos imóveis a dentro e chega a ocasionar retorno de água em ralos e até privadas, enchendo caixas de gordura e ocasionando sérios prejuízos a quem mora e trabalha no local. As fotos abaixo, tiradas do prédio número 4, impressionam: o mar homogêneo que se vê tem mais de 40 centímetros de altura, contados da rua até a entrada do imóvel.

Ao passar pelo Arco do Teles, as pessoas por vezes ficam admiradas em verificar que praticamente todos os imóveis da Travessa do Comércio (este é o nome da rua que passa pelo arco e vai até a rua do Ouvidor) estão fechados, abandonados, com placas de aluga-se ou vende-se, sem contar os abandonados. A prefeitura diz que quer trazer gente para o Centro. “A subprefeitura e a secretaria de conservação afirmam estar trabalhando para a melhora do espaço público. Pois o espaço público por excelência se chama RUA. E sequer temos, num dia de chuva fraca, a rua para andar. Todo o sistema de escoamento de água da Travessa do Comércio está comprometido”, diz Adriano Nascimento, administrador de 2 imóveis no histórico logradouro.

O problema é tamanho que o vigia do número 13 da Travessa mostrou à reportagem que jorra água pelas privadas do imóvel. No prédio do DIÁRIO DO RIO, a água também dá retorno em dias de chuva, voltando pelos ralos, sem contar a impossibilidade de se sair na rua, totalmente alagada pelos bueiros entupidos e pelo sistema pluvial abandonado há anos e altamente prejudicado pelos seguidos eventos e festas irregulares que ocorrem na rua, sem autorização – porém ignorados – pelo poder público.

Todo mundo gosta de samba e de festa, mas o problema é que quando acaba a festa clandestina, a sujeira fica toda aqui, entupindo as redes fluviais e ajudando o caos a se formar no menor sinal de chuva“, pontua um dos porteiros de um edifício que fica quase ao lado da entrada do arco.

“Se a prefeitura quer ver a parte mais nobre do Centro Histórico acontecer, tem que tratar imediatamente dos serviços mais básicos. Escoamento de água é um deles. A rede da região é antiga, não recebe nenhum tipo de atenção, e ninguém vai comprar ou alugar imóveis numa pequena rua que enche de água“, diz o corretor da Sergio Castro Imóveis, Lucio Pinheiro, que trabalha ativamente a locação de imóveis na região.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Quintino, “ADENTRO” é junto, palavra que dá origem ao verbo “adentrar”, pôr-se dentro de algum lugar.

    Erros de português aqui nos comentários são perdoáveis (dependendo do erro, claro), mas de um jornalista, diretor executivo de um diário!? Além de quem escreve, não há um revisor no jornal? Se a vaga estiver em aberto estou me candidatando, ok!? Vocês estão precisando, E MUITO!!!

  2. Como aconteceu no Arco do Telles acontece sempre, aqui em Copacabana, no trecho onde resido. Basta chover forte 10 minutos para virar um mar. A localização é entre estação do metrô na Siqueira Campos até a Rua Barata Ribeiro. Às vezes avança na Rua Figueiredo Magalhães também. E agora ainda está pior, porque a água fica da cor de esgoto e sobe um cheiro de fossa que sinto dentro do meu apartamento. Um absurdo ver esse descaso com o bairro mais turístico do Brasil. Alô Sr Prefeito do Rio!

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