Dani Balbi: Cotas para Trans nas Universidades Já

Primeira professora universitária trans, Dani Balbi, defende cotas universitárias para pessoas trans e travestis, apenas 0,02% têm acesso ao ensino superior

Foto de Oriel Frankie Ashcroft

Ser trans no Brasil não é uma tarefa fácil! O Brasil é o país que mais mata travestis, mulheres e homens transexuais no mundo, de acordo com o relatório desenvolvido pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). No mesmo relatório fica evidente como o acesso à educação é um desafio para população T. Cerca de 70% das pessoas trans e travestis não concluíram o ensino médio e apenas 0,02% dessa população teve acesso ao ensino superior.

Pesquisa realizada pelo defensor público João Paulo Carvalho Dias, presidente da Comissão da Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), estima que, no Brasil, 82% das pessoas trans e travestis tenham abandonado os estudos ainda na educação básica.

Os altos índice de evasão escolar da população trans demonstram uma verdadeira exclusão fruto de um processo defendido pela pesquisadora Luma Nogueira de Andrade, a primeira pessoa trans a concluir doutorado no Brasil, como pedagogia da violência.

Essa realidade precisa mudar!

Há três anos, o Brasil ganhou, pela primeira vez, um sistema de cotas para pessoas trans e travestis. A Universidade Federal da Bahia (UFBA), em 2019, foi a precursora na redução desse ciclo de pobreza, desemprego e marginalização da população trans. A implantação de cotas para a população trans é uma forma de diminuir o estigma e a discriminação impostos pela transfobia!

Somente com a implementação de uma política de cotas em conjunto com políticas públicas para diminuir as altíssimas taxas de evasão escolar, a população trans vai conseguir ocupar melhores postos de trabalho, se emancipar e sair de uma dura realidade social retratada em números: apenas 10% das pessoas trans, hoje, se encontra empregada no mercado formal e 90% das pessoas trans sobrevivem por meio da prostituição.

As cotas representam a abertura dos portões da universidade e de uma nova vida para a população trans. São um passo importante para mudança dessa realidade e para garantia de que essa população poderá buscar formação de qualidade, emprego digno e direitos sociais e trabalhistas. Cotas para trans significa inclusão social e combate à transfobia e à desigualdade.

Cotas para trans são uma necessidade! Cotas para trans já!

Este é um artigo de Opinião e não reflete, necessariamente, a opinião do DIÁRIO DO RIO.

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