Papo de Talarico: Conheça os gringos do Maracanã

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Fluminense Louco da Cabeça Maracanã foto de Alvaro Tallarico
Foto: Alvaro Tallarico

Fazia muito tempo que não ia ao Maracanã. Fui especificamente para levar alguns amigos, um casal polonês, um rapaz da Indonésia e uma amiga brasileira. Era a primeira vez de todos eles no maior estádio do Brasil, famoso no mundo inteiro. O jogo era Fluminense e Juventude e a chuva caía torrencialmente. Havia esquecido de toda a movimentação ao redor, dos flanelinhas cobrando preços absurdos por vagas públicas, da empolgação dos torcedores.

Minha amiga esqueceu de comprar o ingresso antes, então saiu do centro de metrô, pegou fila e adquiriu seu ingresso. Essa primeira jornada já foi uma aventura nova para ela. Fomos para o setor mais barato, no leste superior. Senti novamente a emoção de outrora, mas de forma diferente, ao chegar e ter aquela visão do campo e da torcida. Entramos atrasados e já estava um a zero para o tricolor. Contudo, mal entrei e vi o segundo gol. Pouco tempo depois, minha amiga perguntou se era a primeira vez que eu ia ver um jogo ao vivo desde o falecimento de meu pai. Comecei a chorar.

Meu pai era Fluminense. Esse não é meu time, porém sempre teve também minha torcida por causa dele. Várias vezes fomos ao Maracanã juntos. Ele com seu radinho de pilha no ouvido, comemorando os gols sem grande euforia, contido. Era idoso e aproveitava a gratuidade. Ia sozinho constantemente ainda por cima. Parecia que meu pai estava comigo ali naquele momento. A simples pergunta dela, trouxera emoções enterradas.

Indonésia e pipoca

Respirei e voltei a mim. O rapaz da Indonésia estava feliz de ver um bom jogo. Disse que em seu país a euforia dos torcedores era a mesma, mas o nível do futebol não. Em certo momento, desapareceu. Cheguei a me preocupar um pouco. Mas voltou feliz com um balde de pipoca, que dividiu com todos nós. Enfrentara a fila do intervalo.

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No segundo tempo, do outro lado, os torcedores ligaram as lanternas de seus celulares, criando uma constelação tricolor, enquanto cantavam “Ah, o Fluminense vai jogar / Eu vou ficar / Louco da cabeça / Nada me interessa”. Os poloneses ficaram encantados. O tricolor carioca goleou. Tirei uma foto de um pai com seu filho após o terceiro gol. O futebol sempre teve esse poder de criar laços. Era um dos que tinha com meu pai.

Os estrangeiros conheceram um pouco da alma fluminense, e eu lembrei de um espírito tricolor, que sempre estará comigo.

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