Demolição em prédio do Século XVIII no Centro ocorre sem placa de obra

O imóvel, na esquina da Riachuelo com a Inválidos, é tombado desde 1938 e tem grande relevância histórica. De mãos atadas, o Iphan ingressou há anos com uma ação civil pública contra os donos, até hoje sem solução.

Solar do Visconde de São Lourenço, no Centro, bem na esquina da Riachuelo com a Rua dos Inválidos, é um prédio em estilo colonial português, com três pavimentos, cuja construção foi iniciada no Século XVIII, e que é tombado pelo Iphan, órgão federal de patrimônio. O imóvel, um dos últimos da época colonial na região, se assemelhava muito ao Paço Imperial, mas, depois de anos utilizado como colégio e depois como casa de cômodos, acabou incendiado em 1990 e nunca restaurado.

A obra ocorre em pleno domingo, sem qualquer placa de obras.

Segundo especialistas, porém, suas paredes que ainda estão de pé possibilitam uma reconstrução sem grandes dificuldades, pois é de arquitetura reta e simples. Além disso é bem grande e ocupa boa parte de um quarteirão. Vem sendo utilizado de forma possivelmente irregular como um estacionamento, e é apelidado de farelo, porque os carros lá parados ficam cobertos do pó das ruínas.

Neste domingo, porém, moradores do entorno denunciaram que começou uma obra de demolição interna de uma de suas históricas e grossíssimas paredes de pedra, e também de trechos de sua fachada. Não há placa de obras no local. Nenhuma obra pode ser feita na fachada ou estrutura e volumetria de um imóvel tombado sem licenciamento. E este é tombado desde 1938.

A situação foi denunciada por Marconi Andrade, defensor do patrimônio histórico, no grupo SOS Patrimônio, em redes sociais: “o solar do Visconde de São Lourenço na rua do Riachuelo RJ, é tombado pelo IPHAN, e muito me estranha em pleno domingo uma pessoa demolindo os beirais da fachada principal”.

O seu primeiro proprietário foi Antônio da Cunha, oficial das ordenanças, que o vendeu para o célebre Francisco Targine, Visconde de São Lourenço, conselheiro de Dom João VI, o qual realizou uma grande reforma, e adicionou mais um andar. Foi aí que ficou parecido com o Paço Imperial.

Antes de um incêndio em 1990, esta era a cara do bonito Solar, hoje alvo de obra e ocupação irregulares.

Após a morte do Visconde sediou o Colégio Marinho, entrando em declínio no Século XX, quando foi transformado em casa de habitação coletiva com lojas no térreo: havia barbeiros, bilhares.

Fontes do mercado imobiliário dizem que seus donos – uma família de Portugal – ofertam-no no mercado pelo valor de 5 milhões de reais, que, segundo corretores, seria um valor completamente absurdo. O imóvel necessita de muitas obras, tantas que foi cogitado no passado pela Prefeitura adquiri-lo em parceria com o Iphan para transforma-lo num Instituto de Arqueologia fluminense. O órgão federal teria também a prerrogativa de realizar as obras necessárias e depois cobrar na justiça de seus proprietários o valor gasto. E, por fim, se não tiverem como pagar, o imóvel vai a leilão – já com a obra feita – para pagar a dívida. O imóvel, segundo fontes, também teria dívidas de impostos.

O Iphan entrou com uma Ação Civil Pública contra seus proprietários anos atrás. Como quase tudo no judiciário que diz respeito à cultura, está lá mofando, sabe-se lá ate quando. Na verdade, sabemos. Até o prédio tombar de vez.

Atualização – 14:43

Segundo informações obtidas junto ao IPHAN-RJ, o imóvel histórico teria sido “destombado” por ordem de Brasília, no mandato do presidente anterior. Durma-se com mais este ato de desapreço à cultura nacional.

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15 COMENTÁRIOS

  1. Virou bagunça entra prefeito e sai prefeito não fazem nada tá tudo abandonado a muitos lugares mais a frente tem um prédio do INSS abandonado a praça Paris abandonado e sem segurança eles agora botam um carro da guarda pra dizer que tem segurança não tem lixeira e nem banheiro químico,todo mundo fazem suas necessidades na praça moradores de rua enfim tudo abandonado até as estátuas tá sendo vandalizadas eu não entendo diz que é tombado a praça é fazem festas dentro da praça e não botaram um aparelho da terceira idade dentro da praça pois dizem que não podem e botaram num lugar aonde fica cheios de moradores de rua e viciados eu tenho até pena dos aparelhos novos que colocaram eu é que não sento nesses aparelhos é até arriscado pegar alguma doença. Tá tudo abandonado sr prefeito.

    • Vc tem toda razão , tb com esse governo que temos nossas obras e monumentos históricos vão virar arquivo de algum album de fotos de museu ou peça de memorial no arquivo nacional como já existe vários.

  2. Graças a Deus alguém tomou vergonha e está tomando uma providência, que a maioria dos moradores do entorno está esperando há 33 anos.
    Quem não convive dia a dia no no local não sabe do que se trata e não deve dar pitaco!
    Povo hipócrita!!
    Já tinha que ter sido derrubado há muito tempo!!!!

  3. Antes tarde que nunca!!!! Em duas paredes não há cultura!! Preservem o patrimônio enquanto ele estiver de pé!!!
    Observação: Não há Palácio nenhum no local, há somente dois muros, os quais somente causam riscos aos transeuntes!!!!
    Demolição já!!!!!!

  4. Parabens pela matéria! A preservação do patrimônio histórico, da arquitetura, mostra o nivel de civilidade de um pais. É um predio com as mesmas caracteristicas do Paco Imperial. Preservacao gera renda, atrai turismo, é so olhar para exemplos como Paraty e Ouro Preto. Agradeço pela denuncia. Espero que dê tempo de agir. Um pouco de luz em meio a tanta ignorancia.

  5. Que cultura? Negócio é ninho de ratos. Colonização não é cultura, e situação histórica análoga a ditadores, conquistadores, tiranos e escravocratas. Nada a se orgulhar desaa tal cultura colonial do passado. Pode derrubar, ponto de fumar crack apenas

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