Com histórico nebuloso, Leonardo Picciani é nomeado para comandar Secretaria Nacional de Saneamento

Leonardo é filho do ex-presidente da Alerj e ex-aliado de Sérgio Cabral, Jorge Picciani, preso e condenado a 21 anos de prisão em 2017

Divulgação

O ex-deputado federal e ex-ministro dos Esportes de Michel Temer (MDB), Leonardo Picciani (MDB), foi nomeado pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) para comandar a pasta da Secretaria Nacional de Saneamento do Ministério das Cidades, comandado por por outro emedebista, Jader Barbalho Filho. A nomeação de Picciani foi assinada pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), e foi publicada no Diário Oficial da União, desta quarta-feira (8).Em 2022, Leonardo Picciani integrou a ala do MDB que defendeu o apoio à candidatura de Lula desde o primeiro turno. Atualmente, ele comanda o diretório fluminense do MDB.

Leonardo Picciani é filho do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani (MDB), morto em 2022. Com apenas 23 anos, Leonardo foi eleito para o seu primeiro mandato como deputado federal, em 2003, ocasião em que o pai era presidente da Alerj. Leonardo é graduado em direito pela Universidade Candido Mendes (UCAM) e desde o início do seu primeiro mandato tem participação nos negócios de sua família, que atua na área da produção rural.

Em 2022, Leonardo Picciani integrou a ala do MDB que defendeu o apoio à candidatura de Lula desde o primeiro turno. Atualmente, ele comanda o diretório fluminense do MDB.

Filho de um clã com atuação controversa, Leonardo Picciani foi deputado federal por quatro mandatos, tendo atuado como presidente da comissão mais importante da Câmara dos Deputados, a de Comissão e Justiça (CCJ). Em 2016, o novo secretário era o líder do MDB quando a abertura do processo de impeachment contra a presidente, Dilma Rousseff (PT), foi votado. Na ocasião, Leonardo Picciani orientou a bancada do partido a votar pela aprovação do pedido de impedimento, embora tenha votado contra.

Em 2003, a Fazenda Agrovás, de propriedade de Jorge Picciani e da qual Leonardo era sócio, foi alvo de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que constatou o emprego de mão de obra em condições análogas à escravidão. Jorge Picciani, mais tarde, celebrou um acordo com o MTE e conseguiu extinguir a ação civil pública, sob o compromisso de transformar a unidade rural em modelo de respeito aos direitos trabalhistas.

Em 2018, o Ministério Público ajuizou uma ação civil pública na qual a empresa Agrobilara, de propriedade da família Picciani e da qual Leonardo também é sócio, de cometer atos contra a administração pública e improbidade administrativa. Na investigação, o MP descobriu operações fraudulentas estabelecidas entre o ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Jonas Lopes de Carvalho, e a Agrobilara, da qual, Lopes, segundo os promotores, teria comprado gado, para para ocultar o aumento do seu patrimônio através do recebimento de propina. O processo foi suspenso por recurso extraordinário, em 2022, com repercussão geral, em decisão do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Herman Benjamin.

Como ministro de Esportes de Michel Temer, Leonardo Picciani foi acusado, em delação, por Renato Pereira, que atuou como marqueteiro para políticos do MDB do Rio de Janeiro. De acordo com Pereira, Leonardo teria cobrado propina para que a sua empresa pudesse ter acesso a contratos de publicidade do Governo Federal. A homologação da delação de Renato Pereira, na época, foi negada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Coube a  Ricardo Lewandowski  homologar a delação, em 2018, tendo Leonardo Picciani negado as acusações, chamando-as de “fantasiosas”.

Os anos 2010, foram difíceis para o clã Picciani, que figurou nas páginas policiais, no âmbito da Operação Cadeia Velha, desdobramento da Operação Lava Jato.

Em 2017, o pai de Leonardo, Jorge Picciani, que foi um dos maiores aliados do ex-governador Sergio Cabral, foi preso e condenado, em segunda instância, a 21 anos de prisão, pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Jorge morreu em 2021, em decorrência de complicações causadas por um câncer na bexiga.

Ainda, em 2017, Felipe Picciani, único do clã a não ingressar na política, foi preso preventivamente, tendo ficado nove meses detido. Em 2019, Felipe foi condenado, em primeira instância, a 17 anos de prisão, por lavagem de dinheiro. Em 2022, no entanto, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) anulou todas as decisões proferidas pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio. Todos os processos foram retirados da Justiça Federal e enviados para a Justiça do Estado do Rio.

Nas eleições do ano passado, Leonardo e seu irmão Rafael concorreram à reeleição para a Câmara do Deputados (Leonardo), e para a Alerj (Rafael), omitindo o problemático sobrenome, inclusive em peças eleitorais divulgadas nas redes sociais. Nenhum dos Picciani foi eleito.

A CNN informou ter procurado Leonardo Picciani, através do MDB-RJ e do Ministério das Cidades, para que comentasse os fatos narrados na reportagem, mas, a assessoria do ministro, disse que ele não irá se pronunciar.

As informações são da CNN Brasil.

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