Com mais de 50 anos de atuação, o CEJOP, em São Gonçalo, fecha as portas

O encerramento das atividades da instituição seria resultado do baixo número de alunos matriculados para o ano letivo de 2023

Alunos do 3° e 4° ano do Ensino Fundamental com plaquinhas de José do Patrocínio / Rede Social: CEJOP

Depois dos colégios São Gonçalo, Nova Cidade e Trindade encerrarem as suas atividades, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, chegou a vez do Centro Educacional José do Patrocínio (CEJOP) fechar as portas, depois de 50 anos de serviços prestados. O anúncio foi feito através de postagens feitas nas redes sociais do tradicional colégio gonçalense que, infelizmente, é mais um a encerrar as suas atividades, na esteira de outros estabelecimentos educacionais privados do Estado.

De acordo com o comunicado emitido pela diretoria do CEJOP, o fechamento das portas da instituição seria resultado do baixo número de alunos matriculados para o ano letivo de 2023. O colégio, que conta com uma estrutura diferenciada, não teria como custear todas as despesas necessárias ao seu funcionamento.

Em uma postagem de 27 de dezembro de 2022, o CEJOP anunciava a realização da matrícula com pagamento no cartão de crédito com possibilidade de parcelamento em até três vezes.

Rede Social: CEJOP

No comunicado, a diretoria agradeceu a todos os profissionais, alunos e pais de alunos, afirmando estar com “com o coração apertado” e com “muita tristeza” por tal desfecho. Na postagem, a direção do colégio também prestou orientações sobre o futuro escolar dos alunos ainda matriculados na unidade:

“Os poucos alunos que já se encontram matriculados serão encaminhados para o Colégio Gonçalves Ledo e seus valores serão mantidos os mesmos que já haviam sido negociados com o CEJOP. Os livros que foram já comprados também serão substituídos pelos adotados lá no Colégio Gonçalves Ledo,” afirmou o colégio no comunicado, através do qual também adiantou que alunos e responsáveis poderão ter acesso a documentos e orientações, às segundas e quartas-feiras, das 8h às 16h na secretaria da instituição, nas próximas semanas.

Nas redes sociais, a notícia gerou uma forte comoção de alunos, ex-alunos, profissionais da área de ensino e admiradores do trabalho desenvolvido pela instituição.

Comovida, a internauta Amanda Vieira afirmou: “Estudei no CEJOP, com muito orgulho, por toda minha infância e adolescência. De lá, só trago boas lembranças, saudade e um carinho enorme por todos que contribuíram por minha Educação! Muito obrigada por tudo!”

Hellena Assunção lembrou que o CEJOP é mais uma entre as diversas unidades educacionais que deixaram de funcionar: “Mais uma escola renomada e de meio século encerrando suas atividades… Mais uma que fez parte da minha história. Deixo o meu muito obrigada e o meu grande lamento. Eterno CEJOP!.”

O depoimento de um integrante do Educandário Mario Vieira e Jardim Laura Motta dá a dimensão das dificuldades que muitos colégios privados passam no Estado do Rio e no Brasil:

“Falo em nome do Educandário Mario Vieira e sei perfeitamente o que a família CEJOP está sentindo, pois para manter uma instituição de ensino no nosso país é uma luta diária sem ajuda nenhuma dos nossos governantes. É uma tristeza muito grande saber que uma escola fechou! Saber que a única ferramenta de transformação não é valorizada. Isso nos traz uma incerteza sobre o nosso futuro! Deixo aqui meu respeito a todos envolvidos!! Com carinho família Mário Vieira!”

Uma tocante despedida da equipe CEJOP também foi postada na rede social da instituição, com agradecimentos à família Vianna, fundadora do colégio, assim como a professores atuantes e já falecidos:

“Só quem trabalha com educação no Brasil, principalmente em cidades com baixo IDH (como é o caso de São Gonçalo), sabe o quão desafiador e sacrificante é manter uma escola funcionando por mais de 50 anos. O CEJOP não está morrendo, é a família CEJOP que está descansando. Luiz Vianna, Professora Maria Helena, Patrícia Vianna (in memoria), Isabela Vianna e Marcelo Vianna, vocês merecem descansar e descansem com a consciência de dever cumprido, pois vocês deixam um legado. Muita gente, inclusive eu, segue fazendo educação por causa de vocês. Vocês foram minha escola, meu incentivo, vocês me inventaram nisso quando nem eu me enxergava nesse ramo. Como eu, muitos outros seguirão os passos de amor e dedicação a essa missão tão nobre e desafiadora. Muito obrigado por tudo, obrigado por terem tocado tantas famílias, terem feito parte de tantas histórias por tanto tempo. Um prédio e um CNPJ não são um legado. Legado é muito mais do que isso e a Maria Rita continuará por muitas gerações sendo a Rua do CEJOP. O CEJOP da família Vianna. Vocês têm o meu respeito, meu carinho e a minha admiração”.

Jordão Pablo ex-aluno do colégio, que depois passou a lecionar na instituição, escreveu uma comovente crônica, na qual rememorou a sua trajetória na unidade educacional e agradeceu a todos que contribuíram para a sua formação acadêmica e pessoal:

“O colégio que me formou anuncia sua despedida. E eu não posso fazer outra coisa senão escrever. Escrever para aliviar a dor do encerramento das atividades de um dos grandes baluartes do ensino responsável em São Gonçalo. Uma família inteira dedicada a estabelecer vínculo de qualidade com as muitas famílias que ali passaram. Tem vez que a lágrima corre e não abre sulco na terra rochosa: cria lago fundo de boas memórias. E memória pode ser argamassa. (…) Quando entrei como professor, achei que completava um ciclo. Poderia, na minha ingênua boa intenção, colaborar para a formação de novos seres como os profissionais de antes fizeram comigo. Achava que era só isso. Não sabia que eu voltei, sobretudo, para aprender novas nuances minhas, mesmo. Era um mergulho em quem o Jordão poderia ser. Se quisesse. Como fez. Louvo as mãos que me abençoaram: Maria Helena e Luiz Vianna, senhores de uma base de vida, também me deram família. Espero ainda entrar nos prédios de minha infância com o sucesso dos negócios que ali surgirão. O CEJOP não é um prédio, é a formação da minha versão basilar. Que sorte a minha!”

Na unidade, os alunos contavam com recursos, como: salas de aula climatizadas, brinquedoteca, internet banda larga, biblioteca, parque infantil, área verde, pátio descoberto, quadra poliesportiva e sala do professor. Além disso, os alunos também contavam com jiu-jitsu, handebol, curso de informática, aulas de inglês, ballet e futebol, como atividades extracurriculares.

A formação oferecida pelo colégio abrangia educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA) ou supletivo, nas modalidades presencial e a distância (EAD), segundo o site “Educa+Brasil.”

Mais informações na secretária do CEJOP, através do WhatsApp: (21) 9547 0207.

O CEJOP fica na Rua Maria Rita, nº 568, Porto Novo, São Gonçalo.

Rede Social: CEJOP
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1 COMENTÁRIO

  1. Fui estudante do colégio Trindade, citado na reportagem como um dos falidos na cidade. Tenho grandes dificuldades em obter meus documentos já que os arquivos não foram corretamente enviados à coordenadoria estadual de educação. Vendo a forma como o CEJOP está finalizando suas atividades tenho certeza que ex alunos não terão esse problema.
    Hoje trabalho em uma escola pública no município vizinho (Niterói) e a cada período de matrícula noto uma onda cada vez maior de alunos oriundos da rede particular. Esse movimento é reflexo da redução de renda das pessoas.

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