No ponto de ônibus, saindo do jogo de um jogo do Fluminense no Maracanã, vi um pai e um filho – um molequinho de uns cinco anos de idade – conversando.

O moleque falou, quase chorando, que estava cansado de esperar o ônibus. O pai disse:

“Tem que esperar. Papai não estudou, não tem carro”. Em seguida, ele pegou o garoto no colo.

A frase do pai tricolor me causou um combo de tristeza e indignação.



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Em sociedades como a nossa, crescemos com a ideia de que sucesso é ter carro, mas isso vai na contramão de cidades desenvolvidas, onde o reflexo do “sucesso” é transporte público de qualidade – o que faz com que as pessoas usem cada vez menos carros.

Quase cheguei no pai tricolor e falei pra ele que ele não tinha que se depreciar por não ter carro. O erro dele (e meu) é continuar apoiando um time que está em uma situação muito tensa no Brasileirão deste ano.

Meu ônibus – lotado e depois de demorar muito – chegou e fui embora sem conversar com o companheiro de sofrimentos, que seguiu (dessa vez “brincando de malhar” com o filho nos braços) no ponto esperando a condução dele.

1 COMENTÁRIO

  1. Concordo que dar valor ao transporte público de qualidade é melhor do que ter carro. Tenho meu carro, gosto de ir a praia as vezes com ele e sair no fim de semana para alguns locais, porém, no entanto, também uso o transporte público diariamente, principalmente metrô e vlt. Uso ônibus as vezes. No entanto, não concordo que ônibus seja transporte público de qualidade. Tenho experiência em 4 países (Inglaterra, França, Estados Unidos e Canadá), neste último onde realizei meu intercâmbio. Nenhuma das grandes cidades em que fui o ônibus é prioridade. Em Toronto e em Nova York onde passei mais tempo, a prioridade é metrô, trem. Até tem ônibus lá e já usei várias vezes mas em quantidade infinitamente menor do que aqui. Fico pasmo como uma cidade do porte do Rio de Janeiro ainda investe em ônibus e mais ônibus. É muito século XX isso. Esta cidade deveria investir em mais linhas do Metrô Rio, linhas que se interligassem, linhas que alcançassem áreas remotas da cidade. Sei que as linhas de ônibus são excelentes para interligar locais afastados, mas não vejo como solução. A ideia do BRT apesar de ligar muitos pontos é péssima. Porque não fizeram o BRT como um trem de baixa velocidade ou igual um VLT? Escuto muitas pessoas dizendo isso. Ônibus é poluente e a infraestrutura deles aqui na região metropolitana é deprimente, sujos, caindo aos pedaços. Isso está longe de ser transporte de qualidade. Além do caos que fica o centro por conta dos ônibus, isso atrasa e atrofia a mobilidade urbana. Uma cidade com o porte do Rio tem que investir em barca, em trem, em metrô, em VLT. O Rio podia inovar e ser a primeira capital do Brasil a abolir o sistema de ônibus da cidade, criar mais linhas de metrô e fazer trilhos de VLT ligando tudo, do Centro à Zona Sul até a Zona Oeste e à Zona Norte ligando as regiões mais remotas, abandonadas e periféricas. Iríamos ser uma capital totalmente sustentável, já imaginou? A nossa cidade ser a primeira a usar um transporte público não poluente. Mas esse sonho é meio impossível pois seria necessário MUITO dinheiro e MUITO planejamento. Enquanto isso, vemos o Rio ficar estagnado no século XX com seus veículos sob pneus poluindo a cidade enquanto o primeiro mundo investe e planeja cada vez mais em trens, metrô e vlt, um transporte público realmente de qualidade. Triste Brasil.

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