Crônicas Cariocas: Carnaval é compromisso

Carnaval é compromisso com nós mesmos, como indivíduos e sociedade no Rio de Janeiro, no Brasil, no mundo

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Reprodução

No último domingo, por motivos de ressaca e visita de parentes, acabei não indo para os blocos do pré-carnaval. Perdi o Cordão do Boitatá e o Fogo e Paixão, só para citar dois. Acordei na segunda-feira de cinzas arrependido.

Sei que ainda teria, terei e estou tendo muitos blocos para curtir. Mas Carnaval é compromisso. O rolé que dei no sábado anterior foi ótimo – tanto é que não acordei cedo no dia seguinte -, mas Carnaval é compromisso e eu deveria ter ido aos blocos que me programei para ir.

Carnaval é compromisso com um estado de espírito despreocupado, que bebe o que quer beber, come o que dá para comer, curte as ondas que vêm e vão, e que ignora as bobagens dos dias, as preocupações de outrora. É esquecer de tudo e só lembrar de algumas coisas, depois da quarta de cinzas.

Carnaval é compromisso. É pensar e elaborar fantasias semanas antes da folia pré-começar. Tem que bater perna pela cidade procurando os adereços, mínimos que sejam, para estar pronto para esse acontecimento.

Carnaval é compromisso. É acordar cedo, pegar a lista de blocos e ir seguindo um por um, principalmente os não programados e terminar o dia na Sapucaí vendo o Maior Show da Terra, feito pelas escolas de samba.

Falando em escolas de samba, Carnaval é compromisso demais. As agremiações geram milhares de empregos diretos e indiretos e movimentam a economia das comunidades e de toda a cidade.

Mas Carnaval também é compromisso com o descompromisso. É evidente que temos que destacar a importância econômica da festa para todos, no entanto, é fundamental sempre lembrarmos do fator sociocultural que nos forma e redime e de que é época de inverter as lógicas formais do dia-dia e vestir o mundo de outro jeito, o despindo do de sempre. Carnaval não é a fantasia. É a realidade. Fantasia é o que vivemos no restante do ano.

Carnaval é compromisso com nós mesmos, como indivíduos e sociedade no Rio de Janeiro, no Brasil, no mundo. É o que nos forma, deforma e segue precisando ser aceito, compreendido, acertado e vivido. É a vida como ela é ou como deveria ser.

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