Cortiço em propriedade da União Federal ameaça vida de moradores, em Santa Teresa

A instalação pertencia ao Hotel Moderno, inaugurado em 1914, sendo um dos mais luxuosos do Rio

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Fachada do Hotel Moderno - Foto: Reprodução/Google Maps

No topo da Rua Cândido Mendes, nº 283, em Santa Teresa, uma grande construção chama atenção pelo descaso. O Hotel Moderno, inaugurado em 1914, uma joia de luxo com vista privilegiada para a Baía de Guanabara e o Pão de Açúcar, hoje se encontra em completo abandono, servindo como moradia improvisada para diversas famílias.

Com uma história que poderia ser roteiro de cinema, o prédio em estilo eclético de quatro andares, com seus 65 apartamentos, foi símbolo de modernidade na época de sua inauguração. Equipado com luxos como energia elétrica, dois elevadores, água corrente fria e quente em todos os quartos, ventiladores de teto, um grande restaurante, e até sete banheiros com água quente e telefones, o Hotel Moderno não decepcionava em sua promessa de conforto e sofisticação. Sua “cozinha internacional” e funcionários fluentes em várias línguas adicionavam um toque cosmopolita.

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Porém, o destino do hotel tomou rumos inesperados. Fechado na década de 30, passou por diferentes utilizações ao longo dos anos, desde residencial até set de filmagens. Hoje, sua fachada degradada, com antenas instaladas nas paredes, e seu interior quase completamente destruído, ganharam o apelido irônico de “pulgueiro chique” entre os moradores do bairro.

A triste realidade é que o Hotel Moderno, além de ser uma sombra de seu passado glorioso, representa um perigo iminente para os moradores que ali se abrigam. O prédio necessita de um grande restauro, e sua condição atual coloca em risco a vida daqueles que moram. Apesar de invadido por diversos moradores, o Hotel Moderno ainda é propriedade da União Federal desde os anos 40.

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1 COMENTÁRIO

  1. Enquanto isso, diversos terrenos amplos na zona portuária, que ficaram ANOS ociosos, estão indo parar nas mãos de construtoras para erguerem ali enormes torres horrendas para, em seguida, venderem caro apartamentos minúsculos e quentes para a classe média emergente. As construtoras lucram, os prédios antigos apodrecem e desabam, ameaçando quem não tem dinheiro para morar com dignidade. O patrimônio histórico arquitetônico da cidade vira escombros, e fica todo mundo com cara de b!unda mal lavada, reclamando do governo da ocasião, sendo que os próximos (não importando o partido) vão fazer rigorosamente a mesma coisa.

    Repetir sistematicamente os mesmo erros é sinal de, no mínimo, burrice crônica. Pode ser outra coisa também: maldade criminosa.

    Curiosidade: essas construtoras que estão monopolizando os novos lançamentos na região portuária pagam corretamente TODOS os seus impostos? Ou estão ganhando favorzinhos e recebendo isenções, amortizações, carências e demais agradinhos, só para enriquecer seus investidores já podres de ricos?

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