Copa do Catar: tatuador destaca diferenças culturais quando o assunto é tatuagem

Lincoln Lima analisa peculiaridades desta arte em um país como o Catar

Foto: Lucas Figueiredo / CBF

Com tantos povos diferentes frequentando o Catar durante a Copa do Mundo, é natural que os choques culturais aconteçam, seja com relação à costumes, religião e regras. Um exemplo prático disso é quanto às tatuagens, que no país que recebe a competição são proibidas de acordo com a religião islâmica. O tatuador e artista Lincoln Lima, que já atuou em diversos países ao redor do mundo, destaca que ao frequentar o país, o turista que possui tatuagens, deve pesquisar se os símbolos que tem na pele podem causar algum problema.

“Determinados símbolos mudam de significado a depender do país, sendo que alguns deles podem ser considerados ofensivos. Por isso, o conhecimento em relação à cultura do Catar e o que cada símbolo significa pode dar uma boa referência de evitar atritos desnecessário”, pontua. 

Lincoln Lima

No Catar, por exemplo, frases e símbolos religiosos podem ser mal interpretados, por isso a recomendação é escolher roupas que cubram esse tipo de desenho.

Ao redor do mundo

Entretanto, não é só no Catar que determinados desenhos podem causar mal entendidos. No Brasil, por exemplo, artes de palhaços e caveiras estão associadas ao mundo do crime, assim como no Japão, tatuagens no estilo yakuza podem ser relacionadas a pessoas da máfia japonesa. Na Rússia, uma cruz inocentemente tatuada no peito pode ser associada a facções criminosas da Rússia, assim como tatuar Buda pode ser visto como um ato ofensivo para quem vive a religião budista.

Sobre essa diversidade, o tatuador Lincoln Lima destaca que realmente a cultura da tatuagem varia muito a depender do país, mas que as ferramentas disponíveis hoje ajudam com que a decisão do cliente seja tomada com responsabilidade.

“Acredito que as escolhas são individuais e a consequências a cada decisão é pertinente. A cultura da tatuagem é muito forte e bem específica na sua forma, mas salvo as exceções, costuma ser bem democrática. A internet auxilia bastante também, hoje podemos ter acesso a muitas informações e referências com relação a isso. No meu trabalho, por exemplo, busco uma linguagem própria, universal, evito representações culturais. Pode acontecer, mas sempre evito criar esse tipo de conflito”, pontua.

Tatuagem no futebol

Se tratando de Copa do Mundo, não há como negar que as tatuagens andam lado a lado com a paixão pelo futebol. Entre os jogadores da seleção brasileira, por exemplo, o time de tatuados constitui boa parte do elenco do Brasil. A começar por Neymar, que tem artes espalhadas por todo o corpo, com destaque para uma frase na perna: “As pessoas não entendem o quão obcecado eu sou em vencer”.

 No caso de Vinícius Júnior, que vem se destacando entre os melhores jogadores do mundo, chama atenção a tatuagem com os dizeres “enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho nos olhos, haverá guerra”. Vini Jr protagonizou alguns episódios de racismo durante as últimas temporadas na Europa.

Para os torcedores mais entusiasmados, há aqueles que eternizam momentos históricos, como por exemplo a de um argentino que viralizou nas redes ao mostrar a tatuagem que fez para marcar a decisão da Copa América 2021, no qual a Argentina bateu o Brasil em casa, no Maracanã, dando fim a um jejum de títulos. Existem os mais apressados que tatuam o resultado antes mesmo dele acontecer, mas quando a isso Lincoln Lima alerta: é melhor esperar o título se concretizar para evitar arrependimentos.

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