De desempregada a dona de um império: a incrível história de Alzira Ramos, dona da ‘Fábrica de Bolo Vó Alzira’

Desempregada aos 60 anos, Alzira Ramos só queria fazer alguma coisa para pagar as contas de casa. Em poucos anos, ela construiu um império

É nos momentos de crise que, muitas vezes, podem surgir oportunidades de mudança. Abertura de visão de mundo e capacidade de ação podem gerar transformações inimagináveis na vida de qualquer pessoa. Mundo afora milhares de indivíduos redirecionam suas vidas a partir de quedas ou perdas importantes.

Em 2007, Alzira Ramos, moradora da Rua Pereira Nunes, em Vila Isabel, Zona Norte do Rio, pediu demissão de um salão de eventos para cuidar da mãe adoentada. Não passou muito tempo, e a mãe de Alzira, infelizmente, faleceu. Com 60 anos, se reinserir no mercado de trabalhou mostrou-se uma tarefa inglória. Mas a vida não para, e a chegada dos boletos nunca atrasa. Em uma situação financeira delicada, Alzira queria realizar alguma atividade para gerar renda e ajudar o marido a pagar as despesas da casa.

Em desespero buscou em suas habilidades algo que lhe agradasse e desse retorno. A saída? Fazer bolos. O seu primeiro cliente foi um amigo, que tinha uma mercearia, onde Alzira vendeu o seu primeiro bolo, feito de iogurte e rapidamente devorado pelos clientes. Começou aí uma saga de superação pessoal e profissional.

A vizinhança, encantada com o cheiro dos bolos que vinham da cozinha do pequeno apartamento alugado, começou a encomendar os deliciosos doces. Em menos de um ano, a mulher, que até pouco tempo estava em aflição, fazia 100 bolos por dia. A produção era totalmente artesanal, não contando com batedeiras ou equipamentos profissionais. A cozinha do imóvel, claro, ficou pequena. Alzira teve, assim, que transferir a cozinha para o local onde ficava a loja do seu marido, na Rua da Relação, no Centro. Nascia aí, a sua primeira loja de bolos.

Em 2008, a empresária Alzira Ramos, inaugurou a segunda loja da Fábrica de Bolo Vó Alzira, em Vila Isabel. A procura pelos bolos era tão grande que as portas da loja tinham que ser fechadas às 15h, porque os bolos rapidamente acabavam. Para tornar a situação menos dramática, a empresária distribuía senhas na fila para que os clientes tivessem prioridade no dia seguinte.

O sucesso da Fábrica de Bolo Vó Alzira foi tão rápido e surpreendente que Alzira, boleira de mão cheia, chamou o seu filho para administrar o negócio. Em 2013, teria início aí uma nova etapa nessa fabulosa história de superação. Partiu de Alexandre, a ideia de expandir a operação por meio de franquias, cuja primeira unidade foi aberta no Rio de Janeiro. Alzira Ramos passou a atuar como consultora visitando os estabelecimentos regularmente, além de prestar auxílio aos franqueados com algum tipo de dificuldade. Para ajudá-los, muitas vezes, a empresária preparava algumas formadas de bolo, para que eles aprendessem a identificar o ponto certo do doce. O fato de ter trabalhado em casa fez com que ela tivesse uma grande capacidade de identificar o que funciona e o que não funciona na produção do quitute.

Em 2015, o negócio partiu para uma nova etapa de expansão. O Rio de Janeiro ficou pequeno e a Fábrica de Bolo Vó Alzira abriu a sua primeira franquia na cidade de Florianópolis, em Santa Catarina. Um ano depois, a rede bateria a marca de 100 lojas em funcionamento. A associação com a Leste Investimento, em 2018, imprimiu uma nova velocidade à expansão do negócio que, neste mesmo ano, abriu uma unidade em São Paulo.

Para garantir a produção dos bolos, a marca tinha uma fábrica onde produzia os seus próprios insumos. O crescimento do número de franqueados em todo o Brasil levou a direção da empresa a buscar uma nova praça para a fabricação dos insumos. Foi assim que a Fábrica de Bolo Vó Alzira chegou ao Espírito Santo, para ocupar uma área industrial de 1.500 m², onde são produzidas 450 toneladas de insumos mensalmente.

Mesmo diante da pandemia, em 2020, os negócios prosperaram. A marca chegou a 300 lojas, com a inauguração de uma nova sede no bairro Imperial de São Cristóvão, na Zona Norte do Rio. Na ocasião, Alzira Ramos, agora moradora da Barra da Tijuca, na Zona Oeste, disse à revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios (PEGN): “Não dá para dizer que não houve perdas. Nós não fechamos nenhuma loja e estamos dando todo o apoio necessário aos franqueados. Eu não entendo de administração, só dos bolos, mas os meninos (referindo-se aos responsáveis pelo setor financeiro da empresa) me informam tudo”.

Em 2021, mais um novo passo foi dado. A marca lançou um novo produto: o “Vó Alzira Café”. Está claro que o empreendimento será um grande sucesso. Afinal de contas, quem não gosta de comer um saboroso pedaço de bolo acompanhado de uma xícara de café ou outra bebida favorita?  

A mulher que começou a fazer bolos de forma artesanal, para pagar as contas acumuladas, jamais poderia imaginar onde o seu primeiro passo poderia chegar. Alzira Ramos atribui tamanho sucesso não apenas ao trabalho, mas também a Deus: “Jamais duvidei de que foram as mãos de Deus que me ajudaram. Tenho certeza de que Ele apontou para mim e disse: ‘Vai que chegou a sua vez’’. E eu aproveitei a oportunidade!”.

Mais do que conquistar mercados e riquezas, Alzira Ramos também gosta de inspirar as pessoas que, como ela no passado, passam por dificuldades. Especialmente, outras mulheres que estão na maturidade e têm grande capacidade laborativa, mas não são aceitas no mercado de trabalho por preconceito. À revista PEGN, Alzira relatou:

“Uma vez, estava na inauguração de uma loja e uma senhora, mais velha do que eu, veio falar comigo com os olhos cheios de lágrimas. Ela me disse que conhecia a minha história, que estava vivendo uma situação financeira difícil, mas que, se eu tinha chegado ao sucesso aos 60, ela também poderia. A partir daí, começou a vender panos de prato e já estava conseguindo sustentar a família com o trabalho dela. Eu fiquei tão emocionada que chorei abraçada a essa senhora. Nestas horas, a gente tem plena certeza de que tudo, inclusive os momentos de dor, valem a pena. A vida vale muito a pena!”

As informações são da Revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios (PEGN), e site UOL e site Vó Alzira.

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7 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns à dona Alzira, sucesso e prosperidade fundados no trabalho! E mais alegria ainda ao saber que é uma iniciativa fluminense, Estado do Rio de Janeiro brilhando por estes brasis!

    O Rio de Janeiro só será salvo por meio da geração de valor, de emprego privado. Não encontraremos futuro com a mão de governos. Olha o exemplo que a dona Alzira nos deu!!

  2. Parabéns seu Alair. Estou torcendo pelo seu sucesso e feliz pela sua mensagem de esperança e de luta ao invés de só ficar criticando, como alguns preferem.

  3. Bela história. Essa senhora talvez faça parte de menos de 10% que tentaram algo parecido e deu certo. A chance de dar errado é bem maior. Não depende só da capacidade e nem da força de trabalho. É preciso sim um sistema de proteção social aos 90% que tentaram e não conseguiram. Isso não é “comunismo”, é bem-estar social. O mínimo que o Estado deve fazer c os impostos que pagamos, em vez de ficar sustentando bancos e rentistas c o sistema da dívida pública que nunca foi auditada.

  4. Se todos tivessem essa vontade de trabalhar e vencer, certamente o Brasil seria melhor. Infelizmente a maioria prefere o ócio, incentivada pelos “artistas”, meio de comunicação e o governo comunista que aí está, que distribui a bolsa cabresto.

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