Desafios para o autocuidado à saúde das mulheres no Estado do Rio de Janeiro

A secretária de Estado de Saúde, Cláudia de Mello, e o Coordenador Estadual da Saúde das Mulheres do Rio de Janeiro, Antonio Braga, falam sobre o autocuidado à saúde das mulheres

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Foto de Pixabay

Antonio Braga
Médico e Coordenador Estadual da Saúde das Mulheres do Rio de Janeiro

Claudia Maria Braga de Mello
Médica e Secretária de Estado de Saúde do Rio de Janeiro

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) realizado neste fim de semana ressaltou, na redação e em várias questões, assuntos ligados à condição das mulheres na sociedade. Além da invisibilidade do trabalho de cuidado exercido pelas mulheres, foram destacados temas como o silenciamento feminino, a violência física, sexual e patrimonial sofrida por elas. Além disso, foram incluídos na prova, para reflexão dos candidatos e de todos, questões relativas à amamentação e ao conceito de casamento e de parceria.

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Antonio Braga Médico e Coordenador Estadual da Saúde das Mulheres do Rio de Janeiro

Todos esses temas envolvem, diretamente ou transversalmente, aspectos que afetam a saúde da mulher. E isso assume especial importância para nós, gestores públicos responsáveis pela área de Saúde no Estado do Rio de Janeiro, quando dados recém-divulgados pelo IBGE mostram que nosso estado tem a maior proporção de mulheres por habitantes no Brasil (52,8%). São elas que mais comparecem às unidades de atenção primária à saúde do Rio de Janeiro, mas, mesmo assim, temos baixa cobertura de exames preventivos do câncer do colo do útero ou de mamografias, por exemplo. Mudar esse quadro é desafio que deve ser enfrentado por todos: profissionais de saúde; gestores públicos; parentes e outras redes de apoio às mulheres.

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Estratégias devem ser buscadas para aumentar o acesso de mulheres a consultas e exames e, assim, garantir a elas melhores condições de saúde e de vida e evitar ou tratar doenças que, mesmo preveníveis ou com tratamentos eficazes, ainda matam muitas delas. Uma proposta que deve ser levada à frente é estender o atendimento clínico às mulheres que vão até unidades básicas de saúde como acompanhantes de outros pacientes e que podem, assim, receber orientações e cuidados oportunísticos. Outra medida que deve ser ampliada é a busca ativa de mulheres em idade-alvo para exames de rastreio, contando-se com a capilaridade e penetração dos agentes comunitários de saúde.

É necessário também promover ações e políticas públicas que garantam acesso a consultas, exames e acompanhamento clínico às mulheres trabalhadoras. Para isso, é preciso ampliar o horário diário de funcionamento das unidades básicas de saúde e mantê-las abertas nos fins de semana. Um exemplo é o Programa Saúde na Hora, que já permite às trabalhadoras buscar atendimento fora do horário do expediente normal de trabalho.

Outra ação efetiva e que vem, no Estado do Rio de Janeiro, tendo grande sucesso na prevenção de doenças é a oferta de equipamentos móveis que permitem levar a tecnologia disponível para exames a lugares distantes dos grandes centros. Um exemplo é nosso mamógrafo móvel, que faz também ultrassonografias, e tem garantido a milhares de moradores de pequenas cidades e áreas rurais a prevenção e rastreio do câncer de mama. O equipamento é de grande ajuda até em localidades que dispõem desses recursos, ao ampliar a capacidade de atender a demanda. Colocar aparelhos sobre quatro rodas e que podem atender aos rincões distantes das capitais é dar mais alternativas àqueles que não têm como chegar a unidades de saúde.

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Claudia Maria Braga de Mello Médica e Secretária de Estado de Saúde do Rio de Janeiro

É importante que a sociedade reconheça o papel da mulher na família e que seja respeitado o direito da trabalhadora, garantido pela Lei 13.767 de 2018, que permite, sem desconto nos salários, até três dias de falta, no período de 12 meses, para consultas médicas e exames preventivos. Isso é suficiente para que, ao menos mulheres de 25 a 64 anos façam seu preventivo do câncer do colo do útero a cada três anos, após dois exames anuais normais, e que as de 50 a 69 anos façam mamografia de rotina a cada dois anos.

É fundamental ainda que parentes e rede de apoio estimulem as mulheres a se cuidarem, já que elas, que são tradicionalmente cuidadoras, negligenciam, tantas vezes, a própria saúde. É necessário que a rede familiar divida tarefas do cotidiano e que sejam adotados parâmetros que primem por esse conceito de rede de colaboração, ensinando crianças novos modelos de convivência e gestão da vida comum e cuidado compartilhado.  Se não faltam exemplos de sororidade entre elas, falta envolvimento dos homens nesse processo. O Movimento Global de Solidariedade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero, chamado HeForShe, conclama-os a apoiar as mulheres na luta pela igualdade de gênero. Eles não podem estar à margem da discussão da saúde das mulheres. Ao contrário, precisam trabalhar com elas e entre si na promoção de uma sociedade mais saudável, justa e solidária para todos.

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